Gabigol realiza testes no Flamengo. Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Gabigol realiza testes no Flamengo. Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Quem tinha um mínimo de bom senso sabia que voltar o futebol no Brasil seria uma decisão temerária. Com um protocolo único no cenário mundial, o nosso enfrentamento à doença sempre foi capenga. Isso passa pela falta de um comando central do governo, desrespeito de uma parte da população pelas regras impostas na tentativa de frear a contaminação e nossas características de país-continente.

Pois bem, com as cem mil mortes registradas no fim de semana passado, aconteceu a trágica coincidência do início do Campeonato Brasileiro e as finais de alguns estaduais.

Não bastasse o desrespeito à dor dessas milhares de famílias, ainda vimos o absurdo jogo cancelado do Goiás contra o São Paulo por causa dos dez contaminados do time goiano. Tragédia anunciada.

Nesta terça-feira(11), foi a vez do CSA anunciar mais nove contaminados, que se juntam a outros nove que haviam testado positivo na amostragem anterior, e chegamos ao absurdo número de 18 infectados em um único clube, no mesmo momento.

Se querem mesmo seguir com o circo de horrores, enquanto o país registra a macabra média de mais de mil mortos diariamente por conta da Covid-19, que pelo menos mudem o protocolo e tornem mais rígidas as medidas para se evitar o vexame da Serrinha. Além de falho, o conjunto de medidas da CBF deixa de prever uma série de situações, como a possibilidade de se cancelar um jogo sem a necessidade de se socorrer ao STJD. As poucas mudanças anunciadas pelo comitê médico da Confederação são inócuas e dúbias.

As bolhas seriam a melhor saída para contornar a situação e dar um pouco de tranquilidade ao futebol, assim como a NBA está fazendo em Orlando, nos Estados Unidos, e a Liga dos Campeões, em Lisboa, Portugal. Mas esse é um sonho distante e inalcançável para a nossa realidade.

Além do mais, a questão econômica também entra em campo e os prejuízos financeiros criados pela ausência de futebol por quase cinco meses ainda geram enormes prejuízos a toda a cadeia do mundo da bola.

Assim, seremos obrigados a conviver com este espetáculo dantesco. Enquanto milhares perdem a vida, o futebol segue sendo ópio e diversão para uma minoria que dá de ombros para a dor do próximo. Até o dia em que essa dor bater à sua porta.

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