Del Valle domina as ações e surpreende Corinthians em Itaquera

Del Valle domina as ações e surpreende Corinthians em Itaquera

Na noite de ontem (18/09), o Sport Club Corinthians Paulista recebeu o Independiente del Valle na Arena Corinthians em partida válida pela ida das semifinais da Copa Sul-Americana. O Alvinegro foi derrotado pelo placar de 2 a 0 e agora a classificação à final do torneio está muito difícil. Gabriel Torres coroou a belíssima atuação equatoriana com dois gols e ajudou o Independiente e colocar uma mão na vaga.

O que se viu durante todo o primeiro tempo em Itaquera foi um Corinthians que parecia desconhecer as características e as qualidades de seu adversário. O Del Valle, treinado pelo espanhol Miguel Ángel Ramírez, tentava assumir o controle de posse e tocava muito bem a bola quando a possuía.

O Alvinegro, por sua vez, topou com antigos problemas e teve uma primeira etapa para se esquecer. Quando tinha a bola, não levava perigo algum aos equatorianos, devido a inoperância de um meio de campo que praticamente não é capaz de criar nada. As jogadas pelas laterais, ponto forte corintiano, foram muito bem anuladas pelo oponente do Equador.

O Independiente abriu o placar aos 44 minutos da etapa inicial, com Gabriel Torres. Antes disso, os equatorianos já haviam tido um gol anulado (corretamente) por impedimento e haviam criado as melhores chances do jogo. O que pareceu para quem assistia ao confronto era que Fábio Carille não tinha a mínima ideia de como jogava o adversário e dos riscos que este era capaz de impor.

O resultado? Um primeiro tempo onde o Corinthians foi engolido tática e tecnicamente pelo adversário. O 1 a 0 contra ficou barato pelo volume de jogo do Del Valle. Os equatorianos, treinados por um técnico da escola espanhola, gostam de jogar com a bola e de propor as ações. Quando estão com a redonda, possuem qualidade para construir jogadas e chegar as finalizações. Carille parecia desconhecer estes fatos.

Talvez por soberba ou ingenuidade, o comandante do Timão acreditou que os equatorianos viriam para São Paulo e jogariam retrancados, esperando o Corinthians no campo defensivo de modo a aproveitar os contra-ataques. Grande engano! Essa não é a filosofia do Del Valle e a primeira etapa fez com que todos pudessem constatar.

É preciso também falar sobre os problemas corintianos, agora que já foram destacados os méritos do Del Valle. O Corinthians, quando precisa ter a bola, se apavora. Não tem a mínima ideia do que fazer com ela e depende das individualidades de Pedrinho, mais frequentemente, ou Mateus Vital para tentar construir jogadas ofensivas.

O meio de campo do Alvinegro possui um poder de criação quase nulo e quando os jogadores de beirada não conseguem articular as jogadas pelas laterais, os problemas aparecem. Ontem, isto ficou nítido mais uma vez. Percebendo os erros cometidos na primeira etapa, Carille modificou a equipe para o segundo tempo. Mexeu bem, vale ressaltar, pois o Corinthians voltou melhor.

As entradas de Matheus Jesus no lugar de Gabriel e de Gustavo no lugar de Clayson melhoraram a produção ofensiva do Timão. Carille, ao que pareceu, se deu conta de que o adversário gostava da bola e saia desde seu campo de defensa trocando passes. Por esta razão, a marcação corintiana subiu e passou a dificultar a saída de bola do Del Valle.

O Corinthians passou a criar mais chances de gol e dominar as ações, permanecendo com a bola devido à necessidade de correr atrás do placar. O Del Valle, muito bem treinado, deixou com que o Timão ficasse com a redonda, pois sabia que teria espaços para contra-atacar.

E foi assim que saiu o segundo tento dos equatorianos. Após contragolpe puxado pela direita, a bola foi muito bem cruzada para Gabriel Torres, que mais uma vez finalizou com precisão e aumentou a vantagem do Del Valle. Depois disso, o Corinthians desmontou e se lançou ao ataque com mais vontade do que organização. O placar permaneceu o mesmo até o apito final e os equatorianos conquistaram uma vitória categórica em Itaquera.

Fica o questionamento: até quando iremos subestimar os times de médio/pequeno porte da América do Sul? Esta não foi a primeira vez que um grande brasileiro sofreu na mão de um time de menor expressão do nosso continente. Com certeza, o orçamento do Del Valle é bem menor do que o do Corinthians. No entanto, está mais do que provado que a vontade de praticar um bom futebol e o trabalho sério podem superar essas barreiras financeiras. Enquanto isso, aqui no Brasil, continuaremos até quando com o pragmatismo burro e o mais do mesmo?

* Renan Riggo é jornalista esportivo (A Folha Esportiva) e assessor de imprensa da PPress Marketing e Comunicação

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