Do caro tratamento na infância à mudança para Barcelona, a história do pai que dedicou a vida a transformar o sonho do filho em realidade

Do caro tratamento na infância à mudança para Barcelona, a história do pai que dedicou a vida a transformar o sonho do filho em realidade

Jorge Messi morreu na cidade argentina de Rosario aos 68 anos, depois de uma longa doença.

A causa exata da morte nunca foi divulgada, por respeito à privacidade da família.

Para o Lionel Messi não morreu só o pai: morreu o homem que por mais de 30 anos acompanhou cada passo importante de sua vida.

Primeiro como pai, depois como empresário e, principalmente, como a pessoa que ele procurava depois de cada jogo.

Jorge Messi foi o principal responsável pelo fato de que hoje o mundo aplaude o seu filho.

E para entender quem foi de verdade o Jorge, é preciso voltar no tempo, quando o Lionel tinha só quatro anos e o nome Messi ainda não significava nada no futebol mundial.

Jorge trabalhava na empresa Acindar, uma grande empresa de aço em Rosário, e tinha chegado lá em um cargo bem importante: técnico de inspeção de qualidade, fazendo muitas vezes turnos de até 12 horas de trabalho.

Quando era jovem, o Jorge também jogou futebol, nas categorias de base do maior time da cidade, o Newell’s Old Boys, como volante.

Ele teve que largar o futebol para fazer o serviço militar e depois se dedicou ao trabalho fixo na empresa Acindar, e a construir uma família grande e bonita.

E assim vieram os filhos, do seu casamento com Celia María Cuccittini: Rodrigo, Matías, Lionel e María Sol.

Lionel tinha desde pequeno uma paixão total pelo futebol.

E o pai Jorge o acompanhava nos jogos do Abanderado Grandoli.

Abanderado Grandoli é um clube pequeno de bairro na zona sul de Rosario.

Foi lá que o Lionel, com apenas 4 anos, quase 5, jogou a sua primeira partida.

Naquele dia ele tinha ido ver o irmão Matías.

Faltava um jogador e a avó Celia, que estava na tribuna, insistiu para que colocassem o pequeno Leo em campo também.

O treinador aceitou. Jorge pegou seu filho pela mão e o levou para aquilo que seria uma das carreiras mais fantásticas da história do futebol.

Lionel, poucos meses antes de fazer 5 anos, entrou em campo e jogou bem. E até marcou um gol!

Jorge, a partir daquele dia, sempre o acompanhou em todos seus jogos. E, mais tarde, virou até o treinador daquele time para ficar mais perto do filho.

Jorge logo percebeu que aquele menino tinha algo diferente.

Foi o primeiro a ver um futuro no futebol para o seu filho.

Leo não era só bom de bola.

Tinha um jeito especial de se mexer em campo e uma vontade quase obsessiva de jogar futebol, sempre, todos os dias.

Jorge se tornou o primeiro a cuidar seriamente do futuro dele no futebol, enquanto Lionel ainda era pequeno demais para entender o quanto aquela decisão ia mudar a vida de toda a família.

O primeiro grande obstáculo, porém, não era o futebol.

Era a saúde.

Lionel tinha uma falta grande do hormônio do crescimento e precisava de um tratamento que era caro.
Jorge contou que a cura custava 900 dólares por mês, enquanto o salário dele na Acindar, era de cerca de 1.600 dólares.

Mais da metade do salário ia para o tratamento do filho.

Por dois anos o convênio até que ajudou, mas no terceiro ano ficou muito difícil pagar os tratamentos médicos necessários.

A família tinha problemas financeiros.

O esforço enorme que o Jorge fez para fazer o Lionel crescer, é algo que comprova a importância do pai na história do jogador mais popular do mundo hoje.

Jorge então começou a buscar desesperadamente ajuda.

E ele não estava procurando só um time que pagasse o tratamento.

Estava procurando um clube que pudesse deixar o seu filho continuar se tratando mas também crescendo no futebol.

A família avaliou várias possibilidades.

Falava-se muito também da Itália, antes mesmo da opção espanhola se transformar na mais concreta.

As origens italianas da família Messi chamaram a atenção de pelo menos 3 times da Série A italiana e dois da Série B, entre eles a Juventus e principalmente a Inter de Milão do Massimo Moratti.

O River Plate de Buenos Aires chegou a ver o Lionel, mas a solução não veio a tempo.

O Barcelona, procurado diretamente por Jorge, por outro lado, abriu uma porta.

