Foto: Cesar Greco/Palmeiras

Foto: Cesar Greco/Palmeiras

Vanderlei Luxemburgo mudou o visual. O implante capilar já não é mais novidade. Foi feito há alguns anos, segundo o próprio treinador. Os fios a mais deram ao professor, indiscutivelmente, um aspecto mais jovial. Os óculos redondos e coloridos também colaboraram para o rejuvenescimento do técnico, outrora chamado pelo falecido Roberto Avalone, com razão, de “o estrategista”. Luxemburgo hoje usa também uma linguagem mais moderna em suas entrevistas coletivas. Diz que seu time “fez marcação alta no campo do adversário”, e outras frases tão comuns nos discursos dos técnicos da nova safra. E da velha também, como é fácil notar nas conversas de Jorge Jesus com a imprensa. Sim, Vanderlei Luxemburgo esforça-se para parecer moderno, embora saibamos também que os novos métodos de treinamentos que seus jogadores executam no dia a dia da Academia de Futebol sejam resultado dos estudos de Maurício Copertino, o auxiliar de Luxa. Copertino foi zagueiro do Santos no início da década de 1990 e passou por inúmeras equipes pequenas do futebol brasileiro e do exterior. Os próprios jogadores do Palmeiras dizem nas entrevistas que os novos métodos de treinos são introduzidos por Copertino.

E não há problema nisto. Renato Gaúcho, no Grêmio, tem no auxiliar Alexandre Mendes o seu ponto de apoio. É Mendes, com o seu trabalho antenado com os novos tempos da bola mundial, que faz de Renato Portaluppi um treinador de ponta, reconhecido nacionalmente, com salário milionário, que ultrapassa os R$ 1 milhão mensais.

Mas, voltando ao Luxa, é digno de elogio o esforço que ele faz para falar o novo idioma da bola nas entrevistas. E ele até que vai bem, principalmente quando a equipe que comanda vence. Mas bastou uma derrota para ele derrapar. Neste domingo, após a derrota do Palmeiras para o RB Bragantino por 2 a 1, Luxemburgo voltou aos anos 90.

“Faltou atitude ao nosso time”.

Trata-se de jeito simplório de transferir responsabilidades. O Palmeiras foi dominado pelo time do interior, principalmente no primeiro. Melhorou um pouco após o intervalo, fez um gol, mas as chances maiores pertenceram ao adversário. Transferir a culpa para os jogadores não faz parte do discurso de técnicos como Jorge jesus, Jorge Sampáoli, Jesualdo Ferreira, Tiago Nunes e todos os outros da nova safra dos que pregam conceitos mais condizentes com o futebol que é praticado hoje.

Estes treinadores, quando derrotados, analisam o jogo de uma forma mais ampla, falam dos defeitos que seus times mostraram e também elogiam o adversário.

No futebol atual, todas as equipes analisam os rivais, a maioria dos clubes possui departamentos de análise de rendimento, capacitados para observar as virtudes e os defeitos do oponente. Os jogadores vão para o gramado sabendo exatamente quais as funções irão execuitar em campo. Não há lugar mais para “falta de atitude”.

O jogador que não render, perde o lugar no time. Em elencos recheados de bons jogadores, quem é escalado sabe que se não for bem, o lugar poderá ser ocupado na partida seguinte por outro colega.

Luxemburgo não disse e nem foi questionado sobre qual ou quais jogadores não tiveram “atitude” no gramado.

“O nosso time não teve atitude” é muito genérico. E nada diz nestes tempos em que os treinadores procuram ser mais objetivos que podem em suas entrevistas coletivas. É o que falta ao “moderno” Vanderlei Luxemburgo para ganhar um dez.

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