O jornalista disse o que pensa sobre a política brasileira no portal Terceiro Tempo

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Flávio Gomes está prestes a completar 50 anos, é jornalista com passagens pelo finado jornal Popular da Tarde, Rádio Cultura, Folha de S.Paulo, Rádio Jovem Pan e Bandeirantes. Especializado em automobilismo, comanda o principal portal da categoria no Brasil, o Grande Prêmio (clique aqui e conheça). Além de comentar sobre futebol no canal a cabo, Fox Sports. 

Mas com FG não há curvas, o papo é reto sobre política, os partidos PT e PSDB, o programa "Mais Médicos , verba da publicidade governamental e a isenção da imprensa nas eleições em outubro próximo. 

Abaixo a entrevista com Flávio Gomes:

Conheça a página de Flávio na seção "Que Fim Levou?"

 

Terceiro Tempo- Qual foi o melhor presidente para o Brasil: FHC, Lula ou Dilma?

 

[Flavio Gomes-Warm Up] Lula, disparado. Foi o primeiro dirigente brasileiro que realmente se preocupou com o maior dos problemas do país: a miséria e a desigualdade social. Além do mais, um operário como ele ascender ao poder e fazer um governo tão importante é motivo de orgulho para um país cuja democracia é tão jovem e que tem uma história abjeta de exploração dos mais pobres por suas elites.


 O que mais ajudou o povo brasileiro: o plano Real ou o Bolsa Família?

 


[Flavio Gomes-Warm Up]O Bolsa Família, claro. O plano Real estancou a inflação num momento em que a economia globalizada já não comportava mais países considerados “players” com inflação alta. Se não fosse o plano Real, seria outro. A economia mundial se encarregaria de acabar com a inflação brasileira, porque deixara de ser interessante investir num país de economia tão bagunçada. E o mundo precisava de novos mercados para investir. Um país como o Brasil, em resumo, com mais de 150 milhões de habitantes, simplesmente precisava ter uma ecnonomia razoavelmente estável, senão não seria mercado para ninguém.


Qual foi o pior erro dos governos Fernando Henrique Cardoso e Lula?

 


[Flavio Gomes-Warm Up]FHC entregou o patrimônio nacional a preço de banana e ainda financiou sua compra com juros muito camaradas nas privatizações. Isso é imperdoável. As estatais eram mal administradas? Que o governo cuidasse para que fossem bem geridas. E não vendesse para que grupos privados passassem a lucrar loucamente de um dia para o outro. Hoje é mais do que claro que telefonia, energia, mineração, rodovias e muitas outras áreas em que as estatais atuavam são operações lucrativas. Se podem dar lucro a grupos privados, por que não podem dar lucro a governos? Por que os governos federais, estaduais e municipais que detinham já esse patrimônio não poderiam usar essas estatais para gerar recursos e aplicá-los no bem comum? No fim, um monte de gente, vários grupos financeiros e empresariais, encheu as burras com as privatizações e enche até hoje. Já Lula, para mim, foi modesto no segundo mandato no que diz respeito aos avanços sociais. Não tinha de fazer acordos com grupos políticos que sempre criticou em nome da governabilidade. A governabilidade eram seus eleitores. Acabou se juntando com gente que não vale um centavo. Lula tinha, e tem, patrimônio político para fazer o que quisesse, avançando mais na educação, na distribuição de renda, na moradia e na saúde. Mas o que fez, que para muita gente foi pouco, já é infinitamente mais do que foi feito para o povo brasileiro nos 502 primeiros anos de sua história.


 Você acredita que a polarização entre o PT e o PSDB seja uma dissimulação para adornar o posicionamento radical de uma ou das duas concepções políticas?

[Flavio Gomes-Warm Up] Não entendi bem a pergunta. Não há posicionamentos radicais nem em um, nem em outro partido. Não mais. Há um teórico embate ideológico entre neo-liberalismo e social-democracia. Mas muitos de seus agentes, de um lado e de outro, nem sabem direito o que é isso.

 



A imprensa, de modo geral, trata de formas diferentes os Governos do PSDB e do PT?

[Flavio Gomes-Warm Up] Sim, claro. A imprensa brasileira continua nas mãos de poucos grupos familiares de claras tendências políticas de direita. Gente que enriqueceu muito fácil com todos os governos passados e que nunca engoliu um operário na presidência da república. Sendo assim, tudo que é PT é escândalo e culpa-se diretamente suas lideranças. Tudo que é PSDB é tratado como desvios de conduta que suas lideranças desconheciam. Exemplos claros são o mensalão, que é quase uma ficção, e os escândalos dos cartéis de trens em São Paulo, que têm valores claros, acusações nominais e efeitos bem concretos. A imprensa ficou histérica até que os líderes petistas fossem presos, mesmo sem provas. Essa mesma imprensa mostrou com provas os escândalos de São Paulo, mas nunca deu chilique para que seus responsáveis fossem punidos. Luta de classes, em resumo. O baronato da mídia gosta mais de champanhe do que de cerveja e torce o nariz para o novo momento do Brasil.


