Cláudio Amantini

Ex-presidente do Noroeste
Cláudio Amantini, ex-presidente do Esporte Clube Noroeste (Bauru), morreu em 25 de julho de 2021, aos 91 anos, de causas naturais.
 
ABAIXO, UM POUCO DA TRAJETÓRIA DE AMANTINI, COM INFORMAÇÕES QUE RECEBEMOS EM 2009
 
Em 20 de setembro de 2009 recebemos um e-mail de Claudinei Olegario da Cunha, com uma entrevista de Cláudio Amantini ao Jornal da Cidade de Bauru.

NOME: Claudinei Olegario da Cunha
EMAIL: claudineicunha.cunha@bol.com.br
CIDADE: São Paulo - sp
IDADE: 44
PROFISSÃO: comerciante
ASSUNTO: Claudio Amantini
MENSAGEM:
 
Olá Milton Neves:

Nesta quarta feira é o aniversário do Sr. Claudio Amantini,um dos maiores dirigentes que ja tive a oportunidade de conhecer completa 80 anos de vida. Uma história de muito amor ao Esporte Clube Noroeste e ao futebol. Entrevista da semana: Cláudio Amantini Perto de completar 80 anos, empresário lembra de sua infância e fala sobre suas paixões e alegrias.
 
A principal delas? Sua filha caçula, Claudinha, de 4 anos Gisele Hilário Viciado em pesca, apaixonado pelo Norusca Peixes. Para qualquer lado que se ande pela casa do empresário e noroestino roxo Cláudio Amantini, é o que se vê. Nas paredes - em forma de quadros e fotografias -, nas portas, inclusive as de blindex - em forma de desenho -, na piscina, no lago. Perto de completar 80 anos - na próxima quarta-feira -, Cláudio Amantini é viciado em pescaria, como ele mesmo diz. Já perdeu as contas de quantas vezes foi pescar. Herança do pai, que deu a ele, aos 6 anos, uma enxada e uma peneira - "para pegar gosto pela ?lida? e pela pesca desde cedo?, lembra. Na "briga? com os peixes na lista de preferências de Amantini, o Noroeste.
 
É paixão pura, que nasceu quando Amantini ainda era menino. Ele tinha até "passagem secreta? para entrar no estádio - ainda na rua Quintino Bocaiúva - nos dias de jogo, já que criança não podia entrar pelas vias "normais?. Hoje, Cláudio Amantini muda até o timbre de voz e os olhos ganham um brilho diferente - às vezes emocionado - quando fala do Noroeste, "time que faz a gente sofrer?. Só uma coisa derruba por nocaute, no primeiro golpe, a pescaria e o Noroeste da incondicional lista de preferências de Amantini: a pequena Claudinha, 4 anos, sua filha mais nova. "Ela tira o meu fôlego?. Jornal da Cidade - O senhor não é bauruense? Cláudio Amantini - Nasci em Itapuí. Vim para cá com 7 anos, para trabalhar. Eu morava em Itapuí. Meu pai tinha umas terras lá, trabalhava com café. Mas com a crise do café, tivemos de vir para Bauru. Isso em 1935 ou 36. Meu pai era marceneiro também e começou a trabalhar aqui. Eu e meu irmão Deodato começamos a engraxar sapato, carregar sacola na feira. JC - Foi uma infância difícil? Amatini - Muito difícil. Minha irmã teve úlcera de Bauru. Foi terrível. Meu pai teve um acidente de trabalho, precisou ficar sem trabalhar e tivemos de começar a trabalhar muito cedo. Na nossa infância, quando mais precisamos dele, ele nos faltou. JC - Foi nesse tempo que começou sua história na Noroeste do Brasil? Amantini - Eu era engraxate lá no edifício Abelha (na rua Primeiro de Agosto), era jornaleiro, carregava sacola na feira, mala na estação ferroviária. Mas minha história na Noroeste é comprida. Eu tinha de 14 para 15 anos e sempre quis ser o melhor em tudo o que fiz.
 
