Marcos Braz, vice-presidente de futebol do Flamengo. Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Marcos Braz, vice-presidente de futebol do Flamengo. Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

O Flamengo está a procura de um treinador. O clube mais rico, mais organizado e com melhor gestão hoje no futebol brasileiro está sem ninguém para fazer a gestão técnica do seu, não menos portentoso, grupo de jogadores. E os olhos da diretoria se voltam para todos os lugares do mundo menos para o mercado doméstico. Justo. Correto. Perfeito. Eu se fosse dirigente do Flamengo faria a mesma coisa: diante do poderio financeiro do clube nem pensaria em um técnico brasileiro. Os melhores, há muito tempo, não estão aqui.

E a reflexão tem que ser profunda neste momento. Por que nenhum técnico nacional está apto a dirigir a maior potência do país? Por que técnicos da `prateleira B´ do futebol mundial, como Jorge Jesus e Jorge Sampoli, vem aqui e sobram? Por que neste futebol contemporâneo os profissionais brasileiros não são ao menos cotados para dirigir nem grandes nem médios clubes europeus e nos últimos tempos estão perdendo mercados periféricos como o asiático e agora perdendo o mercado local? Como para tudo no futebol não há só um motivo. É sempre mais do que é um elemento. É complexo. É sistêmico.

O primeiro grande motivo é a falta de uma metodologia eficaz de treino. Pela nossa cultura ainda damos pouquíssimo valor aos treinamentos. Se aceita facilmente um jogador perder um treino ou simplesmente treinar de qualquer jeito por aqui. Falta aos nossos profissionais proporcionar atividades atraentes, desafiadoras, em que o atleta se sinta motivado e entenda que o que está sendo proposto irá torná-lo melhor. O time do Flamengo não jogava daquela maneira tão intensa com Jorge Jesus simplesmente pela atmosfera da torcida. Aquilo era treinado. Os jogadores tinham aquelas ações com e sem a bola porque eram comportamentos, estava tudo somatizado no corpo deles.

Acredito que sem uma boa base de treinos nenhuma ideia, por melhor que seja, consegue ser cem por cento colocada em prática. Mas aqui chegamos em um outro ponto fraco dos nossos treinadores: há pouquíssima intencionalidade no jogo da maioria dos profissionais brasileiros. Se joga muito pela sobrevivência e pouco por convicção. Não falo de jogo ofensivo e jogo defensivo. Falo em se ter uma intenção clara em todos os momentos do jogo. A característica do jogador deve sempre ser soberana a qualquer conceito pré-estabelecido. Mas por aqui o talento aparece muito mais pelo caos inerente ao jogo de futebol do que por sistemas ajustados para isso.

Toda situação pode ser mudada desde que se faça algo para interferir. Que essa busca correta do Flamengo por um outro técnico estrangeiro gere reflexão nos nossos profissionais. Passou da hora de estudarmos ideias, conceitos, filosofias de jogo, metodologias de treinamento, sem falar nas sempre importantes técnicas de comunicação, liderança e gestão de pessoas. Quem sabe se produzirmos melhores profissionais não só o Flamengo, mas também outros clubes gigantes do mundo, passem a ter um olhar diferente para os técnicos brasileiros.

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