Para muitos, é uma pena que um gênio acostumado a marcar gols das mais diferentes formas tenha feito seu mais famoso gol de uma maneira “fácil”: pênalti!

Para muitos, é uma pena que um gênio acostumado a marcar gols das mais diferentes formas tenha feito seu mais famoso gol de uma maneira “fácil”: pênalti!

Por Airton Gontow

Foi há exatos 50 anos, no dia 19 de novembro de 69, mas está gravado em nossa memória o instante mágico do milésimo gol de Pelé, no Maracanã.

Para muitos, é uma pena que um craque acostumado a marcar gols das mais diferentes formas tenha feito seu mais famoso gol de uma maneira tão fácil: “pênalti”. Mas o fato é que foi um momento nobre e solene, que não pode ser obra do acaso. Assim como meses antes, em 20 de julho, o mundo parou para assistir à emocionante chegada do Homem na Lua, naquele dia o planeta parou para assistir, torcer e reverenciar o milésimo gol do Rei. Duas vezes a Humanidade inteira olhando com fascínio e paixão para a bola.

Pelé é capaz de abalar até as convicções “racionalistas” deste cronista. Será que existe essa história de que “o universo conspira a favor”? A mãe é Celeste. O filho jogou em apenas dois clubes: Santos e Cosmos… a conquista do milésimo gol e da Lua no mesmo ano…. Estaria tudo escrito nas estrelas?

Anos atrás, um documentário de TV indagou o que o Homem deveria colocar em uma espaçonave que viajasse através do universo, para mostrar a possíveis extraterrestres o melhor de sua produção. Na sala da minha casa, pensei na antológica cena de Gene Kelly em “Dançando na Chuva”’ ou na igualmente inesquecível “Puttin’On the Ritz”, com Fred Astaire. Lembrei-me ainda da emblemática cena de Charlie Chaplin em “O Grande Ditador”, quando parodia Adolf Hitler e tenta controlar o globo terrestre com os pés, as mãos e, até, com o traseiro.

Também mandaria duas emocionantes imagens de “E.T”: o dedo do alienígena que estica até o contato com o menino e a bicicleta voadora e mágica que eleva e faz pulsar de encantamento o coração de todos os espectadores.

Colocaria ainda na nave uma réplica da obra Moisés, de Michelangelo. Diz a lenda que ao terminar a escultura e constatar a perfeição, o artista italiano teria dito: “Parla!”

Acima de tudo mandaria as imagens do Rei Eterno do Futebol Mundial desfilando sua arte pelos gramados do nosso pequeno e conturbado, mas belo planeta. Lá estaria Pelé, na chuva e no seco, bailando nos gramados, com dribles, gingas de corpo e tabelinhas com companheiros e ou mesmo com as pernas dos adversários. Veríamos Pelé dominar a redonda e ter, literalmente, o mundo às suas mãos e seus pés. Também haveria lugar para gols de bicicleta que elevam e fazem pulsar de encantamento o coração de quem os assistem.

Os extraterrestres ficariam tocados e, certamente, nunca atacariam a Terra. Veriam que no fundo todos somos iguais. Seres vivos à procura de vida, de paz, amor, alegria e, claro, de um grito de gol. Pelé deu a todos nós – humanos – essa emoção 1.284 vezes. Transformou o gesto do soco em um símbolo de felicidade e regozijo. Como nós, os extraterrestres vibrariam com os gols do Rei do Universo do Futebol. Até mesmo porque, como disse o craque húngaro Puskas, “o melhor jogador de todos os tempos foi Di Stefano, porque Pelé não era deste mundo”.

Quando Deus terminou de criar Pelé, olhou para ele e disse: "Joga!"

Airton Gontow é jornalista, cronista e diretor do site de relacionamento Coroa Metade e do canal de YouTube Mundo Coroa.

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