No ano 2000, Jorge levou o Lionel para a Espanha pagando tudo do próprio bolso.

O menino tinha 13 anos.

A decisão foi tomada pela família, não só pelo pai.

Lionel queria ir, mas ninguém poderia saber o que ia acontecer: o Barcelona não dava nenhuma garantia.

A família partiu então para a Espanha.

A parte mais dura veio depois: Celia, a mãe, e os outros filhos voltaram para Rosário depois de algumas semanas.

Jorge ficou na Espanha com o Lionel.

Pai e filho se viram de repente, longe do resto da família, num país novo, com pouco dinheiro no bolso, enquanto o Barcelona ainda tinha que decidir se ia apostar de verdade naquele garoto.

Só Jorge era a esperança de toda a família.

Lionel Messi contou em entrevistas no passado que ele e o Jorge voltavam para casa em Barcelona e iam para o unico quarto do apartamento onde estavam.

Mas o Jorge ia para o banheiro ou para a cozinha e chorava, sem deixar ninguém ver.

O pai não queria que o filho percebesse o quanto ele estava preocupado com a situação.

O filho fazia a mesma coisa com o pai, chorava escondido para não preocupar o pai.

Depois veio a famosa história do guardanapo.

No dia 14 de dezembro de 2000, Carles Rexach se encontrou com o Messi e o pai dele.

Rexach era o diretor esportivo do Barcelona.

Era uma figura importante no clube: ex-jogador histórico do Barça e homem de confiança da presidência.

Foi ele quem viu o Messi jogar em alguns treinos feitos no clube. E entendeu na hora o talento do menino.

E se empenhou pessoalmente para levá-lo ao Barcelona, mesmo quando havia dúvidas dentro do clube.

Então, Rexach escreveu num guardanapo, num restaurante, o compromisso do Barcelona em contratar o Lionel, depois de tê-lo visto jogar.

Aquele pedaço de papel virou uma das histórias mais famosas do futebol mundial.

Mas Jorge Messi contava um detalhe curioso: ele mesmo nunca viu aquele guardanapo.

Carles Rexach escreveu e assinou o guardanapo durante um encontro com os dois intermediários da família Messi, Horacio Gaggioli e o agente catalão Josep Maria Minguella.

Para ele, naquele momento, só importava saber se o Barcelona ia mesmo contratar o filho para jogar no clube. E, principalmente, que ia garantir o tratamento de crescimento do Lionel.

O acordo, depois de umas duas semanas, saiu.

O Barcelona assumiu totalmente o custo do tratamento do Leo, e o Jorge começou também a trabalhar dentro da estrutura do clube.

Assim, o clube ajudou a família com moradia e apoio financeiro, e o Jorge pôde ficar legalmente na Espanha com o filho.

Lionel ficou em Barcelona e a carreira dele, a partir dali, decolou.

E a partir daquele momento o Jorge mudou de papel.

Não era mais só o pai de um menino com talento. Nem um inspetor de qualidade na Acindar de Rosario.

Virou o representante, agente e gestor de um dos jogadores mais importantes da história do futebol.

E o Lionel, mesmo quando virou uma estrela mundial, nunca parou de buscar a opinião do pai Jorge.

Depois de cada jogo, ele ligava ou esperava a mensagem do pai para saber o que ele achava da sua atuação em campo.

Esse hábito diário diz mais do que muitas declarações oficiais, sobre o quanto a opinião do Jorge era importante para ele.

A presença de Jorge ficou ainda mais importante quando Lionel começou a jogar pela seleção argentina.

Por anos, na Argentina, Messi foi criticado porque não conseguia repetir na seleção o que fazia no Barcelona.

Em 2011, durante a Copa América jogada em casa, a situação ficou pesada.

Insuportável.

Depois dos empates contra Bolívia e Colômbia, Messi foi vaiado pela torcida e criticado duramente pela imprensa argentina.

Jorge disse abertamente que o filho estava sofrendo e admitiu também que ele não estava jogando bem.

Mas por causa das críticas, e não por falta de habilidade técnica.

A posição dele foi interessante porque ele não tentou negar a realidade.

Reconheceu que a seleção estava jogando mal e que a imprensa tinha o direito de criticar.

O problema, segundo Jorge, era o modo como algumas críticas viravam uma pressão pessoal contra Lionel.

Naqueles dias, Jorge também defendeu a personalidade do filho.

Messi era o tempo todo comparado com o Maradona.

E acusado de não ter a personalidade e o caráter necessários para liderar a Argentina.

Jorge era o seu defensor implacável na mídia.

