Que locutores mais marcaram a sua geração? Aqui vai a minha lista. Foto: Marcos Júnior Micheletti/Portal TT

Que locutores mais marcaram a sua geração? Aqui vai a minha lista. Foto: Marcos Júnior Micheletti/Portal TT

Voz: nosso instrumento musical que fala de nós e por nós em todos os instantes da nossa vida. Até quando não a externamos, ela diz por nós. Nas ondas do rádio, na imagem da televisão ou nos bytes baixados da Internet, são elas que nos informam, inspiram e até encorajam, no Esporte e na vida. Como neste espaço expandimos o assunto Futebol, sob o olhar de quem usa a voz para transmitir as suas emoções, eu convido o amigo leitor a um gostoso exercício.

Em tempos de Copa América, álbuns de figurinhas, infográficos e aplicativos nos convidam a todo instante para eleger nossos melhores em alguma coisa. Os onze ideais do futebol sul-americano, os melhores dos anos 90, os craques da camisa 10 em 20 anos. Decidi então montar a minha Seleção dos narradores esportivos. Não por hierarquia, mas por perfil. Qual estilo se adapta mais a um lateral-direito ou a um ponteiro-esquerdo? Uns são pragmáticos, marcadores; outros, ousados, dribladores. Aqui vai a minha lista, solicitando humildemente o aceite do internauta deste Terceiro Tempo.

Goleiro

Pedro Luiz

Uma das vozes mais marcantes dos anos 1950 e 1960 fez época no rádio paulista pela precisão nas narrações. Chegou à Panamericana em 1950 e narrou o fatídico “Maracanazo”, quando o Brasil surpreendentemente foi derrotado na final da Copa do Mundo diante do Uruguai. Fez parte do scratch do rádio, na Bandeirantes, uma das maiores equipes esportivas da história. Trabalhou em onze edições de Copas do Mundo.

Lateral direito

Marco Antônio Matos

Ao lado de Luciano do Valle na TV Bandeirantes, foi uma maiores vozes do voleibol na sua era mais vitoriosa. Atuou ao lado de Pedro Luiz e Mário Moraes na Rádio Nacional (atual Globo), mas foi com bordões nas quadras que se tornou figura reconhecida em todo o país. Frases como "Gilsão Mão de Pilão", "Wow, Ana Moser!" e "Afunda, afunda! Afundou!" estão até hoje na boca de quem joga e gosta do Esporte.

Zagueiros

Oliveira Andrade

Uma voz forte e uma narração diferenciada pela classe e o bom diálogo com a imagem. Essas são as marcas de Oliveira Andrade, hoje na Band, e que transmitiu as Copas do Mundo de 1990 e 1994 na Rede Globo, assim como as Olimpíadas de 1992 e 1996.

Cleber Machado

Outro locutor esportivo que criou um estilo próprio marcado pela discrição, Cléber Machado seguiu um estilo mais contido de narração, apresentando o jogo como pano de fundo para uma conversa, sempre com muita informação. É a principal voz da emissora em São Paulo e tem uma boa experiência em outros esportes, além do futebol, como Fórmula 1 e MMA.

Lateral esquerdo

Paulo Stein

Numa época em que as narrações na televisão tinham vozes mais graves vindas do rádio, Paulo Stein apresentou, ainda no rádio dos anos 1970, um perfil vocal mais potente, numa voz mais rasgada nos lances mais agudos. Nos anos 80, levou essa característica para a televisão, primeiro na TV Bandeirantes (até 1982) e depois na Rede Manchete, até 1998.

Volante

Everaldo Marques

Um dos caçulas da lista, Evê é volante que joga com versatilidade, construindo sua carreira na televisão pela incrível capacidade de narrar diferentes modalidades esportivas, consolidando-se como a voz dos esportes americanos na ESPN por muitos anos. Hoje é o principal narrador da NFL (liga de futebol americano) e acumula passagens importantes no rádio de São Paulo, na 105FM e Eldorado ESPN.

Meias

José Silvério

Um dos maiores narradores do rádio brasileiro em todos os tempos, joga nas posições mais nobres do nosso campinho. Titular da Rádio Bandeirantes, foi a maior voz da Jovem Pan do final dos anos 1970 ao início dos anos 2000. Capacidade impressionante de descrição em cima do lance é sua principal marca, criando uma verdadeira escola para as gerações seguintes.

Osmar Santos

Camisa 10 do meu time, para mim é o mais espetacular locutor da história no Brasil. Osmar criou um estilo que rompeu barreiras ainda nos anos 70, introduzindo uma transmissão mais alegre, unindo a linguagem popular com a poesia, que ele recitava a cada gol. Chegou a comandar equipes esportivas em diferentes rádios em São Paulo numa mesma época. Sofreu um acidente automobilístico em 1994 que interrompeu sua carreira. Osmar é a voz de uma visão sobre o Brasil e o futebol entre os anos 80 e 90. Seu estilo influencia até hoje os locutores de rádio e de televisão.

Oscar Ulisses

Irmão de Osmar Santos, Oscar criou um estilo alternativo ao do irmão, com um ritmo intenso de fala, mas com um tom agradável de voz. É como se ele estivesse conversando com o ouvinte na descrição dos lances de uma transmissão. Essa maneira de transmitir futebol e automobilismo, sem perder a vibração, também marca sua passagem de mais de 30 anos na Rádio Globo e CBN, onde hoje é o narrador titular.

Atacantes

Fiori Gigliotti

A poesia do futebol e da vida estava sempre presente nas narrações de Fiori Gigliotti, desde os tempos da Rádio Clube de Lins, no interior de São Paulo. Foi o grande nome da Rádio Bandeirantes por décadas, narrando dez Copas do Mundo e os títulos do Santos de Pelé, nos anos 60. Teve passagens pela Rádio Jovem Pan, Tupi e Recorde em todas elas marcou sua narração pelo alto valor da palavra em todos os momentos do jogo, desenhando um enredo grandioso para o espetáculo imaginário que criava na mente do torcedor-ouvinte.

Galvão Bueno

Ele se proclama “Vendedor de Emoções” e desde 1981 faz isso como poucos na história da televisão brasileira. Em suas narrações, tem um diálogo com a imagem que poucos no mundo conseguem executar, sabendo o tempo certo de utilizar ou não a fala durante o jogo. Voz principal da Rede Globo desde 1986 narrou os maiores títulos dos clubes nacionais e da Seleção Brasileira, direcionando para uma narração mais ufanista ao longo dos anos, não apenas no futebol, mas como em outros esportes.

Sílvio Luiz

Um dos mais longevos profissionais em atividade na narração esportiva, Silvio Luiz (atualmente na RedeTV), revolucionou a linguagem na narração televisiva. Apresenta-se como um “legendador de imagens”, apenas apontando, com malícia e bom humor, o olhar do telespectador. Seus bordões atravessam gerações e marcam um estilo inimitável até os dias de hoje.

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