Você pode até não acreditar, mas jamais conseguirá me provar que não exista relação

Você pode até não acreditar, mas jamais conseguirá me provar que não exista relação

No dia 17 de julho de 1994 eu tinha apenas cinco anos de idade e, como em todo domingo até o falecimento de minha avó Maria, em 2006, estava com minha família almoçando na casa dela. Mas, apesar de ainda entender muito pouco sobre tudo, percebia que aquele não era um domingo comum ou qualquer. O Brasil jogaria mais tarde contra a Itália pela final da Copa do Mundo daquele ano e, claro, não se falava em outra coisa na TV. 

Minha avó não era tão ligada em futebol quanto o meu avô, que tinha morrido quatro meses antes da disputa da decisão. Mas era nítido que ela estava muito ansiosa para acompanhar a partida. Assim como minha mãe e meu pai, que também nunca deram muita pelota para o esporte mais popular do mundo. 

Eis que, mais ou menos uma hora antes do jogo, escutamos diversos fogos explodindo na região do Brás, onde dona Maria vivia desde que chegara de Araraquara em 1958, onde ela se casou com o meu avô Ângelo no dia da final da Copa da Suécia. Os que estiveram presentes na festa contam que na hora do jogo os convidados formaram uma roda no meio do salão e colocaram um rádio, sintonizado no jogo que consagrou Pelé, Garrincha, Didi e cia., no meio do tal círculo armado pelos familiares e amigos.

Bem, voltando ao ano de 1994, após o encerramento das explosões dos rojões, minha avó, chupando laranja no quintal, olhou para minha mãe e disse: “Isso de comemorar antes do jogo dá um azar danado. Não sei, não…”. Aquilo me deu um frio na barriga! E foi ali o meu primeiro contato com a superstição existente no futebol. 

No decorrer do duríssimo jogo, dona Maria aprontou mais uma das suas. Amarrou um pano azul no meio e explicou a todos os que estavam assistindo: “É para amarrar as pernas dos italianos”. Hoje em dia, quase 30 anos depois da final, eu até acho graça do que minha avó fez. Mas, naquele momento, acreditei mesmo que dona Maria e seu lenço azul amarado tiveram tanta importância quanto o Taffarel no título conquistado nos Estados Unidos. 

E é claro que dona Maria não era um caso isolado dentre os amantes do futebol. Até torcedores descrentes em qualquer força divina ou do universo se apegam a qualquer amuleto quando a coisa aperta para o lado do seu time. 

E eu, confesso, me encaixo nesta definição. Quando não estou trabalhando, sou torcedor de um time alvinegro do Parque São Jorge que prefiro não revelar o nome. E, quando dos jogos da minha equipe, tenho manias que não costumo adotar na minha vida como um todo. Se meu clube está ganhando, ninguém pode mudar de lugar na sala. É preciso que todos fiquem na mesma posição até o fim do jogo. Se o rival marca um gol, mudo de canal, de lugar, a posição das minhas pernas, de roupa… É algo completamente  insano e inexplicável!

Houve um tempo até que acreditei que minha cadelinha, a Lola, fosse um mascote imbatível quando sentada em minha cama assistindo aos jogos do meu time. Funcionou, de verdade, durante umas dez rodadas, com ela sem entender nada e sendo impedida por mim de descer da cama durante 90 minutos de bola rolando. Mas bastou a primeira derrota para eu pensar: “Xi, agora ela já está zicada”. E nunca mais ela entrou em meus aposentos em dias de duelos do meu clube. 

E me conforta acompanhar, principalmente nas redes sociais, que não sou o único “maluco" com superstições das mais estranhas envolvendo o futebol. E, para comprovar isso, sugiro que você faça um pequeno experimento: poste em alguma das plataformas que tal time vencerá a Libertadores da América no sábado que vem, em Montevidéu. Na mesma hora você receberá uma enxurrada de respostas de torcedores da equipe apontada por você como a favorita com os dizeres “não zica, pô”, “sai pra lá, pé de picolé” ou “vai azarar sua mãe”. 

E essa superstição, insana e inexplicável, para mim é uma das mais apaixonantes magias do futebol. Os clubes se planejam, contratam, treinam, pensam na temporada toda, aprimoram seus atletas física, tática e psicologicamente e, no fim das contas, a gente acha que o que decidirá a partida será o fato de não gritar gol antes da hora, não mudar de posição no sofá, não palpitar antes de a bola rolar… 

Ou amarrar um pano com a cor do time rival, não é mesmo, dona Maria? Ah, quanta saudade… 

Ah, e é claro que não quero "zicar" o rival alviverde, que inclusive era o time da minha doce vó Maria. Mas sinto que no dia 27 dará Palmeiras (risos).  

 

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