Para quem não sabe, passei a ser santista em 1960 graças ao Pagão (1934 – 1991), o primeiro grande 9 de Pelé.

É que o saudoso frei holandês Rafael Zevenkoven, vigário da Igreja de São José de Muzambinho, dizia sempre no seu "sermão para a juventude", aos domingos, 8h, que ninguém podia morrer pagão.

E como eu morria de medo de ir morar naquele condomínio tão quente, resolvi "me proteger" no time do Pagão, o Santos FC.

E descobri o Pagão e o futebol por acaso, quando meu primo Humberto e um primo dele, Milton Vânius, estavam ouvindo Santos x Palmeiras na decisão do Super-Campeonato Paulista de 1959, já no início de 1960.

Não gostei do jogo e dos estalos da irradiação da Tupi na salinha do rádio-gaiola de minha avó Beatriz e fui chupar jabuticaba no fundo da horta.

Uns 30 minutos depois voltei para a salinha e encontrei o Humberto e o Milton tristes.

Perguntei o motivo e eles disseram: "O Santos perdeu".

Havia sido 2 a 1 para o campeão Palmeiras, de virada.

E quis saber, de curioso, de quem era o Pagão, cujo nome me chamou a atenção.

Quando disseram que Pagão era do Santos, disse então que daquele dia em diante eu seria do Santos e ficaria livre de morrer desprotegido pelo Frei Rafael Zevenkoven.

Sensacional, não é mesmo?

São coisas que quem ama o futebol não esquece.

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