O artista Paulo Cosentino presenteou Clodoaldo com belíssimo quadro que retrata seu gol contra o Uruguai

O artista Paulo Cosentino presenteou Clodoaldo com belíssimo quadro que retrata seu gol contra o Uruguai

Fábio Piperno (twitter @piperno)

Na véspera da semifinal contra o Uruguai em 1970, a seleção brasileira recebeu um telegrama de Roma. Garrincha, que acompanhava a cantora Elza Soares em uma turnê, enviou da capital italiana a seguinte mensagem: “Confiante no tri. Pau neles”. Mas o outro lado era capaz de surpresas.

O técnico dos uruguaios era um personagem que por muito pouco não havia mudado a história da Copa de 1954. Reserva que havia sido escalado para desafiar a poderosa Hungria, via em campo o sonho de mais um título se distanciar quando os adversários marcaram 2x0. Quando o jogo se caminhava para o final, fez os dois gols que levaram o embate para a prorrogação. Extenuado, foi retirado de campo a 4 minutos do final. De volta a campo na prorrogação, ainda mandou uma bola na trave antes dos húngaros liquidarem em 4x1.

Com essa disposição para vencer adversidades e surpreender favoritos. Hohberg trocou a esperada vigilância sobre Pelé pela severa restrição aos movimentos de Gérson. A opção do técnico Juan Hohberg revelou-se a mais acertada. Cerceado, o mais cerebral meio-campista da Copa não conseguiu organizar a equipe, o que significava que a bola não chegava em boas condições a Pelé e aos demais atacantes da equipe.

Para piorar, a defesa brasileira não estava exatamente inspirada. Aos 17 minutos, Brito saiu jogando. Na tentativa de fazer um passe, entregou a bola nos pés de Morales. O uruguaio rapidamente acionou seu companheiro Cubillas que entrava pela direita, nas costas da defesa. De pé direito, com pouco ângulo e sem bater forte na bola, o atacante chutou cruzado. Mal posicionado, Félix quase nem esboçou reação. No estádio Azteca, onde observavam, faziam anotações e fotografavam o outro finalista, Carlos Alberto Parreira e Rogério, o ponta que se tornou espião da seleção após ser cortado por contusão, testemunhavam uma cena tão reveladora, quanto insólita. Assim q ue o ser viço de som do estádio anunciou o gol uruguaio, a torcida mexicana que lotava o local, provocou um ruidoso silêncio de decepção. Irmanadas com os brasileiros, las porras mexicanas, as torcidas mexicanas em castelhano, emudeceram. Só voltaram a gritar quando o gol de Clodoaldo foi anunciado.

O equilíbrio em campo e, como consequência, o gol de empate, se iniciou com uma solução tática determinada pelo maestro do time. Como mal pegava na bola, Gérson decidiu se fixar mais perto dos zagueiros e pediu para Clodoaldo avançar. A mudança surtiu efeito. E no último ataque do primeiro tempo, Corró passou a Tostão, de quem recebeu belo lançamento. A bola viajou à frente de dois defensores antes da chegada de Clodoaldo. De pé direito, o volante brasileiro empatou. Era o alívio que a seleção precisava antes de ir para o vestiário. O fantasma do Maracanazo começava a ser exumado!

Para o segundo tempo, Zagalo pediu aos atacantes que explorassem mais o lado esquerdo da defesa uruguaia. Naquele setor, a cobertura era feita por Matosas, o mais lento da defesa. O gol de desempate, marcado por Jairzinho, revelou que o técnico estava certo.

Pelé fazia grande segundo tempo, após atuação discreta na etapa inicial. O Rei, que antes havia recebido um pisão do volante Fontes, escapou em velocidade com o uruguaio em seu encalço. Pelé então aproveitou para revidar. Na corrida, deu forte cotovelada no nariz do marcador. Os dois caíram e o árbitro espanhol marcou falta em favor do Brasil. Graças ao erro do juiz, Pelé escapou de um cartão que seria certo. E, dependendo da cor, poderia ter ficado fora da decisão!

O Uruguai ainda ameaçou com Luis Cubilla, que em cabeçada certeira da pequena área teria empatado não tivesse Félix praticado uma de suas grandes defesas na Copa. Em seguida, a seleção ampliou com Rivellino. “Brasil no Azteca”, bradava emocionado o narrador Wálter Abraão, aludindo à classificação para a decisão. Com o placar de 3x1, Pelé brindou o público com mais uma das suas antológicas jogadas que não terminaram em gol. Após passe preciso de Tostão, driblou sem tocar na bola um atônito Marzurckievcs. Com o goleiro batido, chutou cruzado para o gol defendido apenas pelo zagueiro Ancheta. Caprichosamente, a bola atravessou a frente do go l e saiu pela linha de fundo rente à trave direita. Após prender a respiração enquanto observava a trajetória da bola, o público reagiu com um coro de lamentação pelo gol de gênio que novamente teimou em não sair.

Foi o terceiro grande passe de Tostão na partida, ele que havia dado as assistências para os gols de Clodoaldo e Jairzinho. O centroavante armador, como ele se definiu, fez grande jogo.

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