Peço licença aos leitores do Terceiro Tempo que acompanham esta coluna sobre boxe, para escrever sobre um brasileiro que transcendeu a tudo e a todos na sua época.
Nascido no bairro da Casa Verde, na cidade de São Paulo em 29 de setembro de 1927, filho de um ferroviário e uma lavadeira, retornou ao Criador em 12 de janeiro de 2001.
Adhemar Ferreira da Silva o único atleta sul-americano a figurar no livro da IAAF (Federação Internacional de Atletismo) que trouxe os maiores atletas do século XX.
Recebeu influência para realizar a prova de salto triplo do atleta e dirigente são paulino Ewald Gomes da Silva.
Em 1950 Adhemar Ferreira da Silva entrou para a história ao saltar 16 metros e igualar o recorde mundial do japonês Naoto Tajima que vigorava desde 1936.
Nos Jogos Pan-americanos de 1951, Buenos Aires, Argentina, tornou-se o primeiro nome do atletismo nacional a conquistar a medalha de ouro saltando 15, 19 m.
No ano de 1952, sabendo que iria participar dos Jogos Olímpicos da Helsinque na Finlândia, procurou uma família finlandesa, Leto, que vivia em São Paulo para ajuda-lo a aprender um pouco do idioma finlandês.
Ao chegar no aeroporto de Helsinque na Finlândia em 1952, Adhemar chegou cumprimentando a todos em finlandês e perguntando como estava o tempo, onde iria treinar, enfim (ele sempre teve muita facilidade para aprender e falar outros idiomas além do português) e no dia seguinte saiu nas manchetes dos jornais da Finlândia, um brasileiro que falava finlandês.
No dia da prova do salto triplo, ao entrar na pista, Adhemar já havia conquistado a simpatia de todos daquele país porque falava a língua deles.
Nosso atleta (que orgulho escrever, nosso atleta), superou quatro vezes o recorde mundial da prova: 16,02 m, 16,09 m, 16,06 m e 16,22 m.
O estádio inteiro ficou em pé aplaudindo o brasileiro que batia seguidamente os recordes mundiais da prova, então um dos juízes da prova, pediu para que Adhemar Ferreira da Silva desse uma volta cumprimentando o público que o saldava, "FOI CRIADA A VOLTA OLÍMPICA".
Isso mesmo leitor, o brasileiro Adhemar Ferreira da Silva criou a "volta olímpica".
Adhemar Ferreira da Silva, voltou a conquistar a segunda medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de 1955 na Cidade do México e fez sua melhor marca de todos os tempos, 16,56 m.
Jogos Olímpicos de 1956, Melbourne, Austrália o atleta brasileiro Adhemar Ferreira da Silva conquistou a segunda medalha de ouro olímpico saltando, 16,35 m.
Na cidade de Chicago, EUA, Adhemar Ferreira da Silva conquistou a terceira medalha de ouro em Jogos Pan-americanos com o salto de 15,80 m.
As principais conquistas na carreira desportiva de Adhemar Ferreira da Silva:
Decacampeão Paulista, pelo São Paulo Futebol Clube, 1947 a 1956;
Hexacampeão Brasileiro, 1952 a 1957;
Pentacampeão Carioca pelo Vasco da Gama, 1957 a 1961;
Pentacampeão sul-americano, 1950, 1952, 1954, 1956 e 1958;
Tricampeão Pan-americano, Buenos Aires 1951, Cidade do México 1955 e Chicago 1959;
Bicampeão Mundial Universitário, Dortmund, Alemanha 1953, San Sebastian, Espanha 1955;
Bicampeão Olímpico, Helsinque, Finlândia 1952 e Melbourne, Austrália 1956;
Campeão Japonês em 1952;
Campeão Luso-brasileiro em Lisboa, Portugal 1960;
Tetracampeão Paulista de Esporte Universitário 1952 a 1955;
Bicampeão Brasileiro de Esporte Universitário, 1953 e 1955;
Campeão dos "Relays" Americanos, EUA em 1958;
Troféus, Comendas e Títulos:
Troféu Helms Fundation, EUA;
Troféu Taher Mohamed, Turquia;
Cavalheiro Sul-americano do Atletismo, Chile;
Campeão do Cavalheirismo e Esportividade, Chile;
Medalha do Mérito Esportivo, Brasil;
Cidadão Coquimbano, Chile;
Cidadão Carioca, Brasil;
Cidadão Ponta-grossense, Brasil;
Atleta Padrão, Brasil;
Ordem Olímpica do COI (Comitê Olímpico Internacional);
Adido Cultural do Brasil na Nigéria, 1964 a 1967;
Único atleta sul-americano a figurar no livro da IAAF (Federação Internacional de Atletismo) que conta a história do atletismo no século XX.
"As estrelas amarelas no escudo da camiseta do São Paulo Futebol Clube"
Elas, representam os recordes mundiais obtidos nos Jogos Olímpicos de Helsinque, Finlândia em 1952 de 16,22 m e dos Jogos Pan-americanos da Cidade do México em 1955 de 16,56 m.
Em 1956 Adhemar foi convidado por Samuel Wainer para ser colunista do jornal Última Hora, aceitou e mudou-se para o Rio de Janeiro. A partir daí, foi defender o Clube de Regatas Vasco da Gama e já nos Jogos Olímpicos de 1956, quando conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Melbourne, Austrália, era atleta do C.R.Vasco da Gama.
Como não bastasse as conquistas no esporte, Adhemar Ferreira da Silva era Escultor formado pela Escola Técnica Federal de São Paulo (1948), formou-se em Educação Física pela Escola do Exército, Direito na Universidade do Brasil (1968) e ainda em Relações Públicas na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero (1990).
Já escrevi acima que Adhemar aprendeu finlandês com a família Leto, em 1952 que ficou no Japão e foi campeão japonês, também aprendeu falar japonês, enfim, Adhemar Ferreira da Silva falava e bem, oito idiomas: português, espanhol, italiano, finlandês, inglês, alemão, francês e japonês e ainda as quatro faculdades descritas acima.
Na foto anexada está o Adhemar Ferreira da Silva cumprimentando o colunista Sidnei Dal Rovere como destaque na "Campanha Adote Um Atleta" em 1979.
