Lesões de Sinner, Alcaraz, Rune, Draper e João Fonseca expõem o preço cobrado pelo ritmo frenético do tênis moderno

Lesões de Sinner, Alcaraz, Rune, Draper e João Fonseca expõem o preço cobrado pelo ritmo frenético do tênis moderno

Está bem que nos tempos de Maria Esther Bueno os melhores também se machucavam, mas isso devido à quantidade de tempo na quadra, pois havia o hábito de se jogar nas simples, duplas e duplas mistas. Hoje a velocidade e a exigência do tênis estão levando até os mais jovens para o hospital.

O italiano Jannik Sinner, 25 anos, o número um do ranking mundial, tenta se recuperar de uma lesão no joelho direito para jogar o US Open, cuja chave principal começa em 30 de agosto. Problema ainda mais sério vive o espanhol Carlos Alcaraz, 23 anos, que tem se ausentado das quadras devido a uma insistente contusão no punho.

Mais graves foram os casos do dinamarquês Holger Rune, 23 anos, e do britânico Jack Draper, 24, ambos entre os top ten quando se lesionaram. Rune sofreu ruptura completa no tendão de Aquiles durante o Aberto de Estocolmo, há dez meses, e só voltará a jogar após o US Open. Draper tem sofrido com dores constantes no braço e no joelho desde o final do ano passado.

Mesmo o brasileiro João Fonseca, 19 anos, tem padecido com contusões. Esta semana desistiu do torneio de Cincinnati devido a uma dor no abdômen. Voltou para casa, no Rio, passou por tratamento e está garantido no US Open.

O tênis feminino vive o mesmo dilema. Duas jovens campeãs do US Open, que pareciam ter uma carreira de sucesso pela frente, acabaram perdendo o jogo para as questões físicas. A canadense Bianca Andreescu, que conquistou o US Open de 2019 com apenas 19 anos, rompeu dois ligamentos do joelho esquerdo em março de 2023 e desde então nunca mais foi a mesma.

A bela britânica Emma Raducanu tinha apenas 18 anos quando venceu o US Open de 2021. Cotada para figurar entre as melhores por longo tempo, a garota sofreu uma fratura por estresse na perna direita e até hoje não está plenamente curada.

Causas e solução

A professora de tênis Suzana Silva, uma das líderes do ranking infanto-juvenil brasileiro na década de 1970, acredita que o motivo de tantas contusões vem da velocidade do jogo e da intensidade do calendário:

– O calendário tem de ser pensado desde a fase juvenil, ou o excesso de jogos aumentará a chance de lesões.

A pressão é ainda maior sobre os 30 mais bem classificados do ranking da ATP, pois são obrigados a jogar 13 torneios de alto nível por ano, somando-se os quatro Grand Slams, oito Masters 1000, quatro ATP 500 e, caso se classifiquem entre os oito melhores, o ATP Finals.

O sérvio Novak Djokovic, 39 anos, com 24 títulos de simples de Grand Slam, superado apenas pela australiana Margaret Court – com 24 de simples, 19 de duplas e 21 de duplas mistas – tem sugerido que a ATP reduza o número de games e o tempo jogado das partidas. Para ele, os sets iriam até o quarto game e não haveria vantagem, o que faria os jogos durarem, no máximo, duas horas.

Creio que essas mudanças descaracterizariam o tênis, hoje vivendo sua fase de maior popularidade – com cerca de 100 milhões de praticantes no planeta – e um recorde de patrocinadores. Mexer em regras centenárias plenamente aceitas pelo público seria temerário.

O ideal, para não matar a galinha dos ovos de ouro, é diminuir a pressão sobre os melhores do ranking e desobrigá-los de jogar tantos torneios. Para continuar crescendo, o esporte precisa de seus astros e estrelas. Enfim, alguma coisa tem de ser feita, ou o ritmo frenético do tênis moderno continuará esmagando ossos, músculos e sonhos.

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