Torcedor sofre também no Metrô lotado, na padaria...

Torcedor sofre também no Metrô lotado, na padaria...

Futebol não é só um jogo. É a própria vida. Está presente no metrô, na padaria, no dia a dia. Pensando nisso, todo sábado publico, na coluna Caneladas do Vitão, no Agora, uma "História de Torcedor", crônica que tem o esporte como pano de fundo, cenário ou personagem secundário.

A história deste sábado, "Não existe amor na padoca", foi baseada (quase relatada) em uma história que aconteceu na semana passada comigo. 

Como a Associação Portuguesa de Desportes (que aprendi a tratar como grande e respeitar desde a minha infância, quando os jogos em que ela estava envolvido contra Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos ainda eram chamados de clássicos e o hino falava em “orgulho do esporte nacional”) completou 94 anos nesta semana (14/8/1920), aproveito para dedicar essa crônica aos meus amigos lusitanos e aos meus saudosos parentes verde-encarnados.

Este post é dedicado ao professor Mário Nunes (Que Mário? Aquele quarto-zagueiro mais técnico do que César _o beque que fez um pênalti escandaloso na semifinal do Paulistão-97 e teve a cara de pau de culpar o Castrilli_ e um dos maiores educadores e técnicos que tive); ao professor Maçã; ao falecido Affonso, brilhante professor de Ciências do ginásio, que encontrei por acaso na minha Praia Grande (a ZL com mar!), na efervescente Vila Tupi do início dos anos 90, e salvou eu, o palestrino Marcão Dino Soares e o maloqueiro Mauro Preta Sucasas: só tínhamos grana para a maria-mole e para o rabo de galo e, ele sentindo a situação dramática, convidou a gente para jantarmos com sua mulher e as filhas Areta e Aretusa;

ao amigo de infância Daniel Amarelo;

aos jornalistas e amigos Eduardo Affonso, Jorge Nicola e Vagner Magalhães; ao jornalista que admiro, embora não tenha relação de amizade, Flávio Gomes; aos amigos Luiz Carlos Duarte e Juliano Moreira, companheiros de Agora; 

à deliciosa cantora Lady Lu (musa da bunda-music e responsável por uma das melhores edições da Revista Sexy: foi ali que tive a certeza de que era destro apenas para escrever);  ao mito Roberto Leal, que me ajudou a pegar mulher na adolescência, quando eu mostrava toda a minha malemolência ao gingar o “vira” e fazer gracejos cretinos usando “arrebita, arrebita, arrebita”;

ao leitor Beri Sérgio, de Interlagos, que não conheço pessoalmente, mas mande mensagens quase semanalmente (e olha que, por razões óbvios, nem escrevo muito da Lusinha);

ao meu pai Viriato, que apesar de corinthiano, é trasmontano e foi campeão do torneio de pais do colégio defendendo a Portuguesa; à minha madrinha Irene, que não é nada, mas se dizia rubro-verde pra ficar bem na família.

E, principalmente, dedicado especialmente a vó Adélia, ao vô Damião, ao padrinho Zé Luis e ao primo Alexandre, todos torcendo, quem sabe na companhia de Dener e Enéas, em outro plano. Vamos à luta!

A coluna deste sábado, 16 de agosto, publicada originalmente na coluna Caneladas do Vitão, do jornal Agora São Paulo. A charge, brilhante, é do meu amigo Cláudio.

Não existe amor na padoca

Antes de voltar para casa, pela linha vermelha apinhada, parada obrigatória na padaria. É o roteiro, imutável, do dia a dia. Vide modelo. Há mais de 30 anos, após vencer a linha azul, na zona sul, o pai fazia o mesmo. No balcão da Shangri-lá Pães e Doces, meia-cerveja e torresmo. Programa de paulista. À época, pra viagem, era um leite “B” e seis pãezinhos. Mortadela, bem fininha, na lista. Às vezes, o pai chegava, gravata frouxa, com um cigarrinho de chocolate e um suco artificial, em uma embalagem de revolvinho, para o garotinho.


Três décadas depois, o filho já é pai e, ao desembarcar na zona leste, compra só baguete. No dia do vale, duzentos gramas de hamburguês. O nome da padaria? Deixa pra lá, coitado do freguês... No balcão, café e croquete. Saquinho de leite sumiu, não teve longa vida. Agora é de caixa, não tem letra para segregar as classes A, B e C. Para a nata, versão enriquecida de ferro; para a gordinha que não puxa ferro, opção desnatada. Qualquer marca, a mais barata. Menos aquela que patrocinou o Palmeiras. Para o filho, que é neto, e _como o vô e o pai_ também é Corinthians, lápis de chocolate.


É muita frescura. Contrastando com a calabresa vencida. Padoca 100% maloca. O ex-chapeiro, de aviso prévio, virou pizzaiolo. O patrão portuga ficou louco. Para cutucar o dono bigodudo, o trabalhador botou a mão na massa. Literalmente. Sem luva nem higiene. Na frente do cliente. Briga de trabalhador e patrão ninguém mete a colher. Nem o próprio funcionário. Que resolveu misturar o molho da pizza com a mão espalmada sobre a massa.

“Bacana, não cozinhei ovo. Prefere milho ou palmito pra compensar na Portuguesa?” Que dureza! “E a outra, de calabresa?” “Não cortei a cebola, serve alho?” “Serve é o...” Rimou. A mulher, apressada, havia pago as pizzas adiantado. “Mulher, você não sabe que apressado toma...” Não foi o caso. O português, caneta atrás da orelha, deu razão ao freguês. E devolveu a grana das pizzas. “Desculpe, voltem sempre”. Pode esperar. “Volto amanhã, igual fiado, seu...” É mais fácil acreditar em Shangri-la, na felicidade plena. Mas os gênios resolveram o problema da sociedade. Não tem mais revolvinho de suco nem cigarrinho de chocolate na cidade.

 

 

Eu sou o Vtor Guedes e tenho um nome a zelar. E zelar, claro, vem de ZL. É tudo nosso. É nóis na web!

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Foto: A foto é reprodução do Facebook do professor Mário Nunes. Nela, Mário está com o pai e o filho, três gerações de amor à Portuguesa, prova-provada que futebol faz parte da vida, faz parte da família. 


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Paixão Corintihiana

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