O futebol alemão tem faturado títulos e chega à Copa do Mundo no Brasil como favorito. Mas por que a imprensa brasileira ainda não dá o devido valor aos alemães? O jornalista Mário André Monteiro tenta compreender o fato

O futebol alemão tem faturado títulos e chega à Copa do Mundo no Brasil como favorito. Mas por que a imprensa brasileira ainda não dá o devido valor aos alemães? O jornalista Mário André Monteiro tenta compreender o fato

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Parece claro, mas o futebol alemão é muito maior que o Bayern de Munique e o Borussia Dortmund, tão evidenciados na mídia esportiva nacional. Mário André Monteiro é jornalista que estuda e tenta compreender o futebol alemão há 10 anos sem o “porcelanato” da televisão.

Na final da Champions League em 2013,  em que dois times alemães participaram, falou a rádio Globo, Itatiaia e outras pelo Brasil. Também participou de programas no BandSports atrelando esquemas táticos, cultura e informação sobre o futebol tricampeão mundial. 

Atualmente, além de trabalhar no Portal iG, Mário comanda o site “Alemanha Futebol Clube” (http://www.alemanhafc.com.br/). Na segunda edição das “Tags do JE”, o artilheiro do time de futebol society “30 de Fevereiro” discute as pronúncias germânicas na imprensa brasileira, a cobertura do futebol nos dois países e até a política brasileira-alemã.

  Terceiro Tempo: A pronúncia dos nomes de times e dos jogadores alemães pela mídia esportiva brasileira é correta? E qual grau de importância para o consumidor de notícias do "aportuguesamento" das alcunhas do futebol alemão?

Mário André Monteiro: Acho que nomes de times e jogadores são coisas que podem ser tratadas de forma diferente aqui no Brasil. Acho válido o "aportuguesamento" das pronúncias dos clubes, como no caso do Bayern de Munique, por exemplo. O nome oficial é Bayern München, mas nesse caso é importante usar a nossa língua para definir a equipe.

Já os nomes de jogadores considero ser bem mais viável usar a pronúncia e escrita corretas. E a mídia brasileira erra demais, principalmente um veículo que não está acostumado a cobrir regularmente as ligas internacionais e tem que fazer Copa do Mundo ou Eurocopa. Schweinsteiger é um exemplo clássico de nome de atleta. Existem muitas formas de se falar a alcunha dele por aqui, por isso uma pesquisa é fundamental.

 Terceiro Tempo: Apesar dos resultados primorosos dos times e da seleção alemã nas competições internacionais e o campeonato ser recheado de jogadores brasileiros, por que a imprensa esportiva no Brasil trata o futebol alemão como terceira via internacional, atrás da Espanha e da Inglaterra?

Mário André Monteiro:O futebol alemão vem ganhando destaque aos poucos, já é um dos principais centros do mundo, mas ainda segue atrás de Espanha e Inglaterra. Mas ultimamente isso vem mudando. A final da última Champions entre Bayern e Dortmund fez o interesse na Alemanha crescer um pouco. E talvez possa aumentar ainda mais no caso da seleção ser campeã da Copa do Mundo aqui no Brasil. A impressão que eu tenho é de que a imprensa daqui ainda considera o estilo de jogo alemão bastante pragmático, sem brilho, como acontecia até o final dos anos 90. Essa nova geração talentosa tem tudo para mudar a opinião da mídia.

Terceiro Tempo: o que nos difere e nos aproxima da cobertura esportiva da Alemanha e do Brasil?

Mário André Monteiro Existem muitas semelhanças na cobertura esportiva brasileira e alemã. Lá, assim como aqui, os veículos regionais dão mais ênfase aos clubes das suas cidades. Isso é natural. Na Alemanha, porém, existe um tom maior de sensacionalismo nas publicações, principalmente as do diário Bild, o principal do país. É um tablóide bastante respeitado, coisa que não temos no Brasil, mas que costuma dar muitos furos de reportagem.


Terceiro Tempo: em 2006, a Copa foi disputada na Alemanha e agora no Brasil, como você vê o tom da mídia esportiva em anos pré-Copa do Mundo destes países: catastrofismo ou nacionalismo?

Mário André Monteiro São coisas totalmentes opostas. Na Alemanha, a mídia estava totalmente a favor da organização do Mundial, apoiando e sempre otimista com tudo. Até porque a Copa do Mundo de 2006 serviu para unir ainda mais o povo alemão, que ainda vivia os resquícios da queda do muro de Berlim, no começo da década de 90. O evento serviu para aproximar o povo e mostrar todo nacionalismo no país. Esse foi o maior legado deixado para os alemães.

No Brasil, não precisa nem falar. Atrasos nos estádios, obras superfaturadas, protestos da população... o tom da mídia brasileira com a Copa de 2014 é de total catástrofe. Algumas publicações ainda tentam colocar panos quentes em muitos casos, mas a maioria critica duramente.


Terceiro Tempo: peço para avaliar como a imprensa germânica divulgaria o comportamento do Felipão, se este fosse o técnico dos tricampeões mundiais e de como a mídia brasileira interpelaria Joachim Low, se ele dirigi-se o selecionado canarinho?

Mário André Monteiro: Talvez dê para comparar Felipão com Joachim Löw, treinador da seleção alemã. Ambos são muito teimosos, não abrem mão dos seus ideais e dos jogadores de confiança. Essas características de ambos são alvos de críticas da imprensa. O trabalho de Löw é bastante questionado na Alemanha, tanto na mídia com entre os torcedores também. Acredito que seria a mesma coisa com Felipão.


Terceiro Tempo: o comentarista de futebol alemão basta entender do riscado ou o conhecimento específico da cultura, política e outros aspectos da sociedade interferem para uma melhor análise do futebol?

Mário André Monteiro Obviamente que entender de futebol dentro das quatro linhas é o primeiro grande passo, mas não é só isso. Você disse bem. Saber como é a cultura, comportamento da sociedade, geografia e língua da Alemanha também são itens fundamental, até para entender e analisar reações de torcida, dirigentes e clubes. Só assim você se torna completo e respeitado no assunto.

 Terceiro Tempo: pelo fato de Brasil e da Alemanha terem como figura maior uma presidenta e uma chanceler respectivamente, você vê no futuro uma mulher sendo treinadora de uma equipe de futebol masculino de grandes times? E como a imprensa destes países analisaria o fato?

Mário André Monteiro: O futebol ainda é um meio machista, principalmente no Brasil. Na Alemanha o futebol feminino é difundido de norte a sul e leva público a estádios. A seleção feminina recebe apoio da Federação, existem a Bundesliga feminina e a Copa da Alemanha feminina, que são competições bastante sólidas e têm recursos para continuares existindo. Aqui é o oposto. Nosso futebol feminino agoniza em busca de recursos, não existe uma liga que dure um ano inteiro, não tem apoio devido da CBF.

Porém, nos dois países, ainda considero muito difícil uma mulher assumir o cargo de treinadora de clube masculino. Acredito que tanto no Brasil quanto na Alemanha, se isso realmente acontecesse, na primeira série de resultados ruins, esse trabalho seria questionado pela mídia e ela não duraria muito mais tempo no cargo.

 

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