Em sua segunda temporada na F3 Brasil, o paulista Christian Hahn, de 17 anos, falou com exclusividade ao Bella Macchina do Portal Terceiro Tempo.
Em 2015, competindo pela Hitech Racing, conseguiu dois pódios (Campo Grande-MS e Cascavel-PR). Christian Hahn comentou sobre sua trajetória, passando do kart para o monoposto, a estrutura de trabalho em sua atual equipe, a campeã Cesario F3, a abertura da temporada no Velopark, os circuitos que fazem parte do calendário da categoria e seus planos futuros, entre outros aspectos.
Christian aproveitou a recente vitória de Max Verstappen na F1, no GP da Espanha, feito que fez o holandês escrever seu nome na história como o mais jovem vencedor da categoria, para dar sua opinião a respeito do piloto da Red Bull.
Hahn também mencionou pilotos que competem no Brasil, aqueles que considera os melhores, e elegeu um favorito, seu coach Allam Khodair, o "Japonês Voador", que, aliás, já esteve na redação do Portal Terceiro Tempo gravando o Bella Macchina.
O próximo compromisso do piloto será na rodada dupla da F3 Brasil, que a exemplo da primeira deste ano, acontecerá em território gaúcho, no traçado de Santa Cruz do Sul, nos dias 4 e 5 de junho.
EVOLUÇÃO AO LONGO DE SUA PRIMEIRA TEMPORADA NA F3 BRASIL, EM 2015
Christian Hahn - Quando começamos a temporada de 2015, eu tinha pouquíssimas "horas de vôo" com o carro de F3. Minha experiência se resumia em algumas etapas do Mercedes Benz Challenge que eu havia disputado em parceria com meu pai. Também fazia um bom tempo que eu não treinava de kart. Então eu estava chegando na categoria e precisava me reencotrar com um carro que, sinceramente, não é nada amigável com iniciantes (rs).
Tive uma grande ajuda da equipe Hitech nesta adaptação. Eles tinham um ambente super confortável e sem nenhuma pressão. Com o tempo e com o passar dos treinos, fui pegando experência e tivemos um crescimento rápido ainda nas quatro primeiras etapas da temporada. Já na segunda metade os resultados começaram a aparecer.
CONSELHOS PARA PILOTOS QUE PRETENDEM FAZER A TRANSIÇÃO DO KART PARA A F3 BRASIL
CH - Eu diria para procurar fazer esta transição o mais cedo o possível. Não quero dizer para abandonar o kart, de forma alguma, mas acho que no meu caso, por exemplo, se houvesse começado a treinar assim que tirei minha carteira de piloto, já estaria um degrau acima do que estou agora. Se houver tempo pra se dedicar tanto ao kart quanto ao monoposto, melhor ainda.
DUAS EQUIPES DIFERENTES ENTRE 2015 E 2016
CH - Minha primeira impressão dentro da equipe (Cesario) foi muito legal, logo de cara fui muito bem acolhido, senti que todos se esforçaram pra fazer com que eu me sentisse parte de uma família. É uma equipe maior, além de ter mais pilotos (que a Hitech, no caso), sendo que todos estavam la há pelo menos um ano. Isso faz com que exista uma pressão um pouco maior do que havia na equipe antiga. Porém, agora que já tenho mais experiência no ramo, posso tirar proveito disso.
Nos treinos também percebi que o pessoal da Cesário tem uma filosofia de trabalho um pouco diferente do que eu estava acostumado. A experiência que eles tem com o carro de F3 é enorme, ja estão neste campeonato ha muito, muito tempo. Não é à toa que é uma equipe com tantos títulos.
BALANÇO DA PRIMEIRA ETAPA DE 2016, NO VELOPARK-RS
CH - Foi uma experiência um tanto desagradável pra falar a verdade (rs), mas que me serviu para aprender e evoluir. Eu vinha com um ótimo ritmo durante a corrida, estava com um terceiro lugar bem sólido quando entrou um safety car. Na relargada, tivemos alguns problemas e acabei perdendo três posições. Depois disso, houve um toque quando fui ultrapassar para a quarta posição e comecei a ter problemas com o carro. Comecei a ficar frustrado e, com medo de perder um lugar no pódio, acabei passando do limite do carro e bati faltando pouco para a bandeirada, perdendo pontos que podem fazer a diferença no final do campeonato.
