Figuras históricas do Tricolor montam “colegiado celeste” para salvar o clube da queda na primeira fase

Figuras históricas do Tricolor montam “colegiado celeste” para salvar o clube da queda na primeira fase

Narradores esportivos tem manias estranhas e em dia de jogos decisivos, como o de hoje, o sono é péssimo. Parece até que a gente vai jogar com calção, meia, chuteira e tudo mais. Esta madrugada eu tive horas agitadas com a cabeça já conectada a River Plate x São Paulo, que transmitiremos logo mais na BandNews FM. Missão dura para o Tricolor do Morumbi, que precisa não apenas ganhar, mas fazer muitos gols e torcer depois para outros. Aí a imaginação deu uma voada e foi parar no céu, aquele dos anjos, santos e mentores.

Sonhei que chegava lá a convite de Waldir Peres, goleiro do título brasileiro de 1977, para assistir uma grande reunião. Uma sala grande, com uma mesa oval no centro com o símbolo do São Paulo FC, cadeiras confortáveis em vermelho, branco e preto e uma galera de peso participando. Uma espécie de “Liga da Justiça” de tricolores ilustres preocupados com o futuro do time logo mais. Trouxe um banco mais modesto para o canto da sala e fiquei observando.

José Poy estava indignado. Bradava a plenos pulmões sua insatisfação com o momento do clube. “Como deixaram o SPFC chegar nesta situação? Sem rumo! Que time é esse? No meu tempo isso não aconteceria”. Acalmado por Pedro Rocha, sentou-se em seguida puxando o ar de tanta raiva. Enquanto tomava um copo d’água via Leônidas falar com sua objetividade característica. “Não tem ninguém lá para resolver o jogo hoje? Os jogadores é que precisam assumir a bronca. É o São Paulo!”.

Roberto Dias e Mário Sérgio se entreolhavam descrentes quanto ao futuro na Libertadores. E olha que, quando jogavam, o torneio nem era assim tão importante. Canhoteiro colocava o queixo entre as mãos no canto da mesa, sem forças sequer para falar. Até que Zizinho pediu a palavra e se levantou. “Gente, nós precisamos ter fé. O São Paulo é o time da fé, conhecido por isso, por acreditar até o final. Jogo é jogado e lá dentro pode acontecer tudo. Ficar aqui só criticando não vai ajudar os caras lá embaixo, poxa!”

Bélla Guttmann, técnico que descobriu Eusébio em Portugal, passava pela porta da sala entreaberta e viu o movimento. Bateu e entrou. Sorriu ao ver Rubens Minelli e Telê Santana na cabeça da mesa oval dando a palavra à turma. Quando o burburinho ficou quase incontrolável, mineiramente o mestre Telê pediu para falar. Como bicampeão da Libertadores, saberia dar as palavras finais à reunião. Um leve toque na mesa foi o suficiente para todo mundo abrir os ouvidos ao mestre.

- Senhores, eu fico muito feliz em ver a devoção de vocês até hoje ao nosso Tricolor. Realmente a situação do nosso time é muito delicada. Vencer o River lá dentro até é possível, já fizemos isso antes. Mas a classificação é mesmo quase inviável. Porém, vocês todos aqui são a prova de que o São Paulo não vive apenas da Libertadores. A maioria dos presentes aqui foram campeões nacionais ou regionais e estão no coração do torcedor, nosso maior patrimônio. Por isso, peço calma e fé a esse grupo, para que possamos, daqui de cima, iluminar jogadores, o treinador e nossa torcida querida.

Ao ouvir as palavras do mestre Telê me emocionei e vi o quanto o “amado clube brasileiro” vive não apenas dos títulos, mas dos ídolos construídos pelo amor da galera que enche o Morumbi e empurra o clube ao Olimpo do nosso futebol. Se a fase não é boa, saiba, é passageira. É o recado da turma lá de cima. E que time hein?

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