É quase um quarto da população do mundo inteiro assistindo à Copa do Mundo pela TV, só na Índia e na China!

É quase um quarto da população do mundo inteiro assistindo à Copa do Mundo pela TV, só na Índia e na China!

Então é isso: falta menos de um mês para a Copa do Mundo começar nos Estados Unidos.

E entre tantas crises em torno do futebol nesta Copa, existe uma gravíssima, que ninguém está falando.

Uma verdadeira crise que acontece nos bastidores.

É que a FIFA está travada.

Um impasse real, difícil e bem complicado de ser resolvido!

O assunto é: uma complexa negociação com a China e com a Índia.

O tema são os direitos de transmissão pela TV dos jogos da Copa do Mundo.

Você não sabia disso.

Mas "isso" é o que tem ocupado a FIFA 24 horas ao dia nos últimos meses.

O tempo está passando, e os números nos quais estamos falando, são absolutamente absurdos.

E não se trata aqui de orgulho ou política.

Não, não.

É sobre dinheiro vivo. E é muito dinheiro.

E o que acontece quando o dinheiro na mesa de negociações não é suficiente para se fechar negócios.

Porque, com o tempo voando, posso afirmar algo muito sério hoje: China e Índia NÃO terão transmissão ao vivo dos jogos da Copa do Mundo 2026.

Por enquanto, pelo menos, enquanto acontecia o fechamento desta matéria. Em 13 de Maio de 2026.

E para entender essa questão extremamente grave, vamos começar pela China.

"Mas porque grave, sem nem a China nem a Índia participam dessa Copa?", voce pode estar se perguntando

Calma.

Voltamos para a China.

Isso porque o abismo entre o que a FIFA exige pelos direitos de TV da Copa, e o que o China Media Group está disposto a pagar é absolutamente absurdo.

Na verdade, gigantesco.

A FIFA chegou à mesa, há um ano, pedindo entre 250 e 300 milhões de dólares pelos direitos de TV para China para a Copa do Mundo 2026.

Ou seja, a FIFA estava pedindo entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão pelos direitos de TV para a China.

É um valor recorde na história da China para direitos de transmissão da Copa.

É também quase o dobro do que foi cobrado pela Copa do Qatar 2022.

Em 2022, a CCTV, rede de TV estatal da China pagou 150 milhões de dólares ( aproximadamente R$ 735 milhões), pelos torneios da Rússia 2018 e do Catar 2022 juntos!

Agora a FIFA quer 250 a 300 milhões dólares....só para a Copa de 2026!

O China Media Group, representante da CCTV, olhou para esse número e disse em bom e alto tom: "nem pensar!".

O orçamento para estes direitos de TV dos chineses era de cerca de 60 a 75 milhões de dólares ( R$ 294 milhões a R$ 367 milhões).

A FIFA, ao perceber que o tempo passava e nenhum acordo era fechado, decidiu então baixar sua proposta para algo entre 130 e 150 milhões de dólares ( R$ 637 milhões e R$ 735 milhões ).

A China fez sua oferta final: pagar no máximo entre 60 e 80 milhões de dólares, ou seja não mais do que R$ 367 milhões.

Ainda assim, há uma diferença de 40 a quase 90 milhões de dólares ( R$ 196 milhões e R$ 441 milhões) entre o que a FIFA pede e o que a China quer pagar.

Nenhum dos lados, nem a FIFA nem os chineses, mudaram suas propostas: cada um dos lados foi teimoso e manteve sua oferta.

E assim, até agora, meio do mês de maio de 2026, e eis que ainda não há acordo entre FIFA e China.

Até o momento, a FIFA não aceitou. E as negociações continuam abertas.

Passamos à Índia, onde as negociações são ainda mais difíceis.

A FIFA pediu inicialmente 100 milhões de dólares pelos direitos de TV da Copa, cerca de 500 milhões de Reais.

A Reliance Disney, que é a joint venture responsável pelos direitos de transmissão no país, ofereceu nada mais do que 20 milhões de dólares ( 100 milhões de Reais).

Uma enorme diferença de 80 milhões de dólares em relação ao que a FIFA pediu.

A FIFA então se viu obrigada a reduzir sua proposta para cerca de 60 milhões de dólares ( 300 milhões de Reais).

A Reliance Disney respondeu claramente: não.

Ainda não estamos interessados pelos direitos de transmissão, por estes valores que a FIFA pede.

Para contextualizar, a Viacom18, outra empresa indiana, pagou entre 60 e 62 milhões de dólares pelos direitos de TV da Copa do Qatar 2022.

Hoje, a Reliance Disney está basicamente dizendo: "não vamos pagar mais do que se pagou da última vez."

E pior: na prática, estão oferecendo bem menos.

E é aqui que as coisas ficam realmente interessantes.

Em 2022, a China respondeu por 17,7% de todo o alcance de audiência de televisão global da Copa do Mundo!

