Juan Manuel Fangio

Pentacampeão mundial de Fórmula 1
por Marcos Júnior Micheletti
 
Juan Manuel Fangio, pentacampeão mundial de Fórmula 1 faleceu em 17 de julho de 1995, aos 84 anos, vítima de insuficiência renal, em decorrência de uma broncopneumonia.
 
Argentino, natural da cidade de Balcarce, Fangio nasceu em 24 de junho de 1911 e seus primeiros contatos com automóveis foram aos 12 anos, trabalhando em uma oficina mecânica, como aprendiz.
 
No automobilismo estreou aos 17 anos, pilotando um Ford-T. Felizmente o resultado dessa primeira corrida não o desanimou, uma vez que ele chegou em último.
 
Seu físico em nada assemelhava-se aos pilotos atuais da Fórmula 1. Pernas arqueadas, que lhe valeram o apelido de "El Chueco" (pernas tortas) e com uma proeminente barriga vencia as barreiras de seu corpo com uma resistência incomparável, "domando" aqueles carros com pneus estreitos e volantes enormes com uma destreza ímpar.
 
Oficialmente começou a competir em provas internas na Argentina, aos 23 anos nos perigosos circuitos portenhos na categoria Turismo de Estrada, vencendo provas importantes, como as Mil Milhas Argentinas, em 1939 e a prova de resistência de Buenos Aires-Lima, em1940. Tornou-se nacionalmente conhecido em seu país com o bicampeonato nacional da Argentina, em 1940 e 1941.
 
O período da Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945) adiou o desejo do piloto correr na Europa, que só foi possível em 1947, patrocinado pelo governo de Juan Domingo Perón.. Em 1949 venceu sua primeira prova internacional, em Mar del Plata .
 
O primeiro ano da história da Fórmula 1 foi em 1950 e Fangio, aos 38 anos, era um dos pilotos da Alfa-Romeo, que foi soberana naquela temporada, ao lado Giuseppe Farina e Luigi Fagioli.
 
Fangio terminou o ano como vice-campeão, com 27 pontos, três a menos que Farina e três a mais que Fagioli.
Em 1951, ainda na Alfa-Romeo, Fangio conquistou seu primeiro título mundial, derrotando o vice, Alberto Ascari, da Ferrari com nove pontos de vantagem. Clique aqui e veja matéria especial publicada no Portal Terceiro Tempo sobre o primeiro título de Fangio na F1.
 
Em 1952, Fangio não disputou a temporada, devido a um gravíssimo acidente que sofreu em um treino no circuito de Monza. Ele perdeu o controle de sua Maserati e foi arremessado para fora do carro. Foram 40 dias de internação hospitalar e mais cinco meses com pescoço e coluna imobilizados.
 
Como piloto da Maserati, Fangio foi o vice-campeão de 1953, superado por Alberto Ascari (que também fora o campeão do ano anterior).
 
Em 1954, chegou ao seu segundo título com 42 pontos contra 25 de seu compatriota José Froilan Gonzáles, da Ferrari, vencendo duas provas pela Maserati (Buenos Aires e Spa-Francorchamps-Bélgica) e quatro pelas "flechas de prata" da Mercedes Benz (Reims-França, Nurburgring-Alemanha, Bremgarten-Suíça e Monza-Itália).

O ano de 1955 marcou o último da Mercedes nas pistas até o seu retorno em 2010, quando a montadora alemã adquiriu a equipe Brawn-GP. Um acidente em Le Mans, que vitimou 84 espectadores e um piloto levou a Mercedes abandonar a categoria, mas mesmo assim Fangio novamente foi soberano, com quase o dobro de pontos de seu companheiro de equipe, o inglês Stirling Moss (40 a 23).
 
Em 1956, Stirling Moss (Maserati) e Peter Collins (Ferrari) disputaram acirradamente o campeonato com Fangio, que estreava pela Ferrari.
O argentino foi campeão novamente, com 30 pontos, três a mais que Moss e cinco a mais que Collins.
 
Chegou ao pentacampeonato de Fórmula 1 em 1957, seu ano de retorno para a Maserati, novamente derrotando Moss, agora piloto da Vanwall, mas com grande vantagem de pontos (40 a 25), mesmo com um carro nitidamente inferior aos concorrentes mais diretos (Ferrari e Vanwall).
 
Encerrou sua carreira em 1958, após o Grande Prêmio da França, no circuito de Reims, guiando uma  Maserati. Naquele ano pontuou apenas no Grande Prêmio da Argentina, com sua quarta colocação e terminou o campeonato em 14º lugar.
 
A desistência do piloto pode ser apregoada a dois motivos principais: a idade (Fangio estava com 47 anos, uma idade bastante avançada para os carros cada vez mais exigentes de preparo físico dos pilotos e a entrada de investimentos cada vez maiores, que determinavam os fornecedores de peças para as equipes).
 
Ainda em 1958, foi seqüestrado por guerrilheiros cubanos, partidários de Fidel Castro quando foi convidado pelo governo de Cuba para a disputa de uma corrida.
 
A ação objetivava mostrar a força do movimento revolucionário, contra Fulgêncio Batista, o ditador que governava o país. Fangio foi libertado após dois dias e sua figura era tão simpática que os seqüestradores acabaram se afeiçoando ao argentino.
 
Em uma entrevista, Fangio declarou que fazia testes para a Maseratti no circuito de Reims (França) e após algumas voltas notou que o carro estava muito instável, ao contrário do que se apresentava no ano anterior. Perguntou ao mecânico se haviam mudado alguma coisa e este lhe respondeu que trocaram a marca dos amortecedores. Fangio pediu que colocassem os antigos, mas foi avisado pelo funcionário que não poderia, pois "este fornecedor pagava para estar no carro".
 
"Percebi que o momento da Fórmula 1 era distinto, não era a mesma coisa de antes", conformou-se Fangio.
Juan Manuel Fangio foi o primeiro piloto a atingir a incrível marca de cinco títulos mundiais, superado apenas por Michael Schumacher, que venceu sete campeonatos.
 
Mas Fangio tem uma marca expressiva, que o alemão não teve, pois conquistou seus cinco títulos em quatro equipes diferentes (Alfa Romeo, Mercedes, Ferrari e Maserati). Schumacher chegou ao heptacampeonato por apenas duas equipes (Benetton em 1994 e 1995 e Ferrari (2000 a 2004).

Em uma oportunidade, Fangio fez uma bem-humorada análise da Fórmula 1:
"Ganha quem correr na frente o mais devagar possível".

Fã declarado de Ayrton Senna, Fangio, não alimentava vaidade sobre sua carreira vitoriosa e em uma entrevista deixou sua opinião sobre o piloto brasileiro:
 
"Gostaria muito que Ayrton Senna quebrasse o meu recorde. Assim eu poderia tirar um fardo das minhas costas".
O desejo de Fangio não se realizou, uma vez que no auge de sua carreira, Senna morreu em 1994, durante o Grande Prêmio de Ímola, em San Marino, com três títulos mundiais.
ABAIXO, COMERCIAL DE 2012 DA COMPANHIA PETROLÍFERA ARGENTINA YPF EM HOMENAGEM A FANGIO

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Na Fórmula 1:

Disputou 51 GPs e venceu 24. Largou na pole em 29 provas e fez a volta mais rápida em 23 corridas.

Títulos:

1951 pela Alfa Romeo
1954 e 1955 pela Mercedes Benz
1956 (pela Ferrari)
1957 pela Maserati

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