No dia seguinte, na chuva, larguei lá atrás, rodei na largada, voltei ao pelotão mas fiquei preso atras de outro carro perdendo muito tempo. Quando finalmente consegui passar, fui com muita sede ao pote para chegar no pelotão da frente e acabei indo parar na brita. Quando me retiraram e consegui voltar à corrida, ja havia levado uma volta. Consegui brigar pela sétima posição com outro piloto que também estava uma volta atrás, marquei alguns pontos, porém, poderia ter sido um resultado muito melhor. Agora tudo que posso fazer é evitar ficar frustrado e focar na próxima corrida, mas com certeza foi uma etapa muito desagradável, principalmente por que eu tinha um ritmo de corrida muito bom que acabou sendo desperdiçado.
PISTAS FAVORITAS
CH - Difícil dizer. Das que eu já andei com o carro de F3, com certeza Interlagos. Gostei muito de Goiânia quando andei de Mercedes, provavelmente sera muito legal andar de F3 lá. Outro que é especial pra mim é Cascavel, que foi a etapa onde tive meu melhor desempenho, ano passado. Foi um fim de semana muito especial, que nunca vou esquecer. Não posso dizer o mesmo da etapa de Interlagos, mas me senti muito confortável com a pista e acho que em outras condições poderia ter me dado muito bem lá, além de ser uma pista histórica que tem um grande apelo emocional. É diferente guiar ali.
PLANOS FUTUROS
CH - Se você me perguntar qual é o meu sonho no automobilismo, eu direi para você: Meu sonho é ser campeão do mundo na Formula 1. É claro que, se você olhar para onde estou agora, é um sonho muito, muito distante. Afinal de contas, são os 20 melhores pilotos do mundo competindo ali, e apesar de alguns ótimos resultados, eu nem consegui vencer na Fórmula 3 brasileira. É obvio para mim que, pra chegar lá, preciso me dedicar muito mais ao esporte, e acho que, em breve, vou ter a oportunidade de fazer exatamente isso.
Agora, falando sobre planos que tenho para o momento, a meta é ser campeão aqui este ano e ano que vem correr de F3 na Europa, assim como fez o atual campeão, Pedro Piquet.
MAX VERSTAPPEN
CH - Desde o ano passado venho falando aos meu amigos que tenho certeza que ele (Max Verstappen) será um futuro campeão mundial, porém confesso que fiquei chocado com essa vitória repentina. A frieza que ele teve para segurar o Raikkonen em determinado ponto da corrida também me surpreendeu. Poucos teriam tido uma reação semelhante, principalmente pela idade. No momento que recebeu a bandeirada, lembrei que há menos de dois anos eu assistia as corridas dele na F3 Europeia. Não estava acreditando. Minha opinião é clara: ele vai ser campeão de Formula 1 ainda muito novo. É agressivo, frio, confiante e muito rápido.
ESTUDOS E AUTOMOBILISMO
CH - Pra falar a verdade, vou me formar neste mês, dia 20 de maio. Estudo (ou estudava, difícil cair a ficha) em escola inglesa de periodo integral. Precisei me dedicar muitíssimo aos estudos durante estes anos de colegial, mas finalmente acabou. Isso me afetou muito no esporte, diversas vezes cancelei treinos, ou não estava tão focado, etc... Enfim vou ter mais tempo para me focar no automobilismo, e espero ter uma evolução bem grande daqui pra frente.
PILOTOS QUE COMPETEM NO BRASIL
CH - Do automobilísmo brasileiro atual, o primeiro nome que me vem na cabeça é o Khodair (Allam). Ele é meu coach, mas juro que não estou sendo puxa-saco!Torço pra ele há muito tempo, tem uma tocada sensacional, é agressivo. Mas, às vezes, acaba dando azar. Não entendo como ainda não conseguiu nenhum título na Stock depois de bater na trave tantos anos seguidos.
Obviamente agora também temos o Rubinho (Barrichello) que está competindo na Stock e dispensa comentários. É muito especial poder encontrar com ele com tanta frequência já que as corridas da F3 são junto com a Stock e ele é companheiro de equipe do Allam. Eu cresci assistindo ele na F1, na época da Ferrari, que foi muito especial pra mim. Tem muitos outros pilotos pelos quais eu também tenho muito respeito, como Marquinhos (Gomes, atual campeão), Ricardo Maurício, Max Wilson, etc... Mas sou torcedor fiel do Japonês Voador (Khodair).
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