Eliminações em mata-matas geraram questionamento na equipe da Vila Belmiro

Eliminações em mata-matas geraram questionamento na equipe da Vila Belmiro

Três competições de mata-mata, três eliminações e, coincidentemente - ou não -, três quedas no estádio do Pacaembu. Restando apenas o campeonato Brasileiro para ser disputado na temporada, o Santos viveu dias de certa turbulência após a derrota para o Atlético-MG que eliminou o alvinegro praiano da Copa do Brasil e, somada ao histórico recente, fez com que parte da torcida e da crítica questionasse: o que falta ao Santos do técnico Sampaoli para finalmente deslanchar no ano?

Momentos após a eliminação diante do Galo na semana passada, o torcedor já iniciou manifestações pedindo mais honra aos jogadores que vestem a camisa do Peixe. Cobraram raça dos atletas. Nas redes sociais, a queixa era pela falta de uma liderança forte dentro do elenco. O uso do Pacaembu num jogo decisivo também foi pauta e até a ofensividade da Sampaoli foi questionada.  Entre tantos motivos, o que, de fato, é problema dentro desse Santos? O que realmente falta do time da Vila Belmiro?

Nos números, o ano santista está longe de ser ruim: são 34 jogos, 18 vitórias, 8 empates e 8 derrotas (até o momento da publicação desse texto); 53 gols marcados, 29 gols sofridos. No desempenho, o time está muito acima do que se esperava: ofensivo, com posse de bola na maior parte de seus jogos, agressivo diante de qualquer rival, time muitas variações táticas. Ainda assim, há quem questione: por que a equipe falha, então, na hora H? De fato falhou: vexame ao ser eliminado pelo River Plate-URU na Copa Sul-americana, queda no Paulista diante do Corinthians - embora pelo desempenho o time tenha merecido avançar -, e a já citada eliminação na Copa do Brasil diante do Atlético – isso sem citar uma dolorida derrota para o Palmeiras, rival direto na briga pelo topo da tabela do Brasileirão. Mas o que há de anormal na trajetória santista até aqui?

Com exceção da eliminação na Sul-americana, não há nenhum absurdo na campanha do Peixe em 2019. Ainda assim, é natural buscar explicações para cada revés, ainda mais quando ele resulta em eliminação ou perda de um título.

Falta honra aos atletas? Os jogadores podem entregar mais raça e dedicação nas partidas? Difícil afirmar que esses sãos os elementos decisivos no direcionamento do futuro santista nas competições. A aplicação tática, técnica e física dos jogadores alvinegros é algo invejável. O Santos de fato joga suas partidas até o último segundo, estando a frente ou atrás no placar. Sempre em busca do gol, aplicando o perde-recupera imposto por Sampaoli até o apito final.

Falta uma liderança dentro do elenco para chacoalhar e guiar o time nos momentos decisivos? Esse é tema para boas discussões e pode até faltar essa figura. Vitor Ferraz, embora capitão, não tem esse perfil. Mas esse fator seria determinante para que o Peixe se mantivesse vivo nas competições em que caiu? Talvez esse fosse um elemento decisivo se o item citado anteriormente se confirmasse: no caso de um time apático, que não se entrega de fato, a figura do líder forte poderia tirar algo a mais de seus companheiros. Não é o caso.

O Pacaembu foi decisivo negativamente para o insucesso alvinegro nos mata-matas? Se fosse na Vila Belmiro a história seria diferente? Esse talvez seja o argumento mais válido nessa discussão. O Santos realmente é mais forte jogando em Santos. Atletas e ex-atletas já cansaram de destacar a dificuldade que a Vila impõe aos rivais. O argumento do presidente Jose Carlos Peres, que diz “um grande time ganha em qualquer lugar”, não é equivocado, mas se você tem um trunfo a seu favor, por que não utilizá-lo? Ainda assim, é justo dizer que a diretoria santista tentou mudar o local do jogo contra o Atlético para jogar na Vila e, por conta de um capricho da CBF, não teve êxito – já nos confrontos contra o River e contra o Corinthians, a Vila ainda passava por reformas, logo, estava interditada e jogar no Pacaembu foi opção única. Jogar em Santos garantiria sucesso? Não. Mas de fato poderia ajudar.

Se de todos os questionamentos citados por torcida e mídia, nenhum parece exatamente decisivo para explicar as quedas santistas, o que realmente parece faltar aos comandados de Sampaoli? A resposta é simples: tempo! Falta tempo ao Santos.

Embora o desempenho esteja acima do esperado, o Santos apostou no “caminho mais difícil”. Jogar com a bola, impor seu jogo sobre o do adversário e ser ofensivo definitivamente não é o mais fácil, ainda mais quando seu elenco está longe de ser um dos melhores do país. O “Sampaolismo” prega o jogo pra frente, a busca pelo gol, o “amor pelo balón”, como o próprio diz.Sampaoli admite: não sabe jogar de outro jeito, o futebol, a seu ver, se joga assim. Implantar essas ideias foi a primeira parte e nisso o técnico argentino teve sucesso. As oscilações são naturais. O próximo passo é o aperfeiçoamento das ideias e a inclusão de novos conceitos. Tempo. Tudo isso demanda tempo.

Foi o que Jurgen Klopp precisou para levar o Liverpool a uma campanha histórica no campeonato inglês – mesmo que tenha terminado em segundo lugar – e ao título da Champions League: tempo. O futebol brasileiro não é acostumado com projetos a longo prazo. Santos e Sampaoli talvez mudem esse cenário. É inevitável imaginar que o Peixe, mantendo o trabalho do argentino, estará ainda mais forte em 2020.

 

Foto: Santos/Divulgação

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