Com recorde de público no Maracanã, gol de Pelé e base do Santos, seleção garantiu lugar na Copa

Com recorde de público no Maracanã, gol de Pelé e base do Santos, seleção garantiu lugar na Copa

Fábio Piperno

A classificação do Brasil para a Copa do Mundo de 70 completa 50 anos neste sábado. A seleção que se consagraria no México como a maior equipe de futebol da história encerrou no Maracanã, contra o Paraguai, a primeira etapa de uma turbulenta construção.

Naquele jogo de 31 de agosto, que levou ao Maracanã o recorde de 183.341 pagantes, mais alguns milhares de convidados, o Brasil derrotou o Paraguai por 1x0, gol marcado por Pelé bem na metade do segundo tempo. Com o resultado, “As Feras de Saldanha”, como a seleção foi batizada, fecharam as eliminatórias com a campanha perfeita. Foram seis jogos, com 100% de aproveitamento.

Formado em Direito, Jornalismo e militante do então proscrito Partido Comunista, o técnico da seleção era à época o mais influente comentarista de futebol de um país que vivia sob a ditadura militar.

No banco de reservas, o currículo de Saldanha se limitava à conquista do campeonato carioca de 1957 pelo Botafogo, seu time de coração. Em 1969, após recusas anteriores, aceitou o convite feito por João Havelange, então presidente da CBD, para comandar a seleção, que na temporada anterior havia perdido vários jogos.

Sem muito tempo para treinar, João Saldanha anunciou já durante a convocação seu time titular, que tinha como base o Santos. Com isso, imaginava driblar a questão do pouco tempo para preparar a equipe. “São as minhas feras”, disse o técnico. Jogavam no Peixe cinco dos titulares – Carlos Alberto, Joel, Rildo, Pelé e Edu, além dos reservas Cláudio, Clodoaldo e Toninho Guerreiro. O último estava acertando a transferência para o São Paulo.

Do primeiro ao último jogo das eliminatórias, a seleção jogou com Félix; Carlos Alberto, Joel, Djalma Dias e Rildo; Piazza e Gérson; Jairzinho, Pelé, Tostão e Edu. Nos seis jogos, entraram apenas Lula, Brito, Everaldo e Paulo César Caju. E mesmo assim, só em um jogo cada.

O Brasil era amplamente favorito no jogo decisivo. Em Assunção, havia vencido fácil por 3x0. Mesmo assim, o discurso era de cautela. Nos bastidores, o jogo era mais tenso. Os paraguaios alegavam ter recebido ameaças e exigiam segurança. Ficaram no Hotel Plaza, fortemente vigiado. E no desembarque no Galeão, foram recepcionados com flores.

Com as vendas recordes de ingressos, o governador Negrão de Lima solicitou à CBD liberação para transmissão do jogo também para o Rio de Janeiro. Em uma reunião na véspera da partida no Palácio Guanabara, Havelange recusou o pedido. O sinal foi liberado para todo o país, mas os cariocas puderam assistir apenas ao jogo gravado, logo após o apito final do árbitro uruguaio Ramon Barreto.

O gol do Brasil mostrou que Saldanha estava certo ao apostar no entrosamento dos jogadores do Santos. A jogada foi iniciada por Rildo, que passou a Edu. Este bateu cruzado. O goleiro Aguillera defendeu parcialmente e, na sobra, Pelé marcou.

Daquele time, sete seriam titulares no tri do México. Mas a obra iniciada por Saldanha, demitido em 18 de março de 1970, acabou finalizada pelo também botafoguense Zagallo.

Fábio Piperno
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