Equatoriano foi mal recebido no Morumbi após vídeo com camisa do Palmeiras durante folga

Equatoriano foi mal recebido no Morumbi após vídeo com camisa do Palmeiras durante folga

“Pastel! Pastel!”

A voz aguda e firme de criança ecoava pelas ruas, misturada com o barulho das rodinhas do carinho de salgados do tio de Robert. Dias de trabalho revezados com a oficina mecânica de um irmão de sua mãe, sempre após a escola. A grana amassada ao final do dia ia para as mãos da mãe, solteira, que cuidava dele e dos irmãos. Seus pais se separaram quando o garoto era ainda muito novo.

Infância sofrida que levou à bola, do chão batido à fundação de Ivan Hurtado, um dos seus maiores ídolos, zagueiro de seleção em Copas do Mundo. Sonho acalentado com cabelo “à lá Ronaldo”, no Cascão. “Eles me mandavam embora para casa na escola por causa do penteado”, contou certa vez. Com o peso da realidade, a necessidade levou Robert a procurar a polícia. Queria ser soldado, atirador de elite, contrariando a mãe.

Documentos enviados, matrícula feita, bastava esperar a segunda-feira para deixar o futebol e vestir a farda. Trocar a bola pela metralhadora. Como num gol aos 47 do segundo tempo, no sábado toca o telefone. Um representante de um time da Série B chamando. A irmã atende e diz que ele deixou o futebol. Insistência... dos dois. Corre para arrumar dinheiro, o suficiente para a passagem e dois dias de alimentação. A mana conseguiu. Virada.

No futebol, começou com a camisa 8, mas o apelo de um time com um colega expulso e apenas um zagueiro o fez andar para trás (no gramado). Virou camisa 5. Oviedo, Cañar, Grecia, LDU Loja, Universidad Católica... São Paulo FC. Falei até aqui de Robert Arboleda, zagueiro rebaixado à pior pessoa do mundo pelo torcedor tricolor por um deslize. Usou a camisa do rival num dia de folga no Equador. Pegou mal.

Não pior do que todas estas situações que ele mesmo conta em um vídeo no canal do SPFC no Youtube. Por trás da casca de um boleiro sempre há uma trajetória, esquecida em meio à máquina trituradora de carnes do mundo da bola. Ainda mais quando o tropeço envolve uma camisa odiada. Somos torcedores cruéis (aqui e em qualquer lugar do mundo); queremos vitórias e lealdade absoluta, como a nossa, ao time do coração. Raiva de apaixonados.

Como seria bom se respeitássemos mais os humanos que vestem os uniformes de nossos times. Vendo Arboleda ser ofendido por parte da torcida no Morumbi na primeira partida do ano me fez pensar no que ele deve ter pensado. Maior que o erro é sua entrega ao time jogo após jogo, menor que a sua história a histeria de quem não aceita o vacilo, exigindo uma perfeição que não se é capaz de viver. Pena.

Qualquer que seja a camisa, o contrato ou o jogo, o caminho deste equatoriano sorridente e otimista está escrito em letras fortes, com uma tinta que nenhum xingamento é capaz de apagar.

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