Seleção Brasileira de Basquete bate a Grécia, na Copa do Mundo, e mostra que é possível vencer o melhor da NBA. Foto: Divulgação/CBB

Seleção Brasileira de Basquete bate a Grécia, na Copa do Mundo, e mostra que é possível vencer o melhor da NBA. Foto: Divulgação/CBB

Quando disserem a você que algo é impossível, não acredite. Antes enxergue a situação com o olhar racional da estratégia, investigando quais ações e posturas são necessárias para que o seu objetivo se realize. O Brasil de Varejão e Leandrinho não pensou no tamanho do monstro a derrubar, apenas executou suas potencialidades com compromisso e amor. Deu certo.

Nesta manhã fria e nublada na zona sul de São Paulo, escrevo sob efeito de sedativos na sala de casa, para este Terceiro Tempo, após vibrar muito com a Seleção Brasileira…de Basquete. 

Em Nanquim, na China, o Brasil enfrentou a Grécia pela segunda rodada, da primeira fase, da Copa do Mundo FIBA, encarado como derrota certa e jogo mais complicado para nosso scratch na chave. Os helênicos tem Giannis Antetokounmpo, MVP da NBA, a melhor Liga do planeta, além de uma forte artilharia que, achávamos todos, iria impor seu jogo aos brasileiros, que terminariam como segundo no grupo e pegaria certamente os EUA na sequência. Seria o fim. Seria, mas não foi. O time de Varejão venceu por um ponto, com direito a lances de dramaticidade intensa e surpreendeu muita gente.

Para quem não acompanha Basquete, essa visão negativa sobre nossa Seleção é fruto do momento de reconstrução que vive o cenário nacional. Depois dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, quando o Brasil perdeu para a Argentina num jogo-chave e acabou eliminado prematuramente, houve um sentimento de fracasso para essa geração de Leandrinho Barbosa, Alex Garcia, Marcelinho Huertas, entre outros. O número de brasileiros e seu espaço na NBA diminuíram, a geração envelheceu e criou-se a sensação de que os grandes tempos passaram e as grandes campanhas não chegariam. Antes de o Mundial chinês começar, a ideia era passar em segundo na primeira fase, tentar escapar dos EUA e sonhar com a vaga olímpica como o segundo melhor das Américas (os estadunidenses seriam os primeiros). Nesse script não estava escrito a vitória contra os gregos, um dos melhores times do torneio.

Aleksandar Petrovic, treinador brasileiro, não entrou nessa onda, como disse Marquinhos após o jogo: “Petrovic é um cara muito positivo”. O professor colocou na cabeça dos jogadores que era possível sim parar Antetokounmpo e buscar o jogo. O primeiro quarto foi grego, mas por 4 pontos apenas; já o segundo foi mais tenso, mesmo com o Brasil sempre se mantendo no jogo com pequena desvantagem. Nos 20 minutos finais, Alex, Varejão e Leandrinho ligaram o turbo; o cabeludo (ex-Flamengo e Cavaliers) jogou o fino no ataque e na defesa. O jovem Bruno Caboclo foi um totem na defesa, pegando rebotes e parando o líder grego na marcação; até Rafa Luz, armador, foi fundamental defensivamente no primeiro combate. O Brasil minava a confiança do adversário com intensidade e vibração que há muito não era visto na nossa equipe.

O último período foi de muita tensão para nós, do outro lado da telinha; as lembranças do time que desmontava emocionalmente nos momentos de pressão apareciam na mente com muita força. O Twitter vociferava: “Não vai dar, vai entregar no final”, “Como sempre, o Brasil vai amarelar”. Rafa Luz cometeu uma falta a um minuto do final, marcação polêmica de infração antidesportiva, com dois lances livres convertidos e uma bola de três pontos na sequência. Jogo quase empatado. Mas o time seguiu focado no tempo técnico de Petrovic, que mantinha a calma e a certeza de vitória no seu discurso. Dois ataques convertidos e uma defesa monstruosa de Caboclo em cima de Antetokounmpo, que estava pendurado em faltas. Rafa Luz deixou a quadra excluído por faltas e o caldo entornou ainda mais quando o jovem Didi, na sua primeira ação, cometeu uma falta a 30 segundos num arremesso para três pontos de Sloukas. Seria o empate. Seria, pois o último lance livre não caiu e o Brasil venceu.

Quando disserem a você que algo é impossível, não acredite. Antes enxergue a situação com o olhar racional da estratégia, investigando quais ações e posturas são necessárias para que o seu objetivo se realize. O Brasil de Varejão e Leandrinho não pensou no tamanho do monstro a derrubar, apenas executou suas potencialidades com compromisso e amor. Deu certo.

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