Douglas foi revelação do Fluminense, mas teve evolução freada por doença

Douglas foi revelação do Fluminense, mas teve evolução freada por doença

Dassler Marques, Diego Salgado e Leo Burlá
Do UOL, em São Paulo e no Rio de Janeiro

Fluminense e Corinthians se enfrentam nesta quarta-feira (21) em um duelo que provavelmente vai mexer com as emoções de um jogador em especial. O volante Douglas passou 12 de seus 21 anos com a camisa tricolor, mas recentemente se mudou para o Parque São Jorge atrás de um recomeço. Tudo isso depois de conseguir controlar uma doença chamada artrite reativa.

Confirmado por Osmar Loss para o jogo desta noite no Maracanã, Douglas precisou lidar com dificuldades pouco comuns entre jogadores. Ficou mais de três meses sem jogar, usou até cadeira de rodas por um período em momentos específicos e, de grande revelação tricolor em 2016, passou a um reserva pouco utilizado nos últimos meses. Foi quando a oportunidade de atuar pelo Corinthians surgiu.

Os médicos explicam que a artrite reativa é autoimune, por isso Douglas tem de controlar a doença tratando os sintomas. Além de injeções recebidas à época do problema, o volante tomou até pouco tempo atrás remédios que o ajudavam a se desvencilhar das dores. Uma autorização especial foi fornecida para que ele não tivesse risco de doping. No novo clube, tem jogado normalmente outra vez.

Sintomas parecem ter ficado para trás

Pelo Corinthians em pouco mais de um mês, Douglas tem se mostrado livre dos sintomas. Estreou como titular de Loss, jogou boa parte das partidas desde então e só foi desfalque duas vezes em razão de pancadas no pé e na perna em jogos diferentes. Nada que gere preocupação no clube, satisfeito pela ascensão do jogador contratado para substituir Maycon, vendido ao Shakhtar.

"Ele está tranquilo, não tem mais nada e está em processo de remissão total", conta o consultor médico corintiano Joaquim Grava. "Ele já vinha jogando, tratando no Fluminense. Ele não estava sem atuar. Fizemos todos os exames, de controle reumático e deu tudo negativo. Foi sem problemas. Nunca se cura isso, é uma doença que entra num processo de remissão e pode voltar. Não há controle. Há as artrites reumatoides sérias, que trata com corticoide, que não é o caso dele. O dele foi uma artrite reativa", especificou.

Sem restrições para treinar, Douglas deixou, segundo Grava, de tomar os remédios. Essa vitória anima o Corinthians, que identificou nele um jogador com algumas características semelhantes a Maycon. Segundo volante, canhoto, com boa marcação e capacidade técnica. De quebra, ambos nascidos em 1997. A maior diferença está na chegada à área, uma marca do garoto criado no Parque São Jorge. Já o substituto tem os chutes de fora e o passe como armas ofensivas mais marcantes.

Titular do Corinthians chegou ao Fluminense com 9 anos

Douglas, já há algum tempo, mostrava essas virtudes. No Flu, ele chegou ainda menino, com 9 anos de idade, para jogar no futsal. Considerado um dos grandes nomes da última geração de ouro da base do Flu, ele foi eleito o melhor jogador do Campeonato Brasileiro Sub-20 de 2015. Além da conquista individual, levantou o troféu da competição em um time que contava com o artilheiro Pedro. Outro membro dessa mesma leva foi Gérson, negociado com a Roma e hoje emprestado à Fiorentina.

Enderson Moreira, em 2016, foi quem lançou Douglas, que não tinha histórico de lesões na base. O problema crônico nas articulações se manifestou no início de fevereiro de 2017, quando o jogador deixou o campo com os olhos vermelhos. Após investigação dos médicos, ele teve diagnosticada a artrite reativa. Nos treinos, trabalhava com desenvoltura, mas o problema se agravava durante os jogos. Ficou constatado que a doença piorava à medida que o estresse emocional aumentava.

O Flu chegou a importar medicamentos dos Estados Unidos para auxiliar no tratamento, e o atleta voltou a atuar no fim do Brasileiro de 2017. Àquela altura, Wendel já tomava conta da posição e Douglas não teve sequência. O ano virou, e o volante nunca foi titular absoluto de Abel Braga, que sempre elogiou o futebol do agora ex-tricolor. Nomes como Richard e Jadson, porém, tiveram sua preferência durante o último semestre.

Recentemente, a sorte pareceu ter voltado a sorrir para Douglas, que viu no Corinthians a chance de voltar a jogar com maior regularidade. Foi em um sábado, em meados de julho, que ele recebeu passagens para São Paulo, onde assinaria contrato com o novo clube. Por um imprevisto, o jovem perdeu o voo e não quis nem esperar o dia seguinte: pegou um carro e encarou a estrada para se apresentar o mais rápido possível no Parque São Jorge.

Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

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