Sem alternativas, Palmeiras vê vantagem desmoronar e é eliminado pelo Grêmio na Liberta. Foto: César Greco/Agência Palmeiras

Sem alternativas, Palmeiras vê vantagem desmoronar e é eliminado pelo Grêmio na Liberta. Foto: César Greco/Agência Palmeiras

Semana passada, o colunista que vos escreve destacou a boa primeira partida frente ao Grêmio realizada pelo Palmeiras e deixou claro qual é o estilo de jogo da equipe dirigida por Luis Felipe Scolari. Também deixei claro que este modo de jogar às vezes funciona e às vezes, não. Como todos sabem, a estratégia foi bem sucedida no jogo da ida, mas falhou no da volta. O resultado? Mais uma eliminação palmeirense em torneios mata-mata.

Evidentemente, há também que se destacar e elogiar a postura do Grêmio de Renato Portaluppi, que há algum tempo vem jogando o melhor futebol do Brasil e conquistando resultados. Após perder a primeira partida em casa pelo placar mínimo e sair perdendo na noite de ontem (27) no Pacaembu, o Imortal não se desesperou, colocou a bola no chão, bem ao seu estilo, e em 5 minutos passou a liderar o marcador.

Everton Cebolinha fez uma partida impecável. Anotou o gol de empate em uma finalização de extrema dificuldade, quase sem ângulo e posteriormente costurou a defesa palmeirense até a bola sobrar para Alisson empurrar paro o gol. Méritos também para Pedro Geromel, que teve uma sólida atuação. Méritos e mais méritos para Renato Gaúcho, que comanda com maestria o Tricolor fazendo com que sua equipe jogue bola, tenha apresso pela redonda, troque passes e seja sempre aguda em direção ao gol.

No final das contas, avançou o time que mais jogou futebol. Mais uma vez, o Grêmio está na semifinal da Libertadores. A camisa pesa, é verdade! A do Imortal, então, pesa uma tonelada. Entorta qualquer varal. Mas não sejamos ingênuos: não foi somente este fator que fez com que a equipe gaúcha avançasse. Até porque, peso de camisa por peso de camisa, a do Palmeiras também não é nada leve. É uma das mais pesadas do país.

Entrando somente no âmbito do campo, do jogo jogado, algumas coisas, novamente, tornam-se evidentes. Tivemos o embate entre duas filosofias de jogo completamente distintas. De um lado, o pragmático Palmeiras, que se apoia numa marcação forte, nos contra-ataques e nas bolas paradas. Do outro, o Grêmio, que preza pela manutenção da posse da bola, gosta de trocar passes e ditar o ritmo do jogo até achar os espaços para penetrar na área adversária e anotar seus gols.

Na partida de ida, o Verdão havia levado a melhor e com merecimento. Anulou quase todas as ações ofensivas do Grêmio, abriu o placar num belo contragolpe e teve oportunidades de aumentar o marcador. O Grêmio, como de costume e ao seu estilo, ficou com a bola, mas não foi capaz de furar a marcação palmeirense e viu a situação ficar bem complicada com derrota por 1 a 0.

No jogo de volta, realizado ontem no Pacaembu, as coisas pareciam que iriam se complicar ainda mais para o Tricolor, pois o Verdão abriu o placar logo no início, com Luis Adriano, após zaga e goleiro do Grêmio baterem cabeças. Mas só pareciam. O Tricolor tratou rapidamente de dar a volta por cima e em 5 minutos fez dois gols e assumiu a liderança no placar: 1 a 2. Este resultado, já daria a classificação aos gaúchos devido aos dois gols marcados no campo do adversário.

Com este cenário, o Palmeiras de Scolari se viu diante de sua principal dificuldade: ter que propor o jogo. O Grêmio, naturalmente, assumiu uma postura mais cautelosa, mas não abdicou de jogar. Continuou levando perigo nos contragolpes e teve oportunidades para aumentar sua vantagem. O Verdão, por sua vez, parecia perdido, sem saber o que fazer com a bola.

O que chama mais atenção é que esse comportamento do Palmeiras é completamente previsível, pois o time não é treinado para ter a bola. O time não é treinado para dominar as ações com a posse e trocar passes até criar espaços para as finalizações. Por esta razão, quando o Verdão tem de lidar com este tipo de situação, tem problemas. Ontem, a falta de alternativas de jogo foi fator crucial para desclassificação, além da ótima atuação do Grêmio, claro.

Novamente, o futebol deixa claro que não basta ter um bom elenco para conquistar certos torneios. É preciso mais! É preciso jogar futebol! O Grêmio jogou e avançou. O Palmeiras não jogou e ficou pelo caminho. Simples e didático. Cabe agora, por parte das pessoas dentro do Alviverde, realizarem uma autorreflexão e perceberem que as ideias retrógadas de Scolari não vão levar a equipe às glórias desejadas.

É necessário perceber que Felipão possui nas mãos uma Ferrari, mas a conduz como se estivesse sentado frete ao volante de um Fiat 147. Está bom? Cabe a alta cúpula do Palmeiras decidir. A paciência dos torcedores, ao que parece, está acabando. A manutenção do técnico gaúcho em seu cargo vai depender demais do que o Alviverde será capaz de fazer no Brasileirão, única competição que lhe resta. E você, palmeirense? Está com Scolari ou acha que já se saturou o seu trabalho no comando técnico do Verdão?

* Renan Riggo é jornalista esportivo (A Folha Esportiva) e assessor de imprensa da PPress Marketing e Comunicação

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