Há anos "blindado" pela seleção, é impossível saber qual é a atual fase de Tite. Foto: CBF

Há anos "blindado" pela seleção, é impossível saber qual é a atual fase de Tite. Foto: CBF

Lembro-me muito bem quando, em 2010, o Corinthians, percebendo que Adilson Batista não tinha emplacado no Parque São Jorge, decidiu apostar em Tite para o comando de sua equipe. O técnico, que à época trabalhava nos Emirados Árabes Unidos, foi a segunda opção da diretoria alvinegra, que tentou, dias antes, convencer Carlos Alberto Parreira a desistir de sua aposentadoria. 

Tite, até então, era considerado um técnico de segundo escalão no futebol brasileiro. Mesmo tendo vencido a Sul-Americana dois anos antes com o Internacional, a contratação do treinador pelo Corinthians, que vivia momentos de vacas gordas e que poderia buscar um nome mais expressivo, foi extremamente contestada. 

Depois disso, vocês se lembram bem do que aconteceu. Tite fracassou naquele mesmo Brasileirão de 2010, na Pré-Libertadores de 2011 e, posteriormente, marcou época. Conduziu o Timão aos maiores títulos de sua história em 2012 e, de volta em 2015, ainda conquistou brilhantemente mais um Brasileirão antes de ser chamado para substituir Dunga na seleção brasileira. 

Daí em diante, fica muito difícil de classificar as fases vividas pelo treinador gaúcho. Ele foi brilhante nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. No entanto, deixou má impressão no Mundial da Rússia, ao tomar enorme banho tático do espanhol Roberto Martínez, que ainda treina a Bélgica. 

Por isso é impossível responder ao questinamento da manchete. Enquanto estiver blindado pela seleção, com jogos a cada dois, três, quatro ou cinco meses, não teremos a exata noção da fase vivida por Tite. 

Para exemplo de comparação, quando Adenor Leonardo Bachi estava brilhando no Corinthians, os técnicos do momento no Brasil, além dele, eram Cuca e Marcelo Oliveira, que foi bi do Brasileirão com o Cruzeiro em 2013 e em 2014. De lá para cá, Cuca viveu enorme montanha russa em sua carreira, tendo momentos geniais e outros de ostracismo, enquanto Marcelo Oliveira hoje encontra dificuldades de arrumar emprego até mesmo em clubes da Série B. 

Por isso, após a Copa de 2022, quando acredito que Tite se despedirá da seleção brasileira, se eu fosse dirigente de um clube de ponta do país, não apostaria na sua contratação. Afinal, seria uma aquisição cara - e justamente, já que ele conta com a grife de ter comandado a seleção nos últimos anos - e com pouquíssima certeza de retorno. 

E acredito que este será o maior desafio da carreira de Tite: provar que ainda pode ser considerado um técnico de ponta depois de tantos anos “escondido" e “blindado" pela seleção brasileira. 

 

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