O jornalista Humberto Peron é dos poucos que pode falar sobre goleiros e diferenciar o palpiteiro do comentarista

O jornalista Humberto Peron é dos poucos que pode falar sobre goleiros e diferenciar o palpiteiro do comentarista

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Poucos são especialistas em goleiros na imprensa brasileira, como Humberto Peron. Ele escreveu por mais de 10 anos na Folha on line sobre a posição e também no Diário Esportivo Lance. Hoje é editor da Revista Monet e sabe diferenciar o palpiteiro do comentarista na imprensa esportiva. 

 

 

Terceiro Tempo - A imprensa esportiva sabe o que fala e o que escreve ?

 Humberto Peron - Sim. Não faz muito tempo, esporte e polícia era a chance de um jornalista começar a trabalhar em um jornal, rádio e televisão. Já nos últimos anos tem trabalhado com esporte quem realmente gosta. Só acho que esses profissionais que gostam precisam ser mais ecléticos, ou seja, se gostam de tática, que comentem sobre tática mas não fiquem o tempo todo tentando levar o comentário para isso. Assim como falar do passado, torcida, números, vida pessoal dos jogadores. Também o que sinto falta e tento sempre passar é a razão do que está acontecendo. Ou seja, temos muita descrição e muito pouca explicação.

  

Terceiro Tempo - As opiniões dos profissionais no jornalismo esportivo sobre goleiros há incoerências? E se existem, quais foram as maiores incongruências que você ouviu ou leu?

 Humberto Peron - Não só sobre goleiros, mas em com todas as posições. Mas como você me perguntou sobre goleiros vamos lá. Ainda se analisam muito pelo goleiro que faz a defesa - ou leva o gol. No mesmo jogo temos lances iguais e tratamentos bem distintos. Parece que todos os gols que determinado goleiro leva deve ser tratado como frango, nem que para isso seja preciso "discutir" com a imagem. Existe o outro lado também qualquer "defesa" para alguns goleiros é sempre considerado frango. Não aprovo quando a imprensa classifica um goleiro como frangueiro . Ele pode ter tomado um frango, mas são coisas bem diferentes. Recebi uma sugestão sutil que deveria chamar goleiros de frangueiros para chamar mais atenção para a minha coluna. Não poderia e nem posso fazer isso gratuitamente. Perceba o funil que um cara passa para ser goleiro de um time grande e da seleção não há como chamar um cara desse de frangueiro, mas lógico se falhar deve ser criticado.

  

Terceiro Tempo - O que as pessoas deve se ater ao analisar um goleiro?

 Humberto Peron - Basicamente a sua colocação no momento do chute. Tem muito goleiro que já está vendido antes do atacante finalizar. Aí depois tem a movimentação das pernas, velocidade de reação, movimentos dos braços e das mãos. Importante também não se impressionar com grandes saltos, na maioria das vezes as defesas mais difíceis são feitas sem ser preciso um salto fotográfico.

 Terceiro Tempo - Como os "guarda metas" são avaliados pelos olhos da imprensa de "ontem" e "hoje" ?

 Humberto Peron - O goleiro sempre é classificado como vilão ou herói - os arqueiros choram muito, mas eles são tidos como heróis várias vezes. A diferença entre ontem e hoje está no fato que no passado o goleiro era considerado muito mais culpado por um derrota do que hoje. Atualmente os goleiros são bem mais "santificados" do que no passado

  

Terceiro Tempo - Quais são as vantagens e também desvantagens para o telespectador, o ouvinte, o leitor e também para os internautas nos "olhares" dos ex-atletas na mídia esportiva?

 Humberto Peron - No lado tático acho que é muito pouco. Mas os ex-jogadores conseguem passar muito do que acontece no lado técnico e que sente um jogador numa partida. Um pena que a maioria deles pouco falam disso numa partida. Por ter jogado eles poderiam falar mais das qualidades e defeitos dos jogadores, sentir qual atleta está nervoso ou a reação que um jogador pode ter no campo. Não consigo nenhum jogador conseguir passar para o público o que é estar dentro de um campo, jogando um clássico, por exemplo. Seria muito bom isso.

 Terceiro Tempo - O crivo da imprensa em coberturas diárias do esporte no Brasil é feita por qual "mão": a da reflexão ou por julgamentos arraigados pelo imediatismo?

 Humberto Peron - Com o advento da internet ficou muito mais pelo imediatismo. É uma loucura a quantidades de notícias que são publicadas sempre tentando transformar alguém em craque. Me choca muitas vezes abrir a home de um portal, ir para a página de esporte e não ver um notícia sobre futebol. Você vê o carro de um jogador, os tatuagens de um atleta, o ensaio erótico da mulher de um deles, a bunda da musa de um determinado clube, mas não vê notícia do jogo. Seria bom também ter mais reflexão e análise sinto falta disso. Aliás análise está cada vez em falta, hoje por exemplo os comentaristas têm muito menos tempo para falar.

 Terceiro Tempo - Há diferenças na cobertura esportiva entre sul-americanos e europeus?Qual é a melhor ?

 Humberto Peron - Não vejo muita diferença. Nos dois lados temos "torcedores" fanáticos informando e comentando - isso você vê nos jornais espanhóis e italianos, por exemplo, a cada rodada. O que eu vejo de interessante lá fora são pautas mais elaboradas e entrevistas melhores. Talvez acontece uma divisão melhor entre o "jogo" e o "entretenimento", coisa que não existe por aqui, como disse na resposta anterior. Também há questão do dinheiro, algumas vezes para fazer um boa matéria é preciso grana para você deixar um repórter - ou uma equipe - apurando o tema por um bom tempo e por aí vai. No Brasil se faz poucas matérias - ou séries delas - falando da realidade do nosso futebol. Há vários temas pouco explorados.

 Terceiro Tempo - O que fazer e onde melhorar o nível do jornalista esportivo?

 Humberto Peron - Fazer com que se apure o faro jornalístico de quem está trabalhando. É incrível como a imprensa esportiva é surpreendida em diversos casos e só se toca depois que o fato acontece. Estamos chegando atrasados ao fato. Por exemplo, não é aceitável que nenhum jornalista estivesse no TJD no julgamento do Héverton e do André Santos e por aí vai. Jornalista precisa recuperar a mania de ir atrás de uma boa história, investigar e aprender ouvir nas entrelinhas.

 Terceiro Tempo - Os "gestores" ou chefes do jornalismo no país são subservientes ou vítimas dos diversos fatores que assolam a área ?

 Humberto Peron - Falando daqueles que comandam uma redação eles são vítimas e fazem muito mais do que podem com as condições que são oferecidas. É duro o cara chegar para o trabalho com o "pedido" para cortar 20% do seu orçamento.

 

 Terceiro Tempo - Como o público consumidor do noticiário esportivo pode separar o "comentarista" do "palpiteiro profissional" ?

 Humberto Peron - O comentaria explica de maneira fácil,o que está acontecendo e o que deve ocorrer nos próximos minutos. Já o palpiteiro só "acha" e adora usar a cada cinco minutos a expressão "tudo pode acontecer".

 

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