Neymar corre o mesmo risco agora? Difícil dizer, mas nunca se pode duvidar dos marionetistas do futebol. Imagem: Reprodução/CBF TV

Neymar corre o mesmo risco agora? Difícil dizer, mas nunca se pode duvidar dos marionetistas do futebol. Imagem: Reprodução/CBF TV

Há poucas situações mais frustrantes para um jogador de futebol do que ser cortado pouco antes de uma Copa do Mundo. Isso já causou traumas profundos em alguns craques. O caso de Toninho Guerreiro, à época parceiro de Pelé, é um dos mais simbólicos. Maior artilheiro do País, foi dispensado do Escrete pouco antes da viagem para a o México por uma sinusite que nunca o incomodou. Agora, quem passa por aflição parecida é, justamente, Neymar.

Na manhã desta quinta-feira o médico da Seleção Brasileira, Rodrigo Lasmar, disse que o craque santista tem uma lesão de grau dois na panturrilha – sofrida dia 17 deste mês, em jogo contra o Coritiba – e poderá ficar até três semanas sem treinar com bola. Caso não se recupere, dizem os alcoviteiros, poderá ser cortado.

Com apenas dois jogos pela Seleção e quatro gols marcados, Toninho era considerado até por Tostão como o melhor centroavante do Brasil naquele início de 1970, quando o time, ainda treinado por João Saldanha, se preparava para a Copa. Mas havia interesses que tramavam contra ele.

O presidente Emilio Garrastazu Médici tinha dito que preferia Dario, o Dadá Maravilha, no comando do ataque. Logo em seguida, com a substituição do técnico João Saldanha por Zagallo, jogadores do Santos foram preteridos a favor de concorrentes do Botafogo.

Assim, santistas importantes nas Eliminatórias, como Djalma Dias, Rildo, Joel Camargo e Edu ou foram cortados, ou passaram para a reserva. Para o lugar de Toninho Zagallo convocou Roberto, do seu Botafogo, e, é claro, Dadá Maravilha. A alegação do doutor Lídio Toledo é a de que Toninho teria problemas com sua sinusite na altitude da Cidade do México.

De nada valeram as declarações do departamento médico do Santos de que Toninho já tinha atuado em algumas das cidades mais altas do mundo, como Bogotá, La Paz e México, sem sentir nada. O próprio jogador diria, depois, que o médico Lídio Toledo queria cortá-lo de qualquer jeito.

O tempo provou que o Guerreiro ainda tinha muito futebol e muitos gols a marcar. Em 1970 foi artilheiro do Campeonato Paulista e um jogador essencial para tirar o São Paulo de uma espera que vinha desde 1957. Em 1971 revelou-se essencial para o bicampeonato do São Paulo e ao mesmo tempo se tornou o único jogador pentacampeão paulista da história. Voltou a ser artilheiro do estadual em 1972, ano em que também obteve a artilharia da primeira Taça Libertadores disputada pelo Tricolor.

Toninho Guerreiro morreu aos 47 anos, de derrame cerebral. Até o fim de seus dias gostava de relembrar seus momentos de glória em Noroeste, Santos e São Paulo, mas, ao mesmo tempo, reconhecia que sua grande tristeza foi não ter ido para a Copa de 70. Neymar corre o mesmo risco agora? Difícil dizer, mas nunca se pode duvidar dos marionetistas do futebol.

Últimas do seu time