O melhor engraxate, o melhor jornaleiro, o melhor carregador de mala. Na estação, até tinha uma turma que trabalhava comigo carregando mala. E levava "correiada? dos carregadores. JC - Por quê? Amantini - Eu era criança. E a estação tinha os carregadores contratados. A gente ficava lá de olho. Quando escapava alguém dos carregadores, a gente chegava e fazia o trabalho por uns trocados. Tinha o Ponciano Ferreira, que ficava de olho, porque a gente, como criança, não podia trabalhar. Certo dia, um jornaleiro do trem, Domingos Macegosa, não apareceu. E os jornais, naquela época, eram entregues de Bauru até Corumbá, dentro do trem. E naquela dia, com a falta do jornaleiro, Dalmo olhou para o Salomão Gantos e disse: "Aquele menino pode nos socorrer?. Eu estava com uma calça cáqui, da cor do uniforme do jornaleiro que até tinha ganhado de algum funcionário da Noroeste, que não me lembro o nome. E, resultado: me levaram para o Ponciano, que cuidava também do uniforme do pessoal que trabalha no trem, eu fui paramentado e me puseram no trem. E o Domingos me disse: "Você vai seguindo até encontrar com o jornaleiro?.
 
E eu acabei indo até Porto Esperança. E vendi tudo o que tinha. Lá, estavam construindo a ponte sobre o Rio Paraguai. Isso quase em 1944. E em 46, inaugurou, mas aí eu já tinha passado para os carros-restaurantes e fui, inclusive, servir o general Gaspar Dutra, presidente na época, que veio para a inauguração. JC - O senhor lembra o que serviu para ele? Amantini - Churrasco. JC - O senhor chegou a falar com ele? Amantini - Não. Ele era um homem alto, muito calmo, mas não dava para chegar até ele. Tinha muito gente. JC - Quanto tempo o senhor trabalhou na ferrovia? Amantini - Eu me aposentei na ferrovia. Era jornaleiro de trem, passei para ser agenciador de carro restaurante e fui assumindo funções. E depois de aposentado, fiquei como concessionário dos carros-restaurantes. Posso dizer, sem medo de errar, que trabalhei minha vida toda na Noroeste. JC - E veio dessas idas e vindas para o Pantanal seu conhecido gosto pela pescaria? Amantini - Não. Isso é paixão antiga.


No sítio, desde cedo, o pai dá para o menino uma enxada e uma peneira. A enxada que é para ir tomando gosto pelo trabalho. E a peneira, para ir tomando gosto pela pescaria. Ganhei minha enxada e minha peneira quando tinha 6 anos. Peneirei muito café e peguei muita pirambóia. JC - Quantas vezes o senhor já foi pescar? Amantini - Vixe! Perdi a conta. JC - O senhor gosta tanto assim de pescar? Amantini - Pelo amor de Deus! É um vício! Vem aqui ver uma coisa... (o entrevistado leva a jornalista, acompanhada do repórter fotográfico Malavolta Jr., para a área de lazer da casa dele e mostra, orgulhoso, um lago cheio de carpas coloridas - mais de 20 - e fotos, muitas fotos, das diversas pescarias que fez com os filhos e netos ao longo de vários anos). Cuido delas todos os dias. Quando vou chegando, bato na vasilha da ração e elas vêm todas. Comem na minha mão. JC - O senhor ainda pesca muito? Amantini - Oooô! Tenho um rancho no Pantanal. Vou sempre. Costumo dizer que eu sou o morador mais velho de Porto Esperança, lá no Pantanal. Eu estou lá desde 1955, por aí.
 
Pena que as coisas mudaram muito. Quando comecei ir para o Pantanal, não tinha tanta degradação como agora. Agora, tem muito defensivo, muita cinza de queimadas. Não se encontra mais tantos peixes, dourado, pintado. A única coisa que não acaba é a piranha. Era preciso fazer um estudo para ver como evitar que o fertilizante chegasse até o rio. JC - Mas pescar é muito chato, seo Amantini, muito parado, a hora não passa. A gente fica lá e o peixe não belisca, é muito chato... Amantini - Você não sabe o que está falando... Quando você está pescando, não está pensando em nada. E mais, numa pescaria todo mundo é igual, ninguém é melhor que ninguém. Um tira sarro do outro porque pega o peixe, porque não pega, porque deixa escapar... É um vício gostoso, ninguém arruma briga com ninguém. Eu recomendo para todo mundo. Você precisa começar, viu? JC - E depois da pescaria, qual seu vício? Amantini - O Noroeste é paixão. O Noroeste é loucura. O Noroeste faz a gente sofrer.
 
