No Dia do Rádio, uma homenagem ao principal companheiro dos brasileiros desde o século passado

No Dia do Rádio, uma homenagem ao principal companheiro dos brasileiros desde o século passado

Quando criança eu tinha dois amigos inseparáveis. Um era o “Baiano”, de nome Clodoaldo, craque de bola e hoje meu compadre (Um beijo, Bernardinho!). O outro era meio doido, tinha vários nomes e vozes, dependia do dia. Eu detestava quando ele me acordava cedo cantando. “Vambora, vambora! Olha a hora! Vambora!”, meu pai batia na porta do quarto e o remelento aqui tinha que pegar a mochila e partir para a escola.

No trajeto, dentro do ônibus, ele ia mudando dentro da minha orelha. Dava as notícias do dia com um vozeirão, rapaz; só vendo (ou ouvindo). A hora certa a cada 10 minutos (irritante, mas prestativo), quando falava do tempo, virava super-herói: “O Homem do Tempo”, tipo da Marvel. Assistia a aula e voltava com ele na minha cabeça. Parecia adivinhar o que eu precisava, hora futebol, hora piada (quando ele virava um tal Emílio Surita).

À tarde, enquanto fazia a lição, minha mãe ouvia a outra amiga dela, a Sandra Groth. Entre uma música e outra um cara dizia “Amééricaaa” com um toque de um sininho depois. Ela varria a casa ouvindo Kid Abelha e os Abóboras Selvagens. Enquanto isso, meu amigo seguia comigo no quarto, agora com um outro nome imaginário (e bem brega): Djalma Jorge, que terminava tudo com um “lhes” no final. Hilário demais. Não perdia um. Quando era hora de dormir, meu amigo ficava lá novamente, tocando música agitada (o tal Pump it Up que chamávamos no Capão Redondo de “Pôperô”). Falava de uma tal Hot Nine Seven, que virou Energia hoje em dia.

Final de semana era do futebol. Quando o Baiano não estava, quem assumia o posto eram vários. Milton Neves, Flávio Prado, José Silvério, Nilson César, Luis Carlos Quartarolo, José Carlos Guedes, Oscar Ulisses, Osmar Santos, Paulo Roberto Martins, Luis Roberto, Wanderley Ribeiro, Romeu César, Paulo Soares, Osmar Garrafa, Luiz Augusto Maltoni, Cledi Oliveira, Jorge Vinícius, Dalmo Pessoa, Fiori Gigliotti, Dirceu Maravilha. Um caleidoscópio de sons, musiquinhas, vinhetas e gols de deixar qualquer um estupefato.

O tempo passou e o amigo ficou mais próximo. Um dia até mudei de nome por causa dele. Foi no meu primeiro emprego, em uma central de telemarketing. Já havia um Marcelo e eu, recém-chegado, teria que arrumar um codinome para atender as pessoas. Escolhi Flávio, de Flávio Prado, que brigava com todo mundo e fazia valer sua opinião, algo que eu não conseguia com 18 anos. Nesta época eu já sabia que iria trabalhar com esse meu amigo. Precisava retribuir os conselhos, risadas, aprendizados e o ombro amigo enquanto eu chorava no meu quarto por “n” motivos.

Nossos destinos se encontraram em 2004. Da bela Pirassununga ao som potente dos 105,1Mhz, a rádio do Rap que ecoa no querido Capão. Depois a tão sonhada Globo, do querido Oscar, eterno professor. Agora a Bandnews FM, rádio dos novos tempos, notícia na veia, recomendado pelo mesmo “Pai do Gol”, o gênio do pós-jogo Milton, colega de tantas feras no Grupo Bandeirantes de Comunicação. É meu amigo, eu te disse que não iria te abandonar. Agora a gente não apenas ouve junto, mas também fala. Parabéns pelo seu dia, agora nosso, de todos que amam o melhor amigo do homem, que nada pede em troca além do ouvido.

Viva o rádio! Eterno! Imortal!

Amor profundo.

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