O melhor debate esportivo está na mesa do bar, nos apelidos ortodoxos e nos comentários aleatórios que viram realidade. Foto: Intelli São Carlos/Divulgação

O melhor debate esportivo está na mesa do bar, nos apelidos ortodoxos e nos comentários aleatórios que viram realidade. Foto: Intelli São Carlos/Divulgação

Em volta da mesa de sinuca que gerou o bordão “caçapa”, que eu falo na hora do gol, cinco homens e um garoto participavam de uma roda interessante de conversação sobre futebol. No “Bar do Dão” (abreviação improvisada para João, nome do dono), toda segunda-feira à noite há uma espécie de debate esportivo, como os da televisão, só que regado a cerveja, acepipes e discussões acaloradas que rompem a madrugada quase sempre.

Feio, Baré, João Baiano, Joel, “Seu” Borges e Gerson formavam esse “Linha de Passe” da rua Jan Liss, com apresentação bem-humorada de Espiga, xará de nome e corintiano de nascimento, que trazia grandes pautas para o programa ao vivo. Uma delas tratava o futebol de alguns times como uma clara de ovo. “O Fabinho é que nem (sic) clara de ovo: todo mundo diz que faz bem, mas ninguém gosta”, elogiava ironizando o ponta-direita do Corinthians, campeão brasileiro de 1990.

Lembrei-me dessa passagem curiosa e nostálgica passagem da mesa redonda do Jardim Gismar nesta segunda-feira. Estava eu em São Carlos para narrar o duelo entre Intelli e Corinthians, pelas oitavas-de-final da Liga Nacional de Futsal. O ginásio Milton Olaio Filho, muito bem cuidado, diga-se, recebeu o confronto entre um dos maiores times da modalidade no país e um projeto tradicional, mas que estava chegando à cidade de 117 mil habitantes no interior paulista. A dúvida que tínhamos era quantos torcedores locais iriam ao jogo, já que o esporte não era tão forte no município.

Com capacidade para oito mil pessoas, era possível estimar umas mil quando faltavam 15 minutos para a bola pesada rolar. O duelo começou com o Corinthians mandando bola na trave, para a alegria da “Fiel São Carlos”, presente no andar superior do ginásio. Entretanto, enquanto boca a boca os são-carlenses avisavam seus conterrâneos que havia um jogo decisivo rolando, o time da Intelli começou a igualar o jogo, numa marcação surpreendente à esquadra alvinegra e, em 15 minutos, dominante na partida.

Mais gente chegava e o time de azul jogava melhor ainda, mais velozes e fortes, ganhando as divididas com a potência de quem ingeriu albumina com whey protein antes do jogo. Albumina é a proteína da clara de ovo. Gabrielzinho começou no banco da Intelli e ia entrando ao longo do jogo. No segundo tempo, esse garoto, quase não notado em quadra, apesar de seus dribles e corrida leve, decidiu a partida. Um gol e uma assistência para Guilherme, em lance de perspicácia, lançando o pivô ao pé da trave do goleiro Schutt (outra ironia). O Corinthians perdeu e terá problemas na volta, no Parque São Jorge.

Ao ver Gabrielzinho jogar, Espiga certamente o chamaria de clara de ovo. Sem nome, nem microfone, falou ao final do jogo da sua emoção inédita de fazer um gol para muita gente comemorar. Comoveu o locutor e mais de duas mil pessoas que passaram a ”abraçar o projeto”, como me disse o Secretário de Esportes da cidade, Edson Aparecido Ferraz. Agora, no próximo domingo, o Timão vai precisar de muita albumina para virar a série e chegar às semifinais. Será que dá?

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