Alisson brilha, e Gabriel Jesus se redime

Alisson brilha, e Gabriel Jesus se redime

Danilo Lavieri, Marcel Rizzo, Marinho Saldanha e Pedro Lopes
Do UOL, em Porto Alegre (RS)

A seleção brasileira, enfim, se livrou do fantasma paraguaio na Copa América. Depois de ser eliminado da competição pelo adversário nos pênaltis em 2011 e 2015, o Brasil desta vez passou pelo Paraguai nas penalidades com vitória por 4 a 3 após empate por 0 a 0 na noite de hoje, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre. É a primeira vez desde 2007 que a seleção chega à semifinal do torneio - o rival ainda não está definido.

Após um primeiro tempo sem muitas emoções - com os paraguaios criando até a melhor chance, em defesa de Alisson após chute de Derlis González -, o Brasil sobrou na etapa final. Foram muitas finalizações perigosas, com intervenções decisivas do goleiro botafoguense Gatito Fernández e até uma bola na trave de Willian aos 44 minutos. Nos acréscimos, Everton e Philippe Coutinho só não marcaram porque desvios da defesa salvaram o Paraguai. A tensão e a retranca dos adversários acabaram prevalecendo.

Alisson brilha, e Gabriel Jesus se redime
Nos pênaltis, Alisson pegou a primeira cobrança, do palmeirense Gustavo Gómez, e viu Willian abrir o placar para o Brasil. Na segunda rodada, Miguel Almirón e Marquinhos marcaram. Na terceira, Bruno Valdez e Philippe Coutinho também fizeram. A quarta teve gol de Rodrigo Rojas e um chute feio para fora de Roberto Firmino. A rodada final teve Derlis, carrasco em 2015 no Chile, também batendo para fora. Gabriel Jesus, que havia perdido pênalti na goleada sobre o Peru na fase de grupos, mostrou muita categoria para deslocar Gatito e dar a vaga ao Brasil.

A semifinal está marcada para terça-feira, dia 2 de julho, no Mineirão, em Belo Horizonte, às 21h30. O adversário sai do confronto entre Venezuela e Argentina, que acontece nesta sexta-feira, no Maracanã, no Rio de Janeiro, às 16h.

Quem foi bem: Marquinhos e Gatito Fernández
O zagueiro brasileiro não se limitou a ficar ao lado de Thiago Silva, em papel que também foi desempenhado com perfeição. Marquinhos ajudou muito na saída de bola e virou quase um meia no fim do segundo tempo, inclusive acertando belo cruzamento para Roberto Firmino assustar em cabeçada. O problema para os atacantes brasileiros, aliás, era que Gatito Fernández, goleiro do Botafogo, estava em jornada inspirada e fez grandes defesas. A melhor delas foi em cabeçada de Firmino a poucos minutos do fim do jogo.

Quem foi mal: Philippe Coutinho e Gabriel Jesus
Coutinho mais uma vez ficou apagado. Buscou pouco a bola, não se apresentou para tabelas e perdeu chances boas de marcar por hesitar no momento da conclusão - uma sobra no lado esquerdo e depois ao furar tentativa de cabeçada. Já Gabriel Jesus foi mais participativo, mas errou passes demais. No mesmo lance da furada de Coutinho, pegou a sobra e mandou para fora, de frente para o gol.

Neymar vai à Arena do Grêmio e vê jogo de camarote
Cortado da seleção brasileira por causa de uma lesão no tornozelo direito, Neymar viajou para Porto Alegre e acompanhou o jogo em um camarote na Arena do Grêmio. Ele estava acompanhado do surfista Gabriel Medina e do volante Casemiro, suspenso pelo segundo cartão amarelo na Copa América.

Atuação do Brasil
A movimentação intensa do ataque, tão importante na goleada sobre o Peru e que apareceu até contra a Venezuela, não foi vista. Os pontas ficaram passivos demais e demoraram a entrar na área ou buscar tabelas. O que mudou em relação a outros jogos difíceis foi a aceitação de Tite. O técnico se mostrou desgostoso com o desempenho, fez mudanças ousadas e lançou o time para frente para tentar abafar o Paraguai.

Atuação do Paraguai
O pressionado técnico Eduardo Berizzo resolveu apostar em uma forte retranca para tentar surpreender o Brasil. Fez Derlis González e Miguel Almirón se revezarem no sacrifício para fechar uma linha de cinco no meio de campo e apostou nesse jogo reativo até o fim, ainda mais depois da expulsão de Balbuena. E não dá para dizer que a ideia não funcionou.

Cronologia do jogo
Assim como a Venezuela havia feito, a seleção do Paraguai se trancou na defesa, apostando em forte marcação pelo meio. O Brasil até conseguia rodar bola a bola, mas chegava na intermediária sem apresentar soluções criativas. Pelos lados, com mais espaço, faltava capricho para acabar as jogadas.

As ideias de cruzamentos rasteiros para fugir de Gómez e Balbuena, bons pelo alto, eram boas, mas foram mal executadas. No contra-ataque, os paraguaios encontraram uma ótima atuação defensiva dos brasileiros, com Alisson fazendo grande defesa em chute de Derlis González no primeiro tempo.

Na volta do intervalo, a seleção de Tite conseguiu se soltar um pouco mais. Roberto Firmino recebeu bom passe, arrancou no meio dos zagueiros e, quando se preparava para chutar, foi derrubado por Balbuena. O árbitro chileno Roberto Todar marcou pênalti inicialmente, mas mudou de ideia ao checar a imagem no VAR. Só que ainda assim uma falta foi marcada, o que custou a expulsão de Balbuena.

A pressão brasileira aumentou e Everton, enfim, começou a chamar a responsabilidade. Após deixar dois marcadores no chão pela esquerda, cruzou bem, mas viu Coutinho furar a cabeçada. A bola ainda sobrou para Gabriel Jesus, que mandou para fora a melhor chance brasileira até então. O lance incendiou o jogo e, dos 28 aos 31 minutos da etapa final, o Brasil perdeu três ótimas oportunidades. O mesmo aconteceu já nos acréscimos, com Gatito fazendo ótimas defesas e com a zaga paraguaio evitando chutes de Coutinho e Everton.

Allan corta a cabeça no aquecimento e joga com faixa
O volante Allan teve bom desempenho à frente da zaga, mas também chamou a atenção no primeiro tempo por aparecer com uma faixa azul na cabeça. Não era estilo, era necessidade. Afinal, o meio-campista caiu e bateu a cabeça enquanto fazia aquecimento no vestiário da seleção brasileira e precisou fazer um curativo para conter o sangramento. No segundo tempo, já pôde ficar sem a bandagem, mas saiu aos 25 minutos para dar lugar a Willian.

Foto: Jeferson Guareze / AFP (via UOL)

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