Camisa 1 celeste se despediu após não chegar a um acordo com a nova gestão do clube. Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Camisa 1 celeste se despediu após não chegar a um acordo com a nova gestão do clube. Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Chegou ao fim a bonita história do goleiro Fábio no Cruzeiro. O camisa 1 de 41 anos comunicou na noite de quarta-feira (5), por meio das redes sociais, que não chegou a um acordo com a nova gestão do clube e se despediu da Raposa.

Com contrato até o último dia 31 de dezembro d 2021, Fábio tinha uma renovação com a apalavrada com a antiga gestão. Os moldes do novo contrato, porém, não se encaixavam nos padrões estabelecidos pelo grupo de Ronaldo, novo investidor do clube, que chamou o goleiro para renegociar o vínculo.

De acordo com o próprio Fábio, a atual gestão ofereceu contrato de três meses, para que ele pudesse realizar a despedida do clube celeste. O novo grupo que dirige o Cruzeiro tentava ainda reduzir os salários do jogador e renegociar dívidas antigas que o clube tem com o goleiro.

Em seu comunicado nas redes sociais, Fábio destacou a dor de se despedir e afirmou que estava disposto a se readequar à nova realidade financeira do clube.

“Com coração apertado, com lágrimas e dor, eu preciso aceitar que não contam comigo no clube”, comunicou Fábio.

“Me disseram que qualquer outro cenário estava inviabilizado e que eu não faço parte do planejamento desportivo para 2022”, disse.

“Quero deixar claro que aceitaria a readequação ao novo teto salarial, mas essa nova administração também não me deu essa opção (...) Mostrei total disponibilidade em negociar o débito dos anos anteriores, mas, infelizmente, não fui ouvido”, explicou o goleiro.

“Gratidão, Cruzeiro Esporte Clube e Nação Azul, serão eternos na minha vida. Eu e minha família choramos nesse momento, mas gratos e confiantes que Deus nunca nos desampara. Conto com o carinho e o respeito de vocês nesse momento tão difícil”, agradeceu o ídolo cruzeirense, que vestiu a camisa celeste em 976 partidas e conquistou dois Brasileiros, três Copas do Brasil e sete Campeonatos Mineiros.

Em nota, o Cruzeiro explicou nesta quinta-feira (6)  a saída do goleiro. O clube explicou que o foco do novo projeto mira questões financeiras e esportivas, e que a oferta levada ao camisa 1 foi de um contrato mais curto, deixando aberto a possibilidade de homenagens extracampo ao goleiro.

CONFIRA A NOTA DO CRUZEIRO NA ÍNTEGRA

O Cruzeiro esclarece à sua torcida pontos importantes sobre a não renovação do goleiro Fábio. É fundamental lembrarmos que o Cruzeiro tem um desafio imenso de reorganização que precisa ser planejada e executada considerando a sobrevivência da entidade. Nesse sentido, a reestruturação precisa ocorrer em diversos campos: financeiro, organizacional, administrativo e, claro, esportivo. Muitas decisões não são populares mas precisam ser adotadas.

O projeto esportivo que vem sendo implantado considera critérios técnicos e a constituição de um plano de longo prazo para a instituição. As decisões no Departamento de Futebol visam a construção de uma equipe competitiva, sustentável e que esteja a altura da grandeza do clube. Foi exatamente um projeto nessas condições que foi apresentado ao goleiro de 41 anos, que o negou.

A proposta respeitava também a imprescindível responsabilidade econômica da entidade. Necessário ressaltar que, ainda assim, sendo Fábio o ídolo que é, um importante sacrifício econômico foi feito. Foi oferecido ao jogador um contrato que certamente extrapolava o razoável para um clube publicamente deficitário. Os termos desta proposta não foram aceitos pelo atleta e seu agente.

O Cruzeiro, desde o início e com enorme respeito, deixou claro que a proposta  respeitava sua relevância e admirável história de 18 anos no clube. Fundamental esclarecer que o desejo do Cruzeiro era de ampliação de vínculo, embora não pelo mesmo prazo desejado pelo atleta. A proposta era de que Fábio pudesse, em campo, ao longo do Campeonato Mineiro, se despedir da torcida como ele e a própria torcida merecem. Inclusive, o Cruzeiro segue aberto para que inúmeras homenagens extracampo aconteçam.

Não é mais possível aceitar um perfil de administração que fez tantos clubes chegarem a um cenário de inviabilidade. O Cruzeiro tem clareza de que não há outra forma de manter a história de um dos maiores clubes de futebol do mundo que não seja com uma gestão responsável, com colaboradores e atletas que estejam plenamente alinhados a esse pensamento.

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