Talento de Talles Magno, do Vasco, rende apelido inspirado no Instagram. Foto: Divulgação/Vasco

Talento de Talles Magno, do Vasco, rende apelido inspirado no Instagram. Foto: Divulgação/Vasco

Amigos, nesta segunda-feira ensolarada em São Paulo, advogo sem humildade pela classe dos narradores esportivos - em causa própria, portanto. A cada rodada, estamos, nós, queimando a pestana para criar algo diferente na cotação de histórias, que são a transmissão do futebol, mesmo que com frequência a matéria-prima não seja das mais elevadas. Enquanto rompia a marginal do Rio Pinheiros em direção aos estúdios da CBN/Rádio Globo para narrar Avaí x Corinthians, ouvia atentamente via internet a transmissão de Edson Mauro, decano dos microfones e dono de uma criatividade ímpar no meio rádio. Uma marca dele são os bordões ligados à atualidade, numa capacidade inventiva repetida por poucos na sua idade.

Foi de Talles Magno o gol que abriu a lata do São Paulo FC em São Januário na vitória do seu Vasco por 2 a 0. Garoto de apenas 17 anos, o atacante é dono de uma habilidade genuína, lépido driblador que arranca em disparada como se estivesse jogando no asfalto quente com a bola controlada. Uma joia que o vascaíno precisa cuidar com muito carinho e pode ajudar muito o time treinado por Vanderlei Luxemburgo. Reportagem de hoje do UOL Esporte mostra um pouco da origem desse rapaz, de família com poucos recursos e que tem também Kaio, jogador das categorias de base do clube da Colina. Realidade pura da sociedade brasileira em sua dura divisão de classes, de onde brotam muitas joias para o nosso futebol. A leitura do jogo e do estilo do atacante fez com que Edson Mauro desse um apelido interessante ao artilheiro: jogador “sem filtro”.

A expressão vem de muitas postagens blogueiras do Instagram, rede social provedora da imagem pública de milhões e que permite que as fotos lá publicadas sejam melhoradas com pré-definições de luz, cores, sombras e nitidez, entre outras: são os filtros. Quando alguém deseja expressar a sua “realidade nada glamourosa” ou apenas a autenticidade, posta a foto sem tratamento e escrever #semfiltro. A alcunha caiu como uma luva num craque em formação que joga o puro futebol, como Michael, do Goiás. O drible das ruas, sem ainda a preocupação racional da inteligência tática que exige o futebol moderno, a alegria de um moleque que deseja apenas ter a bola e avançar até marcar; essa estirpe de craques da bola anda em extinção por aqui e, perdoem-me os puristas do xadrez da bola, mas eu sinto falta. Não que a leitura de jogo e o posicionamento na fase defensiva sejam um crime “lesa-talentos”, como alguns teimam em argumentar. No entanto, num tempo de extremos como o nosso, poucos são os que exigem uma balança equilibrada entre organização e espontaneidade, entre a razão e a emoção do jogo.

O conhecimento do labirinto de grama é sim fundamental hoje em dia. Basta olhar as grandes ligas de futebol do mundo e o tipo de futebol apresentado. Na medida em que não deixamos o debate razo “marcar ou driblar”, outros países apresentam-se como adversários cada vez mais fortes do nosso país porque aprenderam a sábia lei do equilíbrio. O “tatiques”, no bom sentido, evolui a característica do virtuose que aprende qual o melhor tempo e espaço para usar o solo sem atravessar a harmonia da música. Seria muito legal que nossos jogadores sem filtros fossem ensinados a usar com consciência suas habilidades e brilhassem desinibidos nos gramados do Brasil. O futebol é apaixonante por não ter filtro, por ser livre e direto, brincadeira profissional.

Edson Mauro, você é um gênio. Eu ouvi, eu ouvi, eu ouvi, Edson Mauro é o pai da criança!

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