Em homenagem ao Dia dos Pais, citarei a história de pais e filhos no futebol. Exemplos são muitos, mas nada é comparado à Domingos da Guia e Ademir da Guia.

Em homenagem ao Dia dos Pais, citarei a história de pais e filhos no futebol. Exemplos são muitos, mas nada é comparado à Domingos da Guia e Ademir da Guia.

Em homenagem ao Dia dos Pais, citarei a história de pais e filhos no futebol. Exemplos são muitos, mas nada é comparado à Domingos da Guia e Ademir da Guia. Criados no bairro de Bangu, Rio de Janeiro, ambos foram considerados fantásticos jogadores com um futebol divino, mesmo não atuando na mesma posição, pois Domingos era zagueiro e Ademir atuava na meia-esquerda, como armador. Homenageando meu pai e avô paterno, contarei a história dos dois craques através dos testemunhos de ambos, já que acompanharam a arte da nobre família.
Meu avô, alemão de nascimento, chegou ao Brasil no final de 1936. Fixou residência na cidade de São Paulo, virou corintiano e, obviamente, acompanhava de fato o futebol paulista. Os maiores craques brasileiros na década de 30 eram Leônidas da Silva e Domingos da Guia, ambos nascidos no Rio de Janeiro e que atuavam no futebol carioca. O auge da popularidade dos dois aconteceu na Copa do Mundo de 1938, quando a Seleção Brasileira fez uma grande campanha, com grandes atuações deles, um Mundial sendo transmitido pela primeira vez ao vivo no Brasil através do radio e meu avô imaginando como deveriam jogar os dois, tão elogiados na narração de Gagliano Neto. Mesmo para o povo paulista, eram dois ídolos nacionais, pois Leônidas era o Diamante Negro e Domingos o Divino Mestre.
Em 1942 foi disputado o Torneio Quinela de Ouro (uma espécie de Rio-São Paulo), com a presença dos três primeiros colocados do Campeonato Paulista do ano anterior e o campeão e vice do Carioca de 1941. Domingos da Guia era o zagueiro-central do Flamengo e meu avô pode testemunhar seu divino futebol no empate de 1 a 1 entre Corinthians e Flamengo no Pacaembu. O time corintiano foi o vencedor da competição, mas ver o Divino Mestre em ação, já valeu o ingresso, pois realmente ele era diferenciado. No mesmo ano, também assistiu a estreia de Leônidas pelo São Paulo contra o seu time, mas o centroavante ainda não estava nas suas melhores condições físicas. E no final de 1942 voltou a ver Domingos em ação, numa partida entre a Seleção Paulista e Carioca.
No início de 1944 Domingos da Guia é contratado pelo Sport Club Corinthians Paulista. Era uma espécie de aposta para que pudesse enfrentar Leônidas da Silva, vencedor do primeiro Estadual pelo São Paulo no ano anterior. E claro que o meu avô fez questão de assistir a sua primeira partida, um amistoso contra o Flamengo, seu ex-clube, com vitória corintiana e o veterano zagueiro atuando muito bem. Ele fez grandes partidas pelo Corinthians, mas, infelizmente, não conseguiu o título paulista na sua passagem de quatro anos, sendo campeão apenas da Taça Cidade de São Paulo de 1947. Meu avô contava que assistiu a um jogo de Domingos da Guia, pela Seleção Paulista, enfrentando Heleno de Freitas, que jogava no Selecionado Carioca. Também me contou que assistiu a uma das últimas partidas do zagueirão pelo Corinthians contra a fortíssima equipe argentina do River Plate, a melhor da América do Sul na época, num sensacional duelo com o centroavante Di Stefano. Independente de não ter sido campeão, sempre me garantiu tratar-se do melhor zagueiro que viu jogar.
Da mesma forma que Domingos da Guia passou seus ensinamentos ao Ademir da Guia, meu avô fez o mesmo ao meu pai no quesito paixão futebolística, estendendo a mim. Infelizmente meu avô não tem como dar um depoimento nesse Dia dos Pais, pois faleceu há mais de 20 anos. Meu pai viu o Domingos jogar mais em final de carreira, mas acompanhou toda a carreira de Ademir, então obtive dele, corintiano de coração, informações sobre o filho do Divino Mestre, mesmo a sua carreira sendo praticamente toda no Palmeiras.
Segundo o meu pai, mesmo o Ademir da Guia tendo ido jogar no outro Parque, nunca se decepcionou por isso. Admirava o seu jogo altamente técnico e por nunca ter desrespeitado o Corinthians. Deixando Pelé de fora, elevava-o como o melhor meia da segunda metade da década de 60, ao lado de Rivellino, Gérson e Dirceu Lopes. Da mesma forma que Luizinho, Canhoteiro, Pagão e Dirceu Lopes, lamenta por Ademir não ter tido sorte maior na Seleção Brasileira, se bem que foi o único dos citados que jogou uma Copa do Mundo, a de 1974, na Alemanha, atuando apenas na decisão do terceiro lugar contra a Polônia, com mais de 30 anos, muito pouco pelo o que ele jogava e ganhava no Palmeiras.


Como consideração final, meu pai considera Ademir da Guia como um dos jogadores mais completos que viu jogar, mesmo sendo corintiano, pois é necessário valorizar quem merece de verdade, pois falar do Divino é citar  verdadeiro futebol.
Imagem: @CowboySL

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