Aquele que enfrentava a imprensa e as críticas, tentando proteger o filho.

Jorge dizia que o Lionel tinha um jeito diferente e que não precisava virar o Maradona para construir a própria história.

Em 26 de junho de 2016, depois da derrota nos pênaltis contra o Chile na final da Copa América, Lionel Messi fez uma declaração dramática: anunciou que ia parar de jogar pela seleção argentina.

Ele disse: "Para mim a seleção acabou. Já são quatro finais perdidas. Esse ambiente não é para mim. Talvez sem mim a Argentina vença".

Messi e a Argentina tinham perdido quatro finais importantes: a da Copa de 2014 e três finais da Copa América.

Depois de mais uma derrota, Messi disse: "Isso não é para mim. Não consigo ganhar. Chega."

Jorge, naqueles dias, ficou perto do filho e o apoiou na sua decisão dramática de nunca mais usar a camisa argentina.

Mas fez isso em silêncio, sem declarações públicas.

Depois do anúncio da aposentadoria em junho de 2016, o novo técnico da seleção, Edgardo Bauza, falou em primeiro lugar e antes de tudo por telefone exatamente com Jorge Messi.

Ao perceber que Jorge poderia convencer seu filho a mudar de idéia, Bauza foi pessoalmente a Barcelona e se encontrou com Leo Messi e seu pai.

Jorge acompanhou e guiou toda a negociação como pai e representante.

E pouco antes do retorno oficial, Jorge postou no Instagram uma foto da camisa argentina com a frase "Qué linda es" (Como ela é linda).

Jorge resolveu a crise e foi o grande responsável pela volta do filho à seleção, depois de uma crise, que hoje parece inimaginável pensar em uma Argentina sem Messi...

Anos depois, veio a parte mais complicada da carreira profissional do Lionel Messi.

Em 2021, o Barcelona e Messi se separaram depois do fracasso nas negociações para o novo contrato.

Jorge acompanhou de perto aquela situação.

E graças a ele, Lionel acabou com o maior contrato da história do futebol, no Paris Saint-Germain, jogando ao lado de Neymar e Mbappé.

Em Paris, porém, a relação não foi o que muitos imaginavam.

Em 2023, Jorge se encontrou com o diretor geral do PSG, Luis Campos, para discutir o futuro de Lionel.

O problema não era só dinheiro. Jorge queria entender qual seria o projeto esportivo do PSG para o seu filho.

Jorge tinha então dito não a um contrato gigante e bilionário de um clube da Arábia Saudita.

Depois do encontro, surgiram muitas dúvidas e o Messi decidiu não continuar em Paris.

Foi então, nesse ponto, que veio Miami.

E aqui também a história conta muito sobre o Jorge.

O Inter Miami tinha começado a pensar no Messi já em 2019, quando o Lionel ainda jogava no Barcelona.

Jorge Mas e David Beckham, donos do Inter Miami, se encontraram com Jorge Messi e apresentaram o projeto.

Aquele encontro durou três horas e as conversas continuaram por anos.

A negociação foi longa e muito discreta.

Houve encontros em Barcelona, Miami, Rosario e Doha.

Jorge Mas contou até que encontrou o Jorge Messi numa situação quase de filme, entrando num hotel de Barcelona por um elevador de serviço para fugir dos jornalistas.

No fim, só depois do OK do Jorge Messi, o Lionel escolheu Miami, e não o Barcelona ou a Arábia Saudita.

O projeto americano envolvia também elementos comerciais importantes e não era, portanto, só uma decisão ligada ao futebol.

Jorge queria garantir a felicidade e a tranquilidade ao filho.

Jorge esteve envolvido na construção daquela escolha muito antes de a transferência virar pública.

Foi provavelmente a última grande decisão profissional em que pai e filho Messi trabalharam juntos.

Nos primeiros meses de 2026, Jorge estava doente.

Passou esse período alternando entre a clínica e a casa, sempre acompanhado pela esposa Celia e pelos filhos Rodrigo, Matías e María Sol.

A família tentou manter a sua condição de saúde em segredo.

Durante a Copa de 2026, a situação se transformou em pública: Jorge não pôde viajar para os EUA para acompanhar seu filho Lionel de perto, como sempre tinha feito.

Depois de cada jogo, Lionel procurava o telefone e esperava a mensagem do pai.

Quando as mensagem pararam de chegar, Leo entendeu o quanto a situação do Jorge era grave.

Messi continuou jogando.

A cada partida da Copa, chorava pela situação do pai.