A Índia acrescentou outros 2,9%.

Juntos, esses dois países representaram 22,6% de toda a audiência televisiva mundial!

Não é um número pequeno.

É quase um quarto da população do mundo inteiro assistindo à Copa do Mundo pela TV, só na Índia e na China!

Coisa que parece, caso não haja acordo....não se repetirá para esta Copa.

O alcance real em 2022 foi imenso, graças à audiência na China e na Índia.

A FIFA afirma que o conteúdo na TV, nas plataformas digitais e sociais da Copa do Mundo 2022 atingiu 1,16 bilhão de pessoas na China.

E outras 746 milhões de pessoas na Índia.

Isso dá mais do que 1,9 bilhão de pessoas no total, vendo ao vivo o futebol da Copa, só nestes dois países!

Mais de um quarto da população mundial em frente à TV, só na China e na Índia.

E assim, se esses dois países NÃO transmitirem a Copa 2026, estamos falando da perda concreta de cerca de 1 bilhão de telespectadores, no mínimo, em todo o mundo.

Um recorde histórico negativo, caso aconteça.

Para se ter uma noção, a Copa do Mundo 2022 atingiu 2,87 bilhões de pessoas na televisão, em audiência em todo o mundo.

Sem China e Índia, esse número cai para cerca de 2 bilhões.

É um golpe enorme, para a FIFA, para seus patrocinadores, e para a indústria do futebol em geral.

E aí...A FIFA terá como chamar a Copa do Mundo de 2026 de "evento global", se Índia e China ficarem de fora da audiência televisiva?

Mas o que está acontecendo?

E por que as emissoras chinesas e indianas estão dizendo não?

Na China, a seleção masculina de futebol não se classificou para nenhuma das últimas seis Copas do Mundo.

Não há mais interesse local, também. E isso porque o futebol doméstico foi gravemente afetado por suspeitas de suborno.

O dinheiro que existia em abundância, já não chega dos cofres do governo, que luta contra a corrupção.

Além disso, cerca de 70% dos jogos acontecem quando são as primeiras horas da madrugada em Pequim.

Isso destrói completamente o horário nobre e o valor publicitário local.

Assim, a China aceita pagar bem pouco. Se a FIFA quiser, que aceite. Senão....a FIFA fica sem China nesta Copa do Mundo.

Por outro lado, na Índia o críquete é o esporte-rei.

O futebol não mexe ainda com os corações dos jovens indianos.

O críquete é uma paixão de verdade no país.

O futebol bem que tentou Até Zico e o lateral Roberto Carlos passaram por lá.

Mas o dinheiro acabou. O investimento nao é mais rentável.

Os orçamentos são apertados e o retorno sobre o investimento não faz sentido há pelo menos 5 anos.

Porque pagar por algo que não dá retorno, dizem os indianos.

A FIFA argumenta que a Copa do Mundo 2026 é maior do que nunca.

Que há mais jogos.

Que são 104 partidas ao invés de só 64, como era no Qatar em 2022.

A FIFA diz que são 39 dias de torneio, em vez de 28 dias, como nas últimas Copas.

E que são 16 cidades-sede ao invés de 12.

A FIFA explica a indianos e chineses que os custos operacionais aumentaram.

Mas as emissoras dos dois países estão dizendo claramente: "isso não nos interessa. Nosso público local não se importa. Nossa receita publicitária não vai justificar o dinheiro que gastaremos".

E assim chegamos ao final da segunda semana de maio de 2026.

Nunca antes os dois países mais populosos do planeta ficaram de fora, sem acordos de direitos de TV assinados para uma Copa do Mundo.

A Copa está prestes a começar e os dois países mais populosos da Terra podem não conseguir assisti-la ao vivo pela televisão.

Mas as negociações ainda estão acontecendo.

A FIFA não desiste.

E a FIFA diz que tudo o que está acontecendo é confidencial.

Mas a realidade é simples: ou a FIFA entende a realidade e aceita ofertas menores, ou China e Índia ficarão de fora das transmissões ao vivo da Copa do Mundo.

Não há meio-termo e não há concessão.

Chineses e indianos são bons negociadores. Não tem pressa. É a FIFA que corre atrás do relógio.

E se o acordo não for assinado nas próximas três semanas, a Copa do Mundo 2026 será a primeira na história moderna em que um quarto da população mundial não poderá assisti-la ao vivo.

Isso não é apenas um problema para os torcedores da Índia e da China: significa que a FIFA perde uma receita enorme.

Significa que os patrocinadores recebem menos valor.

Significa que o maior evento esportivo da Terra se torna muito menor.

Mas, acima de tudo, significa que um perigo surge no mercado: nos próximos eventos da FIFA, outros países poderão negociar com dureza, com o objetivo de forçar a queda dos preços pedidos pela FIFA.

É...a maior Copa do Mundo da história parece estar trazendo os problemas maiores da história...

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