Foto: Divulgação/CBF

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A realização da Copa América no Brasil, após Argentina e Colômbia desistirem de organizar o torneio, tomou conta da mídia nos últimos dias, seja pela situação da pandemia no país ou pela ameaça de boicote por parte dos atletas da Seleção.

Em meio à polarização que vivemos por aqui nos últimos anos, inevitavelmente o debate ganhou contornos políticos, se tornando uma espécie de assunto de interesse nacional.

Independentemente da sua opinião sobre a Copa, duvido que você não se perguntou: Por que pode ter Campeonato Brasileiro e não se deve receber a Copa América?

Diante do descontrole da pandemia no país, de fato o futebol deveria ser revisto. Não existe bolha sanitária capaz de proteger uma equipe que viajou mais de quatro mil quilômetros e passou por três aeroportos diferentes, como o Brasil de Pelotas fez para enfrentar o Remo, em Belém, no último sábado, por exemplo.

Mas o Brasileirão é um ecossistema que envolve 124 clubes distribuídos em quatro divisões. Sem futebol também não há patrocínio ou o dinheiro das cotas de transmissão. Milhares de empregos dependem direta ou indiretamente da realização desses jogos.

É uma situação semelhante à de milhões de brasileiros que saem diariamente de casa, muitas vezes enfrentando ônibus e trens lotados, para trabalhar e poder colocar comida na mesa. É um risco, claro, mas necessário em um país sem um plano nacional para enfrentar a pandemia e que não propôs uma ajuda real aos trabalhadores e pequenos empresários.

A Copa América, por sua vez, apresenta um desafio diferente. São seleções que abrigam jogadores que atuam nos quatro cantos do mundo. Todos eles reunidos em quatro sedes por um período extendido. Tudo isso em um momento aonde há risco real de terceira onda da pandemia. 

Para se ter ideia da gravidade, a cidade de Guarulhos, aonde fica o Aeroporto Internacional de Cumbica, pediu recentemente o fechamento do mesmo (que é o segundo maior aeroporto da América Latina) por duas semanas para evitar a propagação do vírus e a chegada de novas variantes, como a indiana e a vietnamita. 

Mesmo que a CONMEBOL vacine todos os envolvidos como prometeu, a Copa América acontecerá durante o intervalo de três semanas entre as doses da vacina, período aonde há risco de contágio. 

Até mesmo as demais seleções se sentem desconfortáveis com a situação. Se no Brasil normalizamos o absurdo, passando a aceitar sem alarde o número de mortes diárias, há desconfiança internacional sobre a maneira como lidamos com a pandemia.

Um exemplo é a Argentina, que já avisou que não se hospedará no país. Após cada jogo retornará à sua base, em Buenos Aires, uma logística incomum para torneios com sede única.

A verdade é que a Copa América é um torneio desnecessário nesse momento. Ao contrário das Eliminatórias (que também deveriam ter seu modelo revisto pela CONMEBOL), não classifica para nenhum outro torneio. Sua não realização não causará demissões e nem trará prejuízo esportivo, assim como nenhuma federação nacional depende dela para sobreviver.

A única impactada é a própria CONMEBOL, que comercializou os direitos de transmissão e cotas de patrocínio, algo que, convenhamos, pode ser muito bem amenizado com uma renegociação.

Se o Brasileirão é o ganha pão, a manutenção do emprego, a Copa América, por sua vez, é um churrasco em plena pandemia. Quem não gosta de juntar os amigos, assar uma carne, tomar aquela cervejinha e conversar? Algo muito bom, né? Mas conseguimos sobreviver sem fazer isso. Um encontro desnecessário e não aconselhável nos tempos atuais. Ou pelo menos deveria ser...

 

 

 

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