Duas décadas antes do goleiro Raul Plassman deslumbrar olhares femininos no Mineirão, com seus cabelos longos e louros como os do deus Thor e uma camisa amarela esvoaçante, um outro goleiro já amolecia corações nos gramados paulistas e cariocas dos anos 1940-1950.

Seu nome era Osvaldo, um paulista que começara atuando nas traves do Rio Branco de Americana no final da Segunda Guerra Mundial. Depois de defender o Ipiranga da capital e vestir várias vezes a camisa da seleção de São Paulo em duelos contra os cariocas, foi contratado pelo Bangu.

Ele chegou ao Rio trazendo a fama de galã e terror das mulheres, graças ao porte físico e um cabelo à base de gumex e com alguns fios de "pega-rapaz? caindo à testa. E para aumentar os arroubos e "fi-fius? das arquibancadas, um bem tratado bigodinho a la Clark Gable, o grande artista das telas de cinema naqueles anos.

Osvaldo chegou ao Rio em 1951 e logo os jogos do Bangu atraíram torcedoras, todas ávidas em contemplar aquele "Rett Butler? nacional voando nas bolas que os chutes e o vento levavam à sua baliza. Rapidamente, o humor carioca lhe batizou com apelidos: "Osvaldo Beleza?, "Osvaldo Galã? e, em definitivo, "Osvaldo Topete?.

A semelhança entre o arqueiro do time de Moça Bonita e o astro de "E o Vento Levou? era tamanha, que algumas torcedoras mais apaixonadas levavam para os estádios os cartazes de Clark Gable como louvação ao goleiro bonitão. Só para evitar confusões por parte de leitores desavisados, informo que na foto que ilustra este artigo o ator é o da esquerda.

A pinta de artista de Osvaldo Topete era tanta que chegava a ofuscar, em cada jogo do Bangu, a presença de grandes craques do futebol brasileiro daqueles tempos como Décio Esteves, Bianchini, Parada e o maravilhoso Zizinho, aquele que um garoto chamado Pelé imitava nas primeiras partidas numa certa vila de Santos.

Outro fato que a estampa de Osvaldo abafou foi sua participação na inauguração do Maracanã, em junho de 1950 (há quem diga que foi no dia 16, outros dizem 17 e o próprio personagem falou em dia 8 numa entrevista há alguns anos). Como goleiro da seleção de novos de São Paulo, ele tomou o primeiro gol do novo estádio, marcado pelo gênio Didi.

Os paulistas ganharam de virada por 3 x 1, graças ao bom desempenho do galã debaixo das traves, pegando bolas de jovens que viriam a ser grandes craques, como Carlyle, do Fluminense, Ipojucan, do Vasco, e o próprio Didi, do Botafogo. Em 1955, já casado, para a tristeza das fãs, o goleiro foi para o Santos e depois encerrou carreira na Portuguesa, ao alvorecer dos anos JK.

Na fantástica biografia de Heleno de Freitas, escrita pelo jornalista Marcos Eduardo Neves, o autor se inspirou no cartaz do filme que originou o apelido do craque, Gilda, para compor o título da obra: "Nunca houve um homem como Heleno?. Pois no tempo do gênio louco e belo houve outro atleta, que enlouqueceu mulheres até a saída de cena de Heleno.

Seu nome, Osvaldo Pisoni, o cara do topete e bigode de Clark Gable.

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