Apesar dos erros contra, time de Jorge Jesus se deparou com adversário muito organizado. Foto: site oficial do Flamengo

Apesar dos erros contra, time de Jorge Jesus se deparou com adversário muito organizado. Foto: site oficial do Flamengo

Na noite de ontem (19/02), o Clube de Regatas do Flamengo encarou o Independiente del Valle em Quito, no Equador, pela partida de ida da Recopa Sul-americana, torneio que põe frente a frente os atuais campeões da Libertadores e da “Sula”. O empate em 2 a 2 acabou sendo um bom resultado para o Mengo, que terá a chance de decidir o título no Maracanã na partida de volta, que ocorrerá na próxima quarta-feira (25/02).

Apesar do bom resultado, algumas lições precisam ser assimiladas por parte do Rubro-Negro. Erros de arbitragem à parte – gol mal anulado de Bruno Henrique na primeira etapa e pênalti ao Del Valle equivocadamente assinalado no final do jogo –, Jorge Jesus errou na escalação do time titular e topou com uma equipe extremamente bem treinada e organizada, a qual deu muito trabalho à defensiva rubro-negra e criou diversas ocasiões de gol.

As estatísticas da partida não escondem a superioridade dos equatorianos no primeiro confronto: foram 16 finalizações do Del Valle contra 9 do Flamengo; dos 16 chutes do time de Miguel Ángel Ramírez, 4 foram ao gol, ao passo que dos 9 disparos do time de Jesus, 3 tiveram a meta como direção; a equipe da casa ficou com a bola 54% do tempo e trocou mais passes também, somando 369 contra 318 do Mengão; o Del Valle foi ligeiramente superior nos passes, com 80% de precisão contra 79% dos cariocas.

As condições desfavoráveis do gramado, a altitude (2.850m) e os erros da arbitragem não eclipsaram o grande adversário que o Independiente del Valle foi frente ao atual campeão da América. Assim como fizeram contra o Corinthians de Carille na Sul-americana do ano passado, os equatorianos impuseram uma dificuldade ao Flamengo poucas vezes experimentada na era Jorge Jesus.

O técnico português, por sinal, surpreendeu e começou o jogo com Diego no lugar de Gabigol, quando todos apontavam Pedro como o substituto mais provável. Com a entrada do meia, a ideia do comandante lusitano era a de povoar mais o meio de campo para impedir a troca de passes e a transição rápida do Del Valle. Com isso, Bruno Henrique ficou responsável pelo comando do ataque. Como pode ser observado, não deu muito certo.

O Flamengo começou a partida subindo a primeira linha de marcação para pressionar a saída de bola do Independiente. Contudo, o maior esforço físico exigido pelas condições do ambiente e a grande qualidade da equipe treinada por Ramírez anularam a estratégia do Mister. O Mengo subia a marcação, o Del Valle saia da pressão com tranquilidade, trocando passes e sem rifar a bola.

O Mengão corria demais, enquanto o Del Valle jogava. A única boa oportunidade criada pelos rubro-negros na primeira etapa foi o gol mal anulado de Bruno Henrique, que saiu de seu campo de defesa após lançamento de Arrascaeta. Quando desta ocasião, os equatorianos já venciam por 1 a 0, após gol de falta marcado por Murillo, contando com a falha do ótimo Diego Alves.

O Mister certamente percebeu que seu time estava com grandes dificuldades ao longo da etapa inicial e promoveu mudanças para o segundo tempo. Diego deu lugar a Vitinho, Arrascaeta foi deslocado para o meio e o Flamengo melhorou. Vitinho se aproximava bastante de Bruno Henrique para fazer tabelas e também foi bem nas jogadas individuais.

A segunda etapa expôs um jogo extremamente interessante para os amantes do futebol ofensivo. A trocação entre os times era franca! Arrascaeta, assim como havia feito na etapa inicial, achou novamente Bruno Henrique em profundidade. O excelente atacante do Mengão ganhou na velocidade do marcador, saiu cara a cara com o goleiro e não perdoou, empatando o confronto.

A lesão de Bruno Henrique ao se chocar com o goleiro na hora do gol não diminuiu a vontade de atacar dos comandados de Jorge Jesus e o jogo seguiu lá e cá. Os equatorianos tentavam aproveitar os espaços nas costas dos laterais do Flamengo, ao passo que o Rubro-Negro contra-atacava com as saídas rápidas de Vitinho, que mudou a cara do jogo para os cariocas.

E foi exatamente de uma jogada iniciada por Vitinho que saiu o gol da virada do Mengão, contando também com a categoria de Everton Ribeiro e o faro de gol de Pedro. Apesar da inferioridade no placar, o Del Valle seguia representando perigo ao Rubro-Negro. Guerrero desperdiçou grande chance ao chutar para o alto após receber nas costas de Filipe Luís. Murillo cavou pênalti no setor de Rafinha e o árbitro foi na dele. Pellerano converteu e deu números finais ao embate: 2 a 2.

No final das contas, o empate não teve um sabor tão doce ao Mengão, que havia logrado a virada apesar de o adversário ter sido superior na maior parte dos 90 minutos e também pela arbitragem bastante questionável. Os equatorianos foram melhores na partida de ida. O Flamengo, indubitavelmente, é um time mais forte como um todo. A grande decisão será na quarta que vem, com um gramado bom e sem a altitude. E aí, quem leva o caneco para casa?

* Renan Riggo é jornalista esportivo (A Folha Esportiva) e assessor de imprensa da PPress Marketing e Comunicação

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