Eleição dos grandes jogadores da temporada esquece-se de ouvir os que dão vida ao futebol: os torcedores. Foto: Divulgação/Fifa

Eleição dos grandes jogadores da temporada esquece-se de ouvir os que dão vida ao futebol: os torcedores. Foto: Divulgação/Fifa

Nesta terça-feira, os ladrilhos da Piazza della Scala receberam um movimento incomum. O teatro que dá nome ao local, construído no século XVIII, e foi casa das óperas cômicas de Napoli e também dos melodramas de Rossini. Hoje recebeu outra – e não menos importante – dicotomia: a eleição dos melhores do ano da Fifa. “The Best FIFA Football Awards” foi o evento que pela primeira vez visitou a bota para anunciar o “rei do futebol” em 2019. Os candidatos: Messi, Cristiano Ronaldo e Virgil Van Dijk (zagueiro do Liverpool) – aos outros não cabe apresentação. Era o brilho dos grandes atacantes contra o “destruidor” zagueiro. Comédia e drama frente a frente no mundo da bola.

A escolha do melhor jogador da temporada é feita por um colegiado de ex-atletas de destaque, como Franco Baresi, Lotthar Matthäus, Juan Sebástian Verón e Kaká, entre outros. Uma lista de finalistas é entregue aos experts depois de ser indicada por um júri internacional, composto pelos técnicos de todas as seleções nacionais de futebol, seus capitães e jornalistas esportivos de cada país filiado à Fifa, além de inscritos no site Fifa.com. O mesmo critério vale para a escolha da melhor jogadora do mundo. Em caso de empate, os fãs são o último voto de Minerva.

É sempre difícil apontar o número um de qualquer atividade humana; estatísticas, movimentos, títulos, conquistas e outros itens podem apontar argumentos de toda ordem para entregar o anel dourado a fulano, beltrano ou sicrano. No futebol é ainda mais complexo talvez, já que o esporte envolve aspectos intangíveis e fortes, como a paixão do torcedor. Um levantamento recente das 10 maiores torcidas do planeta contabiliza, juntas, cerca de 200 milhões de pessoas. Quase a população do Brasil envolvida diretamente com o maior espetáculo da Terra. Essa massa torcedora tem acesso e peso restrito na escolha do melhor do mundo.

O amigo e a amiga deste Terceiro Tempo talvez estranhem o que vou escrever, mas assim deve ser mesmo. Não que a eleição de hoje seja isenta, sabemos que é influenciada pelo grau de proximidade local, abrangência e conhecimento das ligas nacionais e da amizade que os profissionais nutrem pelos seus cativos, porém, o torcedor comum é movido pela intensa paixão irracional. A volúpia rubro-negra levou a Nação a um dia cantar que Obina era melhor que Eto’o, atacante camaronês de marcante passagem pela Inglaterra, apenas para citar um exemplo. O futebol é feito dessas comparações non sense, hilárias em sentido, profundas em princípio.

Se a torcida faz do futebol negócio e festa popular, é necessário respeitar o dendê e a pimenta malagueta do geraldino na hora da escolha do seu preferido. “Messi seria perfeito se jogasse no Palmeiras”. “Cristiano Ronaldo seria muito mais feliz se jogasse no Corinthians”. “Se Neymar tivesse permanecido do Santos, seria o melhor do mundo”. São frases ditas a voz plena em botequins e praças pelo Brasil, e vem do coração do esporte. Dizia Fernando Pessoa: “o rio mais belo é o que passa pela minha aldeia”. Enquanto é do meu time, é o melhor.

A milhares de quilômetros do centro histórico de Milão, nós aqui entre calçadas e balcões fantasiamos nosso prêmio de melhor do mundo. Não estão nem Messi, tampouco CR7. Esse Van Dijk então, nem sei quem é, zagueiro bom era Luis Pereira, dizem os palmeirenses. Antes de tudo e de todos estão os nossos, dona Fifa; aqueles que vestem o meu uniforme, as cores da minha gente, o distintivo do meu clube do coração. O meu Van predileto é o Vampeta.

E tenho dito.

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