Foto: Reprodução/SporTV

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Muricy Ramalho ressurgiu no Bem, Amigos desta segunda-feira, 14/12, para se despedir. Vai ocupar um cargo no futebol profissional do São Paulo, convidado por Julio Casares, presidente eleito do clube.

Disse que “está voltando para casa”.

No SporTV, o ex-jogador e treinador, que só interrompeu a carreira de técnico por conta de um problema de saúde, foi comentarista e, vejam bem, até se aventurou como repórter, em “entrevistas” com técnicos e jogadores em centros de treinamentos do país.

Nestas conversas com “professores” e atletas, claro, seus amigos, Muricy sempre foi bonzinho ao extremo. Se esmerou na arte de bajular. Críticas aos trabalhos realizados pelos ex-colegas, nem pensar.

Nunca fez.

A contundência sempre ficou bastante distante dos comentários de Muricy Ramalho nestes quatro anos em que esteve com o microfone na mão, ou na lapela.

Tudo bem diferente do Muricy Ramalho de outrora, “ou seja”, só para relembrar duas palavrinhas que ele usava à exaustão, quando dava bordoadas em quem costumava entrevistá-lo no dia a dia.

Quem foi repórter do São Paulo nos tempos em que Muricy era o treinador sabe muito como ele tratava os repórteres.

O fino trato ficava sempre a quilômetros de distância do ex-treinador do São Paulo.

Bem, mas não é disso que quero falar aqui.

Quero falar do uso que ex-treinadores e ex-jogadores fazem da mídia nos tempos atuais. A mídia tradicional – emissoras de rádio e de televisão e sites de informação -, virou vitrine para espertos profissionais da bola.

Muricy Ramalho não é o primeiro.

E nem, infelizmente, será o último.

A emissora de televisão surge como excelente opção de exposição, enquanto não surge um convite para o profissional da bola voltar para o seu habitat natural.

Ex-jogadores e ex-treinadores flertam, no máximo namoram com a televisão.

Mas não se casam com ela.

Ou seja, de novo parodiando o Muricy, eles estão ali de passagem. Tiram proveito do veículo de comunicação.

Mas não têm nenhum compromisso com ele.

Azar do veículo de comunicação.

Azar maior ainda do telespectador.

Que fica exposto à falta de compromisso com a informação.

Que vira refém de um “comentarista” que se apodera do microfone para aliviar para os amigos, para fazer conchavos, para construir o alicerce que permitirá a sua volta a um clube de futebol.

De onde não queria ter saído.

Antes que digam, vou logo avisando: não sou frustrado. Como jornalista, diplomado, com MTB, pois, trabalhei em grandes veículos de comunicação.

Também não sou mal-humorado.

Até me divirto quando ouço ou vejo jornalistas sendo subservientes nos programas ou transmissões esportivas com ex-técnicos ou ex-jogadores.

É de gargalhar ouvir um jornalista dizer para o ex-boleiro ou treinador que ele, sim, entende de futebol “porque esteve lá”.

É, como diria a minha sábia mãe, deveras engraçado.

No Bem Amigos, ficou evidente a subserviência.

Muricy Ramalho teve uma despedida em grande estilo.

Suas “contudentes” aparições em atrações da casa foram reprisadas.

Faço aqui uma pergunta à cara leitora e ao caro leitor.

Você se lembra de alguma opinião marcante de Muricy Ramalho no SporTV?

Como técnico que foi, qual a contribuição que o comentarista Muricy Ramalho deixou no aspecto tático em seus quatro anos como comentarista?

O que é certo é que Muricy Ramalho voltará a trabalhar no seu clube de coração no próximo ano.

E é certo também que, caso não tenha sucesso em sua nova função no Morumbi, voltará a ser comentarista e repórter.

Até surgir uma nova oportunidade de voltar a fazer o que realmente gosta.

Trabalhar como comentarista, para Muricy ou para qualquer outro boleiro ou “professor”, continuará sendo apenas uma maneira de ficar na vitrine.

 

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