Pelé na final do Mundial do México, contra a Itália

Pelé na final do Mundial do México, contra a Itália

Escrevi aqui no Terceiro Tempo, portal de notícias do Milton Neves, que Pelé não estava no auge de sua magistral carreira na Copa de 70, a do tricampeonato mundial da Seleção Brasileira. E não estava. Admito que o México e o mundo do futebol viram o cidadão Edson Arantes do Nascimento no ápice de sua maturidade. Mas o Pelé, atleta, já Rei do Futebol, estava em visível declínio físico.

Normal, aqui não é uma crítica. Trata-se de uma constatação. Aos 29 anos, e numa época em que a carreira de jogador de futebol, ou de qualquer atleta de outra modalidade, tinha vida esportiva curta, normalmente não chegava aos 30 anos, não é de se admirar que Pelé já estivesse no ocaso de sua caminhada nos gramados.

E como atleta, de qualquer esporte, necessita, e muito, de uma boa condição física para tornar fácil a fluidez de sua capacidade técnica, digo, sim, que quem só viu Pelé no mundial do México não viu o melhor de Pelé.

Os lances que protagonizou na competição confirmam a assertiva, contestada por muita gente do futebol, jornalistas, jogadores e ex-jogadores, nestes últimos dias.

Pelé foi o rei das assistências em 70. Como um requintado garçom, serviu Jairzinho, Rivellino, Carlos Alberto Torres... Deu poucas arrancadas rumo ao gol do adversário.

A facilidade que tinha para furar defesas adversárias em alta velocidade, mudando constantemente de posição, que era uma das suas maiores virtudes quando a sua condição atlética era inquestionável, pouco foi vista no México/70.

Pelé, um fenômeno de vitalidade física, foi um jogador cerebral nos gramados mexicanos.

‘Ele’, era assim que o narrador esportivo Walter Abrão o chamava nas décadas de 1960 e 1970, tinha plena consciência de que, na copa, não era mais o jogador de explosão física, que havia sido, de, digamos, 1957 a 1965, 1966.

E olha que, para ostentar a condição física que mostrou no México, Pelé teve de treinar muito. Sabia que seria a sua última Copa do Mundo. Afinal, ainda não havia conseguido disputar um mundial do início ao fim.

Em 1958, no primeiro título conquistado pelo Brasil, ele só entrou no terceiro jogo, contra a União Soviética. No Chile, em 1962, sofreu uma lesão no segundo jogo, contra a Thecoslováquia, e não jogu mais. Na Inglaterra, em 1966, foi caçado em campo, principalmente no embate diante dos portugueses, que eliminaram o Brasil ainda na primeira fase da competição.

O México era a sua última chance.

Em 1969, um ano antes da copa, Pelé se arrastou pelos gramados. Foi muito criticado pela sua má condição física. Teve em João Saldanha, técnico do Brasil nas Eliminatórias Sul Americanas para a copa, um de seus críticos mais contundentes.

Saldanha dizia que Pelé estava fora de forma por causa dos inúmeros compromissos que tinha no Santos e também na seleção. O Santos vivia das cotas de jogos amistosos que tinha de fazer pelos gramados do mundo, com Pelé à frente.

Saldanha, o ‘João sem medo’, falou também que Pelé tinha problemas de visão, que o impedir de mostrar seu futebol, principalmente nos jogos noturnos.

Mesmo assim, sugado pelo clube e a seleção, criticado por Saldanha e parte da imprensa esportiva, Pelé foi o grande destaque do Brasil na copa. Foi eleito o melhor jogador da competição. Isto só prova a sua genialidade. Mesmo sem estar em sua melhor forma, nos presenteou com jogadas e atuações maravilhosas.

Caras leitores e caros leitores, já pensaram se estivesse em suas melhores condições atléticas? A polêmica é válida. E só serve para mostrar o quanto Pelé foi soberano. Um Rei.

 

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