Ronaldinho foi um gênio, mas poderia ter ido muito mais longe do que foi até hoje em sua carreira.

Ronaldinho foi um gênio, mas poderia ter ido muito mais longe do que foi até hoje em sua carreira.

Ronaldinho Gaúcho foi um gênio. Sim, foi, verbo no passado. Embora continue jogando, e em alguns momentos muito bem, esse Ronaldinho dos últimos oito anos não é o mesmo Ronaldinho que atuou até meados de 2006 com a camisa do Barcelona.

O dentuço viveu momentos em que parecia ser de outro mundo. Habilidade aliada à força física e inteligência. Inúmeras jogadas dignas de videogames. Um poder de decisão incrível. Craque! O período vestindo a camisa do Barcelona foi excelente, especialmente nos anos de 2004 e 2005 (quando recebeu o duas vezes o prêmio de Melhor do Mundo da FIFA). Ali ele era quase imbatível e ganhou quase tudo. Certa vez, conversando com colegas jornalistas mais experientes, um deles me confessou: “naqueles anos, Ronaldinho me deu a impressão de que iria se igualar e até ultrapassar Maradona”. Ele poderia ser mais. Poderia ser muito mais.

Pelo potencial que demonstrou na primeira metade dos anos 2000, pelo que já jogou, não há dúvida ao dizer que Ronaldinho Gaúcho poderia ter ido muito mais longe do que foi em sua carreira. De certo modo, o R10 é pra mim uma decepção...

O Gaúcho foi uma craque (desculpe a repetição), mas se tornou uma decepção, pois poderia ser eleito o melhor jogador do Mundo por três, quatro ou cinco vezes, e levou o prêmio “apenas” duas vezes; poderia ter disputado quatro Copas do Mundo jogando em altíssimo nível, disputou “apenas” duas e, embora tenha sido campeão jogando bem em 2002, não foi protagonista em nenhuma das duas; o Gaúcho poderia ser o líder de uma nova geração da seleção brasileira, mas com a camisa do Brasil o dentuço foi “apenas” mais um. Quando retornou ao futebol brasileiro, poderia ser o principal jogador do país, mas não foi nem de longe um grande craque incontestável por aqui (claro que jogou bem no Atlético, mas convenhamos: jogar apenas “bem” para alguém com tanto potencial é pouco).

Desde que saiu do Barcelona em 2008, Ronaldinho não foi mais o mesmo. Embora reconheça que tenha tido lapsos de genialidade em alguns momentos (principalmente jogando pelo Milan e Atlético Mineiro – a passagem pelo Flamengo teve no máximo quatro ou cinco grandes atuações), o R10 deixou de ser um gênio. Ou melhor, deixou de ser aquele gênio!

O brilho virou coisa rara. Arrancadas, dribles em velocidade, finalizações improváveis... tudo virou coisa rara. O potencial ainda existia e existe. A sabedoria, claro que ele não perdeu. Vez ou outra, mesmo quando apareceram algumas coisas dignas de aplausos, não era nem de longe aquele Ronaldinho. Talvez dê para contar nos dedos das mãos o número de partidas do gaúcho por Milan, Flamengo e Atlético que encantaram tanto quanto as atuações dos tempos de Barcelona.

O problema de Ronaldinho parece ser a “fome”. Está milionário, conquistou quase tudo na vida, jogou as maiores competições do mundo, frequentou e frequenta as melhores festas, usa as melhores chuteiras, veste as melhores marcas...e conseguiu tudo isso muito cedo (ao 25 anos já era melhor do Mundo e símbolo de uma Era no Barcelona). Quando acabou a motivação natural de conquistar algo novo, acabou a genialidade, acabou grande parte da vontade, acabou aquele Ronaldinho. Em muitos momentos o futebol virou algo secundário na vida do camisa 10. Depois de alguns anos muito bons e dois anos jogando futebol de outro planeta, Ronaldinho “apagou”. É uma pena que ele tenha sido aquele gênio incontestável apenas em dois ou três anos. Vou ficar sempre com a sensação de que Ronaldinho Gaúcho poderia ter sido muito, mas muito maior do que ele é!


No twitter: @lucas_creis
FOTO: UOL

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