Foi uma segunda-feira em que a tristeza ocupou o lugar da alegria; numa data histórica para o futebol.

Foi uma segunda-feira em que a tristeza ocupou o lugar da alegria; numa data histórica para o futebol.

Foi uma segunda-feira em que a tristeza ocupou o lugar da alegria; numa data histórica para o futebol. O 3 de dezembro de 2012 marcado nos 70 anos de um gênio da bola, mas maculado por sua saúde fragilizada. Restou-me lembrar de um feito dele, lá nos meus 14 anos.

Era o Campeonato Nacional de 1975, a terceira edição do novo formato criado pela então CBD, antecessora da CBF, e inchado em relação aos dois anos anteriores, com 40 times de 20 estados. Era um domingo à tarde e o Castelão, em Natal, se vestiu de vermelho.

O América recebia a visita do São Paulo F. C., que desembarcou na capital potiguar carregando a estatística de defesa menos vazada do certame. Nem o mais fanático torcedor do clube rubro natalense imaginou o ocorrido no primeiro tempo.

A equipe do Morumbi foi para o vestiário tentando entender o placar de 3 x 1 favorável ao adversário. A vermelhidão das arquibancadas era a profusão de alegria, estupefação e êxtase, um largo sentimento de que um bichinho de listras faria História em Natal.

O segundo tempo iniciou e logo um jovem zagueiro do América, escalado para aquele jogo na ausência do titular, tratou de arrepiar para cima dos tricolores. Ademir Furtado (já falecido), um gaúcho de 19 anos, mostrava a botina, emulado pela torcida.

Foi então que o camisa 10 são-paulino encarou o empolgado garoto e lhe mostrou a camisa, como quem apresenta documentos de autoridade. O uruguaio Pedro Rocha, que Pelé considerava um dos cinco melhores do mundo naqueles anos, resolveu jogar.

A atitude do craque foi devida e prontamente observada pelo treinador americano, Sebastião Leônidas, um ex-zagueiro do Botafogo no bi-campeonato de 67/68 e técnico do mesmo alvinegro no Campeonato Nacional de 1972, quando foi vice-campeão.

Quando viu Pedro Rocha enquadrar Ademir, o técnico olhou para o então jovem médico do América, Maeterlinck Rego (até hoje no banco do clube), e soltou um comentário, todo carregado de uma previsão com a angústia da certeza: "agora nós perdemos o jogo?.

O que os milhares de torcedores potiguares viram naquela tarde de domingo foi uma exibição de gala, uma espécie de matinê com um artista sozinho fazendo todos os números. Pedro Rocha só não fez chover na sempre ensolarada capital dos potiguares.

Dos seus pés mágicos sairam várias jogadas que inverteram a conjuntura do jogo. O saudoso zagueiro tomou um baile daqueles inesquecíveis, como os que havia na sede do América, em que jovens cadetes da Aeronáutica marcavam a vida das donzelas.

Comandado pelo genial uruguaio, o São Paulo saiu de Natal com uma virada espetacular, vencendo por 4 x 3 e espantando a zebra, que inclusive assustara momentaneamente os oníricos apostadores da Loteria Esportiva da Caixa.

Aquela partida foi apenas uma das tantas em que Pedro Rocha exibiu seu talento de rara semelhança. O mundo lhe descobriu quando ele levou o Peñarol do Uruguai a acumular 5 títulos na Libertadores e conquistar 2 taças de campeão intercontinental.

O que ele fez no estádio de Natal em 1973 já fizera por muitos campos do planeta, nos áureos confrontos do time de Montevidéu com os poderosos Real Madrid e River Plate. Na década de 1960, o mundo respeitava a presença do craque, também um carrasco.

Com a camisa da seleção do seu país, Pedro Rocha disputou quatro copas seguidas, de 1966 a 1974. Na mítica Copa do México de 1970, machucou-se no primeiro jogo e ficou fora do duelo contra o Brasil, que venceu por 3 x 1, num jogo duríssimo.

As dificuldades da seleção de Pelé e Tostão contra os uruguaios naquele jogo poderiam ter sido bem maiores e quiçá complicadas se o camisa 10 da "celeste? estivesse em campo. Aquele foi o ano do ápice da carreira de Rocha, já tido como um dos grandes do mundo.

Está para sempre no coração dos são-paulinos como um dos melhores craques da História do clube, ao lado de Canhoteiro, Roberto Dias, Rogério Ceni e Kaká. É um dos maiores ídolos de todos os tempos no Uruguai. E será sempre lembrado como "O Verdugo? dos zagueiros.

Clique aqui e saiba mais sobre a carreira de Pedro Rocha na seção "Que Fim Levou?"

Imagem: @CowboySL

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