O caso aberto nos EUA levou à queda de Joseph Blatter. Foto: AFP

O caso aberto nos EUA levou à queda de Joseph Blatter. Foto: AFP

A cúpula da Fifa não exclui uma ampliação das investigações que estão sendo conduzidas desde 2015 pela Justiça da Suíça por conta da corrupção no futebol. Num informe financeiro que fará parte do Congresso Anual da entidade, nesta semana em Paris, a Fifa alerta que os inquéritos podem ainda ser conduzidos por um longo tempo.

Completando quatro anos na semana passada, o processo contra os dirigentes do futebol chacoalhou de forma inédita a Fifa. O caso aberto nos EUA levou à queda de Joseph Blatter, punições a dezenas de dirigentes e uma total transformação na composição dos membros da entidade máxima do futebol.

Na Fifa, porém, a entidade não da ainda o caso como encerrado. Segundo os documentos, "as investigações lideradas pelas autoridades suíças vão continuar por algum tempo e uma expansão de seu escopo não pode ser excluída".

Ao longo dos últimos quatro anos, a Fifa ainda informa que os processos nos EUA e na Suíça já custaram US$ 91 milhões em custos legais. Apenas em 2018, a conta chegou a US$ 6 milhões para que a entidade se defendesse nos diferentes tribunais.

Corrupção

Diante da pressão por conta dos casos, a Fifa ainda foi obrigada a desfazer, nesta semana, uma polêmica em suas regras e volta a colocar em seu código de ética a palavra "corrupção".

No ano passado, ao rever suas regras, a entidade havia excluído a palavra "corrupção" de seus artigos.

Além da extinção da palavra "corrupção" do novo código, a Fifa ainda estabeleceu que se o crime foi cometido há mais de dez anos ou se a investigação não for concluída em uma década, o cartola em questão não poderá mais ser punido.

Na prática, se um pagamento de propina não for descoberto ou revelado num prazo de dez anos, o caso está encerrado. No código de Ética original, criado por Joseph Blatter em 2004, não havia limite.

Os investigadores independentes da Fifa terão apenas cinco anos para concluir qualquer tipo de processo sobre as demais irregularidades e a "procuradora-geral" da entidade, a colombiana Maria Claudia Rojas, terá o poder inclusive de chegar a acordos de delação premiada com suspeitos, um instrumento que, num ambiente de poucas regras e arbitrariedade, poderia levar à proteção de eventuais aliados.

Mas se a corrupção voltou ao texto, a Fifa não mudou nada no que se refere ao novo crime adicionado às leis: a difamação. Pelas novas regras, uma pessoa está "proibida de fazer declarações públicas de natureza difamatória contra a Fifa" ou contra outros cartolas.

Sem dar detalhes sobre o que isso poderia significar, o código mantém uma flexibilidade ampla para permitir que qualquer um possa ser investigado por tal crime. Uma declaração difamatória levaria uma pessoa a ser suspensa do futebol por dois anos e, no caso de um novo incidente, a pena aumentaria para cinco anos.

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