Queimei a língua com o eclético corredor, nadador, bicicleteiro e bom jogador de futevôlei

Queimei a língua com o eclético corredor, nadador, bicicleteiro e bom jogador de futevôlei

E não é que o argentino tomou conta do pedaço?

Queimei a língua com o eclético corredor, nadador, bicicleteiro e bom jogador de futevôlei.

Eu o chamei de “Professor Pardal” porque ele foi muito mal na Copa da Rússia com o triste “Ratinho Gripado” do Messi e porque ele estava ousando tirar o “inexpugnável” Vanderlei da meta do Santos.

Vanderlei, feio, um Lando Buzzanca (ator italiano), mas um gigante “debaixo dos três paus”, diria Mário Moraes (1925 – 2010), da Rádio e TV Tupi e da Rádio Bandeirantes na Copa de 1958, ao lado de Pedro Luiz (1919 – 1998) e de Édson Leite (1926 – 1983).

Mário Moraes, Pedro Luiz e Édson Leite: grandes nomes da história do rádio

A Bandeirantes deu “só” 95% do ibope radiofônico na Copa da Suécia.

Ela inventou na Praça da Sé até um “Placar Eletrônico” para o povão “ver” os jogos do Brasil.

O “telão” era apenas um enorme painel verde de madeira, com alto-falantes, em formato de um campo de futebol com 22 homens-jogadores e com um “operador” movimentando, com uma grande vareta, nossos craques, a bola e os adversários, de acordo com a narração da rádio que a multidão também ouvia.

Era a “televisão” possível, e aquilo virou algo como foi a maior concentração pró-“Diretas Já” no Brasil, em 1984.

E foi um sucesso estrondoso facilitado pela narração lenta da celebridade saudosa de Édson Leite, de Bauru.

Ele narrava a 10 km/h para facilitar a vida do “vareteiro do placar”, movimentador dos jogadores e da bola.

Mas quando era o elétrico Pedro Luiz, aí nosso pobre “garoto do placar” suava sangue.

A multidão "assistindo" ao jogo do Brasil na Praça da Sé, durante a Copa de 1958. Sucesso da Rádio Bandeirantes!

Deu certo, mas tão certo, que as rádios do Rio copiaram a tal “transmissão ao vivo” da Copa da Suécia.

E não é que na quarta-feira, devido a esse joguinho de Globo e Palmeiras, dois pesos pesados, o rádio esportivo voltou aos seus gloriosos anos pré-TV ao vivo do mesmo jogo?

Só Bandeirantes e Transamérica foram a Maceió para o CSA 1 x 1 Palmeiras.

Torço para que a encrenca persista até o final do ano, mas, tenho certeza, Globo e Verdão vão se acertar.

Palmeiras x Rede Globo: briga quente nos bastidores

Mas, caso contrário, o rádio esportivo terá um grande aumento de audiência e importância como nos tempos pré-TV.

Meus caros jovens da bola, vocês sabiam que antigamente para se saber tudo de um Fla x Flu, de um Grê-Nal, de um Santos x Corinthians, de um Atletiba, de um Ba-Vi, de um Come-Fogo (saudoso), de um São Paulo x Palmeiras ou de um Cruzeiro x Atlético você só tinha duas opções: ir para o estádio ou ouvir pelo Rádio?

Só que o estádio, qualquer um, comportava só uns 0,77% daqueles que, freneticamente, queriam ir lá para pagar seus ingressos e ver os jogos sentados nas arquibancadas de cimento batido.

E os outros 99,33% dos apaixonados, que desesperadamente também gostariam de estar lá dentro do estádio bem ou mal acomodados?

Aí, só havia um único caminho, uma única solução: ouvir pelo rádio.

E o rádio era imenso, 10, 12 emissoras em cada jogo, grandes anunciantes brigavam pelas rádios das estrelas do microfone e a audiência era estupidamente grande.

E com um detalhe: tape da Tupi, da Band, da Globo ou da Gazeta somente às 22h, com os jogos terminados lá pelas 18h.

E aí, entendam bem, explodiram os gênios do rádio com Pedro Luiz, Fiori Gigliotti, Haroldo Fernandes, Flávio Araújo, Jorge Cury, Waldir Amaral (que achava fraco), Doalcey Bueno de Camargo, Édson Leite, José Silvério, Osmar Santos, Alfredo Orlando, Luiz Noriega, Ênnio Rodrigues, Darcy Reis, Zé Italiano e Joseval Peixoto, dentre tantos outros.

É que, para eles, a época era maravilhosa pela ausência da TV ao vivo em jogos de qualquer modalidade esportiva.

Mas, não interessa, para mim foi uma delícia, o Santos só ganhava e lá em Muzambinho-MG nós assistíamos ao tape “ao vivo” via engenhosa gambiarra. Minha turma, de uns 25 garotos, ia ao Rio Chico Pedro e das 15h até 19h a gente ia ficando ali pelo rio, fazendo uns franguinhos, tomando guaraná, nadando e matando o tempo com o rádio desligado.

Tudo pela espera do “jogo ao vivo via tape” às 22h de domingo.

Era uma delícia, como no dia dos 7 a 4 do Santos no Corinthians em 1964.

Assistimos na casa do João Mula (o João Batista, hoje advogado em Cuiabá-MT), na maior mordomia: Santos e Corinthians “ao vivo” com pipoca, empada, guaraná e cerveja.

Só que vários nomes garganteados de nossa turma do colégio foram dedar nossa estratégia e várias vezes, lá no Chico Pedro (hoje esgoto), chegavam uns amigos de espírito de porco logo gritando “foi 1 a 1”, “o Palmeiras empatou”, “o Corinthians ganhou da Prudentina”, “o Santos perdeu da Esportiva em Guaratinguetá por 1 a 0, gol de Frazão”, etc.

Pronto, acabou nossa tática “cibernética” e tudo virou tristeza e frustração.

Corredeira do Rio Chico Pedro, em Muzambinho-MG

Foram os primeiros, mas românticos dedos-duros de minha vida no mundo do futebol.

Eles acabaram com o nosso barato.

Mas, reconheço mesmo, sou um dos maiores apaixonados dos homens de rádio esportivo, assunto que domino como ninguém, mas friso que esses gênios todos, sem culpa, claro, bem aproveitaram em 100% a falta da “desleal” concorrência da TV aberta e fechada e agora da internet.

Todos foram gênios nota 10, mas se nos anos 40, 50, 60 e 70 eles tivessem como zagueiros na forma dessas “200 transmissões” ao vivo e simultâneas de todos os canais abertos, fechados, internet, Facebook, streaming, DAZN e Netflix, a genialidade de cada um cairia alguns percentuais.

É que para se ver um jogo de futebol não é mais necessário ir ao estádio.

Pena, mas é a evolução que nunca para, em todas as atividades.

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SOBRE O COLUNISTA

Milton Neves Filho, nasceu em Muzambinho-MG, no dia 6 de agosto de 1951.

É publicitário e jornalista profissional diplomado. Iniciou a carreira em 1968, aos 17 anos, como locutor na Rádio Continental em sua cidade natal.

Trabalhou na Rádio Colombo, em Curitiba-PR, em 1971 e na Rádio Jovem Pan AM de São Paulo, de 1972 a 2005. Atualmente, Milton Neves apresenta os programas "Terceiro Tempo?, "Domingo Esportivo? e "Concentraç&atild... Saiba Mais

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