A Federação Internacional de Tênis (ITF) anunciou uma mudança radical na forma de disputa da tradiconal Taça Davis, mas o novo formato ainda terá de ser aprovado pelo seu conselho.
Numa parceria com o grupo de investimentos Kosmos, que pertence ao zagueiro Gerard Piqué, do Barcelona, a competição passaria a ser disputada por 18 países em apenas uma semana, em novembro, em sede única.
A expectativa, se a nova fórmula for aprovada, é que a primeira edição seja em 2019 e várias cidades já mostraram interesse em sediar o evento, sendo hoje a principal favorita Orlando, nos Estados Unidos.
A ITF se baseia na dificuldade em ter os principais jogadores do circuito na fórmula atual e também a injeção financeira no esporte.
Mas alguns fatos devem ser levados em conta.
Em primeiro lugar a Davis, disputada desde 1900 primeiramente por estudantes britânicos, é muito tradicional e essa nova competição iria desfigurar completamente a Davis atual.
Para ser disputada em uma semana, a Davis usaria três datas na primeira fase, uma nas quartas, uma para semifinais e outra para a final.
Como as datas serão apertadas, já foi anunciado que ao invés dos tradicionais cinco sets, as partidas teriam apenas três, com dois de simples e um de duplas, o que iria aumentar a importância dos duplistas.
Isso sem contar que as partidas deverão ser sempre disputadas em ginásios cobertos, para evitar que problemas com o tempo impeçam dela ser disputada no prazo estipulado.
Apesar dos motivos dados pela ITF eu sou totalmente contrário que esse torneio se chame Taça Davis. O charme da Davis que conhecemos é a torcida dos países, os jogos muitas vezes em quadras descobertas, o calor numa cidade, o frio na outra, a emoção dos confrontos em que nem sempre vence o melhor.
Claro que como a ITF quer ganhar mais dinheiro, as sedes serão nos países mais ricos e dificilmente veríamos novamente jogos do Brasil na Taça Davis in loco, somente pela televisão.
Ou melhor veríamos os zonais, que continuariam com a mesma fórmula, criando uma situação inusitada, torcer para o Brasil se classificar para a Davis é deixar de ver nosso time em quadra.
Mas não estou sozinho na minha opinião, muitos tenistas já declararam quer essa medida seria a morte da Taça Davis. Um deles é o francês Lucas Pouille, responsável pelo ponto do título da França na Davis do ano passado contra a Bélgica. Ele disse que se isso acontecer, nenhum atleta que já tenha jogado a Davis jamais vai vê-la como Taça Davis.
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