Nem queira saber. JC - E como começou essa paixão? Amantini - Quando eu era menino, carpimos um campinho ao lado do campo do Noroeste, lá na Quintino Bocaiúva, ainda. E eu abri um buraco e coloquei mato. Quando tinha jogo do Noroeste, a gente tirava o mato e entrava, porque não podia entrar criança. Então, o Noroeste faz parte da minha vida desde menino. Quando era jornaleiro de trem e chegava de viagem, ia jogar bola lá perto do campo do Noroeste. E não foi só a estação e a ferrovia que me trouxe para o Noroeste. O Amélio, goleiro do Noroeste, veio de Itapuí. JC - Nesse período noroestino, o que mais marcou o senhor? Amantini - Várias coisas me marcaram no Noroeste. Em 1970, quando assumi a presidência, o time estava numa situação muito ruim, com pagamento atrasado. Minha posse foi no Automóvel Club. Fiz um discurso emocionante, tremia mais que vara verde. Mas comecei a falar, falar... E quando terminou, todo mundo bateu palma. E eu montei o time.
 
O primeiro jogador que comprei foi o Marco Antônio, volante do Linense, que acabava com a gente. E assim foi. E o Noroeste vinha disputando o campeonato, perdia, empatava... Gualberto Pires de Camargo, que era fisicultor, ia segurando o apito. Um dia, apareceu o Muca, na plataforma da estação, para conversar comigo. Disse que o time era bom e queria ser o treinador dele. JC - E o negócio foi fechado. Amantini - Eu levei o Muca lá para falar com o Gualberto.
 
E na hora ele disse: "Mais um para ajudar, presidente?. E o Muca não quis assinar contrato, não quis dinheiro. Só me levou numa loja de automóveis na rua Ezequiel Ramos e me mostrou um carro amarelo, lindo, que não me lembro a marca agora. Ele disse que ia fazer o Noroeste subir e queria apenas o carro como pagamento. JC - E o Noroeste subiu. Amantini - Não perdemos mais jogo. Até que chegamos na final junto com Corintinha de Prudente, que tinha um timaço; Bragantino e Nacional. E fomos para a disputa. No primeiro jogo, com o Bragantino, no Parque Antártica, em São Paulo, de cara o Bragantino fez um gol. O Ramos, nosso centroavante, empatou e fez o segundo. Ganhamos de 2 a 1.
 
O Nacional ganhou do Corintinha. Na final, Noroeste e Nacional, no dia 22 de setembro, véspera do meu aniversário. Os jogadores entraram em campo. Odair Colonha fez 1 a 0 para o Noroeste. Eu estava no banco, rezando com a nossa santa, Nossa Senhora Aparecida, e o Barnabé empatou. E vai bola na trave, e vai... E terminou empatado. A Federação marcou outro jogo para 48 horas depois. No dia da finalíssima, aos 31 minutos do primeiro tempo, Fedato marcou de cabeça e foi assim até o final. E o Noroeste subiu. Foi a maior festa. Foi um negócio cabuloso! JC - E como senhor conseguiu conciliar tudo isso com o homem empresário? Amantini - Encaminhei meus filhos, estou incentivando meus netos. Até hoje, vou de manhã na Amantini, assino o que preciso assinar e quando eles precisam, estou aqui. O que fiz, foi pensando nos meus filhos. JC -
 
O senhor tem uma menina pequena, não é? Amantini - Claudinha. É só amor, só alegria. Tira todo o meu fôlego. Graças a Deus, tenho uma família maravilhosa. JC - O senhor se sente um homem realizado? Amantini - Completamente. Não posso pedir nada. Deus me deu tudo. Não tem JC - Ainda tem alguma coisa que o senhor pretende fazer e não fez? Amantini - Meus filhos sabem que eu quero trabalhar. Não quero tirar o espaço dos meus filhos, mas tenho um projeto, pode apostar que eu tenho, mas não vou revelar 

Claudinei Olegário
 
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