O programa "Mais Médicos" do Governo Dilma vem fazendo sucesso pelo Brasil, mas foi muito criticado pela imprensa e também pela oposição, você acredita que isso está incutido um preconceito contra Cuba?


[Flavio Gomes-Warm Up] Óbvio que sim, e óbvio que também é um ataque a um programa de um governo que a imprensa não engole. A oposição, que tem como porta-voz os veículos da chamada grande imprensa, ou velha mídia, critica tudo que o governo faz. O “Mais Médicos” é uma bênção para as populações mais pobres. E uma porrada na cara da classe médica elitizada do país.


 Por que Cuba assusta tanto os brasileiros conservadores?

 


[Flavio Gomes-Warm Up] Qualquer coisa assusta os conservadores. No caso específico de Cuba, o medo vem de que o Brasil pudesse ter se transformado num país comunista, ou socialista, no rastro da revolução de 1959. Qualquer revolução que tire os privilégios políticos e econômicos das elites deixa essa gente apavorada. Mas isso não aconteceu, não vai acontecer, e a revolução brasileira é de outra natureza. Quanto a Cuba, a direita brasileira nem sabe o que acontece lá. Os cubanos são donos do seu destino. Isso é o que importa.


 Há 50 anos, o Brasil sofreu um Golpe de Estado, o jornalista Luis Nassif vê semelhanças nos ambientes de 1964 e 2014, com uma dicotomia entre a mídia, militares e o sistema jurídico perante movimentos sociais, excluídos e sindicatos. Você enxerga a situação da mesma óptica e acredita que possa acontecer o "Golpe" novamente?


[Flavio Gomes-Warm Up] Não. Mas a imprensa velhaca tenta, sem perceber que já não tem mais nenhuma importância ou influência nas escolhas da população, golpear os governos de esquerda de todas as formas. O que não significa que apoiaria um golpe militar. Isso não. Os militares estão na deles, não iriam se aventurar numa roubada igual à de 1964. O ambiente é outro, as pessoas não iriam permitir, e até mesmo a mídia conservadora teria de se posicionar contra. Não cabe mais, num país como o Brasil, de democracia jovem, mas forte, e economia vigorosa, uma patetada como a de 1964. Os golpes possíveis, aqui, são políticos e dentro de uma certa normalidade institucional. O Brasil derrubou um presidente legalmente em 1992. Logo depois de sua primeira eleição presidencial após a ditadura. Se naquele momento não houve nenhum movimento militar, não haverá mais.


Qual será o comportamento da mídia nas eleições deste ano?

 


[Flavio Gomes-Warm Up] O de sempre. Fazendo campanha aqui e ali, tentando esculhambar o PT, tratando os diferentes candidatos em função de suas preferências etc. E fingindo ser imparcial e apartidária. Ainda bem que hoje a internet, de uma certa forma, consegue equilibrar as coisas.


 Boa parte da mídia prega a livre concorrência do mercado, sem o financiamento do Estado, inclusive para programas sociais entre eles Bolsa Família, Fome Zero e Cotas Raciais, mas apenas esses, receberam do Governo Federal no último ano R$ 16 bi. Você acredita na livre concorrência da mídia e como realizar uma melhor distribuição da verba da publicidade governamental?


[Flavio Gomes-Warm Up] A verba de publicidade do governo deve seguir alguns critérios técnicos, sem dúvida, mas deve também estimular o livre pensamento e a diversidade de ideias. Por isso, acho um erro a concentração de verbas em grandes veículos que cobram valores extorsivos. E que usam seu tempo e páginas, muitas vezes, para sabotar iniciativas governamentais que são benéficas ao país. Eu, como governo, jamais ajudaria a financiar aqueles que têm como maior objetivo minar minhas ações. Quem deveria recusar anúncios governamentais é essa mídia neo-liberal que acha que o Estado é o culpado de tudo num país. Mas eles não recusam, ao contrário. É fácil pregar um Estado pequeno que interfira pouco na economia de mercado, desde que o dinheiro desse Estado ajude a financiar a atividade privada — em vez de ser usado para estimular o bem social e comum. Isso eu também quero...

 

 

 

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