Esta Copa do Mundo está diferente. Em todas as outras, por mais que os brasileiros estivessem divididos por uma questão ou outra, se uniam na hora do Mundial. Em 1970 a música da Copa dizia “90 milhões em ação”, exprimindo essa união nacional que havia quando a bola começava a rolar. Agora não é bem assim.
Por mais que a vitória da Seleção valorize o futebol brasileiro e todos os que trabalham nele, jornalistas inclusive, percebe-se que muitos não se mostram entusiasmados com a perspectiva daquele que seria o sexto título mundial do Brasil.
Em meio ao entusiasmo do torcedor comum – principalmente das crianças – por uma participação vitoriosa da equipe e por atuações espetaculares de Neymar, muitos críticos torcem o nariz para o 10 do Escrete e deixam claro que não gostariam que ele fechasse sua carreira com chave de ouro.
Sim, isso mesmo que você entendeu: entre o título do Brasil, com destaque para Neymar, e a derrota vexatória que humilharia a equipe, entre eles o maior artilheiro da história da Seleção, estes azedos e mal-humorados pitaqueiros preferem que a equipe fracasse.
Mas e se Neymar jogar bem quando for chamado por Carlo Ancelotti, mostrar-se útil para segurar a bola, cavar faltas, dar assistências, marcar gols e decidir partidas, ainda assim esses que o perseguem não mudarão de ideia?
Não, não mudarão, e esse fenômeno se explica pela tese da chamada “dissonância cognitiva”, que ocorre quando uma pessoa se ampara em qualquer argumento, mesmo irracional, para não ter de dar o braço a torcer e mudar de opinião.
Bem, meus caros e minhas caras, eu fico com a pureza das crianças, que amam por amar, que preferem o sorriso e a amizade contra a sisudez e o conflito. Torçamos, então, para uma talvez surpreendente, mas sempre bem-vinda conquista brasileira, que recuperará o título de “país do futebol” que estamos perdendo. E que o Menino Ney e a pureza das crianças prevaleçam mais uma vez!