Testes em Barcelona remetem à canção dos anos 80...

Testes em Barcelona remetem à canção dos anos 80...

Parque São Jorge, 1984, show da Toco.

Para quem chegou há menos tempo neste planeta e, principalmente não é de São Paulo, a Toco era uma discoteca (nome gourmetizado depois para danceteria) que ficava na zona leste e atraía rapazes e moçoilas de todos os pontos cardeais da cidade.

E, no saudoso 1984, a casa fez uma festa das boas no ginásio corintiano, reunindo diversas bandas, como "Kid Abelha e os Abóboras Selvagens", "Titãs", "Lobão e seus Ronaldos", "Magazine", "Ultraje a Rigor" e "Metrô".

Fui guiando o Chevettinho branco da minha mãe para o Tatuapé com os amigos Alexandre Taglini, a Moniquinha e a Heloisa, todos do saboroso colegial.

A Virginie Boutaud, que continua firme e forte e do lado bom do cenário político do País, resistente, em contraponto a vocalistas de outras bandas acima citadas, era a voz do "Metrô".

Linda com seus vestidos esvoaçantes e voz suave mas marcante, a Virginie entoava sua "Tudo pode mudar", um dos hits dos anos 80.

Em um trecho da melodia, dizia: "que no balanço das horas, tudo pode mudar".

Foi desta parte da música que me lembrei ontem, tão logo se encerrou a primeira bateria de testes da pré-temporada da F1, em Barcelona. 

Foram quatro dias de treinos, sempre em dois períodos de quatro horas.

Assim, oito horas de trabalho braçal com uma horinha de pausa para o almoço. 

Claro, os pilotos não podem "bater" uma lasanha no motorhome da Ferrari nem um eiseben nas instalações tedescas da Mercedes...

Na Williams? Wellington Beef nem pensar...

Pelo tamanho da crise do time inglês, macarrão instantâneo talvez seja a pedida mais adequada para Kubica e Russel, com água da torneira mesmo...

Bom, mas "se no balanço das horas tudo pode mudar", foi isso o que mais se viu em Montmeló.

Primeiro a Ferrari apareceu bem forte, nos dois primeiros dias, mas a Alfa Romeo, que é uma genérica do time de Maranello, também pôs as manguinhas de fora.

Mas também tivemos, ao longo dos quatro dias, a Toro Rosso mostrando que tem um carrinho bacana e veloz, a McLaren figurando em segundo lugar por dois dias seguidos e, no fim das contas, a Renault resolveu brincar de "vamos fingir que é hora de classificação" e Hulkenberg escreveu seu nome no topo da tabela geral, com a melhor marca da semana. Pneus C5 (os mais molengas e grudentos) e, certamente, poucas mas suficientes gotas de gasolina no tanque...

Na F1 atual, com restritos testes permitidos (o que é um absurdo), ninguém pode se dar ao luxo de enganar ninguém.

Por isso, o que mais chamou atenção foi o fato de a Mercedes ter sido coadjuvante de segunda a quarta-feira e somente na quinta é que resolveu acelerar um pouco mais para não causar uma má impressão inicial.

Porém, tanto o magnânimo Hamilton como o figurante Bottas declararam que a Ferrari está um passo à frente, um degrau acima.

Deve estar mesmo, mas nada intransponível à curto prazo.

Sobre a Red Bull-Honda, que andou atrás da "satélite" Toro Rosso, tenho uma curiosidade...

Se a genérica seguir sendo melhor, é bem capaz que Verstappen seja "rebaixado" para o time "B".

Seria engraçado, justamente ele, que já foi promovido em 2016...

Afinal, "no balanço das horas tudo pode mudar", como eternizou a Virginie...

Fotos: Scuderia Ferrari e arquivo pessoal de Virginie Boutoud

ABAIXO, O CLIPE DE "TUDO PODE MUDAR", DA BANDA METRÔ

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SOBRE O COLUNISTA

Editor de automobilismo do Portal Terceiro Tempo, começou no site de Milton Neves em 10 de março de 2009. Também atua como repórter, redator geral, colunista e fotógrafo. Em novembro de 2010 criou o Bella Macchina, programa em vídeo sobre esporte a motor que já contou com as presenças de Felipe Massa, Cacá Bueno, Bruno Senna, Bia Figueiredo, Ingo Hoffmann e Roberto Moreno, entre outros.

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