Cada vitória era dedicada ao pai.

Numa mensagem publicada depois da morte, Messi escreveu com clareza:

"Você me pediu tanto para jogar esta última Copa… Eu queria ganhar para te levar e te mostrar uma nova estrela na camisa argentina, e dedicar a você", escreveu.

A Argentina chegou à grande final, mas perdeu para a Espanha.

Lionel contou que as pernas não aguentavam mais, mas ele seguiu lutando. " por meu pai!".

Disse que fez de tudo para levar aquele troféu para casa justamente por causa do pai, Jorge.

Depois, no dia 8 de agosto, o Jorge partiu.

Lionel viajou na hora de Miami num voo particular, junto com a esposa Antonella e os filhos.

Chegou a Rosario no próprio dia 8 de agosto, um sábado à noite, e no domingo acompanhou o pai no último adeus, numa cerimônia privada e restrita no cemitério El Prado de Pérez, nos arredores da cidade.

Lá fora, havia torcedores com cartazes de apoio e um forte esquema de segurança.

A família quis intimidade.

O futebol argentino reagiu com respeito.

A AFA, a federação argentina, ordenou um minuto de silêncio em todos os jogos do fim de semana, em todas as categorias, e os jogadores, técnicos e árbitros usaram braçadeiras pretas.

Nos dias seguintes, o futebol mundial continuou lembrando o Jorge Messi: Espanha, Argentina, Estados Unidos, Itália.

O Inter Miami jogou sem o Lionel contra o Monterrey e perdeu.

Os companheiros, porém, usaram braçadeiras pretas e o Rodrigo De Paul dedicou um gol a ele.

Poucos dias depois da morte do pai, Messi voltou a campo contra o León: entrou no segundo tempo, recebeu uma grande ovação do público, mas seu time perdeu por 3 a 2 e foi eliminado da Leagues Cup.

Cristiano Ronaldo, após a morte do Jorge, mandou uma mensagem de força para o Messi.

Pouco antes daquela partida, Lionel escreveu uma mensagem longa e dolorosa.

Disse que "não sabia como seguir em frente".

Disse que "tinha dúvidas se continuaria jogando futebol por muito tempo".

Lembrou que o Jorge "tinha sido pai, amigo e representante, e que depois de cada jogo eu sempre esperava a opinião dele".

A história do Jorge Messi, portanto, não é só a de um pai que acompanhou um filho que ficou famoso.

Na verdade, é a história de quem transformou uma vida inteira: a do filho que não conseguia crescer, e a de um pai que buscou de todos os jeitos enfrentar o problema.

É a história de um homem que começou com um salário de 1.600 pesos e um tratamento médico de 900 pesos, mais da metade de seu salário.

De um homem que saiu de Rosario com pouco dinheiro no bolso, com um garoto de 13 anos, passou meses difíceis em Barcelona, viu nascer aquele famoso guardanapo sem nem nunca tê-lo visto.

E que defendeu o Lionel Messi quando na Argentina o vaiavam, cuidou das suas grandes negociações e acompanhou até Miami uma carreira que ficou enorme.

E que deu ao filho o que ele merecia: tranquilidade.

Jorge Messi tinha uma personalidade reservada, discreta e exigente.

Quando o Lionel era criança e jogava no Abanderado Grandoli, ele já estava lá: atras do gol, falando com Messi a cada jogada.

Antes do trabalho na Acindar, ele tinha feito vários trabalhos e estudado para ser técnico químico, construindo uma vida dedicada à família e aos seus 4 filhos.

Quando Lionel precisou do tratamento para o problema de crescimento, o Barcelona virou uma possibilidade real.

Jorge então atravessou o Atlântico com o filho pequeno.

Mas o Jorge também tinha um lado emocional e religioso: em fevereiro de 2001, o pai do Messi percorreu 75 quilômetros a pé até o santuário da Virgem de San Nicolás, na Argentina, para agradecer pelas oportunidades que seu filho Lionel recebeu.

Jorge tomava decisões concretas, defendia o Lionel quando a Argentina o criticava e resolvia os problemas nos bastidores.

Mesmo quando Messi virou uma das maiores estrelas da história, Jorge continuou sempre no mesmo lugar, atrás e ao lado do filho.

Sem o Jorge, não existiria o Leo!

Para o futebol mundial, Jorge Messi foi o pai do Lionel Messi.

Para o Lionel, foi muito mais.

O futebol viu o Messi nascer.

Jorge viu o Lionel nascer. E o trouxe ao mundo, que hoje o aplaude.

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