Não torço para o Central Sport Club, contudo o acompanho desde 1986. Acho que a memória do clube deveria ser melhor preservada e divulgada. Muitos dados não foram computados, ninguém sabe quem foi o maior artilheiro da era profissional, mas seja no realismo ou no romantismo; Vadinho foi o maior ídolo do clube.
Edvaldo Lourival da Silva nasceu em berço de ouro, era filho do empresário Lourival José da Silva, proprietário da empresa Princesa do Agreste, que ligava Caruaru a São Paulo, transportando nordestinos em busca de oportunidades de trabalho na maior cidade do país. Vadinho jogava futebol por prazer e diversão, sem nenhuma pretensão financeira, assim como seus irmão Misso que também jogou no Central.
Com a volta do Central ao Campeonato Pernambucano (em 1961), Vadinho passou a jogar com mais frequência e acabou se destacando no Estadual de 1964, quando o Central ficou na segunda colocação do 1º turno (apenas uma derrota para o Náutico, que também venceu o segundo turno). Foi a primeira grande campanha de uma equipe do interior no estadual.
Enquanto isso, o Santos preparava uma grande mudança naquele elenco que conquistou tudo no planeta. Com o aval do presidente Athiê Jorge Coury e cerca de 800 milhões de Cruzeiros a disposição, o dirigente do Santos Airton Bonfim rodou o país e trouxe vários jogadores para o PEIXE. Nesse pacotão de reforços vieram o lateral Direito Carlos Alberto Torres do Fluminense, o zagueiro Oberdan do Coritiba e mais quatro nordestinos; o ponta esquerda baiano Gilson Porto do Bahia, os meias paraibanos Araponga do Campinense e Salomão do Naútico, além do meia pernambucano Vadinho.
Por tudo aquilo que Vadinho fez pelo Central, o então presidente Luiz Lacerda rasgou um documento que exigia uma indenização a ser paga pelo jogador ao clube no valor de dois milhões de cruzeiros por rescisão contratual, especialmente porque o pai dele era o maior patrocinador do clube e naquele período havia expandido os negócios, passando a oferecer linhas também para o Rio de Janeiro e Brasília. “Seu Louro” foi homenageado pelo então presidente João Goulart como o primeiro empresário a conectar o Nordeste à nova capital do país (a condecoração foi entregue em Caruaru por Leonel Brizola, então cunhado do Presidente).
Vadinho embarcou para o Rio de Janeiro, onde os jogadores iriam se encontrar com Airton Bonfim para depois viajarem para Santos onde iriam assinar um pré-contrato de três meses, período ao qual iria ser avaliado pela direção santista.
No Aeroporto do Galeão aconteceu um fato inusitado que teve repercussão depois de ser publicado pelo jornalista Borges Maia em sua coluna “Linha de Frente” do Jornal dos Sports (edição do Domingo, 18 de Abril de 1965) após Airton Bonfim relatá-lo sobre o primeiro diálogo que teve com Vadinho.
Airton perguntou a Vadinho;
- e aí Vadinho, você joga em qual posição mesmo ?
Imediatamente Vadinho respondeu:
- eu brinco na meia esquerda !
O representante santista ficou perplexo e tentou explicar ao meia pernambucano que quem jogava no lado esquerdo era simplesmente Pelé. Aí Vadinho fez a afirmação que entrou para a História do futebol de Caruaru;
- bem, seu moço, então o jeito é botar o Pelé na direita.
O decorrer dos dias de Vadinho na Baixada Santista, com treinos e jogos no Santos, não possuem muitos relatos. Talento não lhe faltava, chegou a ser elogiado pelo Treinador Lula que o descrevia como um jogador “despreocupado” por isso atuava leve e sem pressão. Mas a concorrência era enorme, além do que o planejamento financeiro do clube naquele ano foi um desastre após, especialmente depois da aquisição do Parque Balneário Hotel, o que se revelou uma das piores transações feitas na existência do Alvinegro. Vadinho e Araponga foram dispensados após dois jogos pelo clube. Meses depois Airton Bonfim declarou que Vadinho era bom jogador, mas a direção optou por ficar apenas com Salomão
Daquele pacotão de reforços, não tenho palavras nesse texto para descrever o gigantismo de Carlos Alberto Torres. Oberdan jogou muito pelo Santos, foi ídolo no Coritiba. encerrou a carreira no Grêmio após o histórico título estadual de 1977 e atualmente é empresário em Santa Catarina.
Gilson Porto rodou por vários clubes e foi campeão no internacional, Bahia e no seu amado Fluminense de Feira de Santana.
Gilson faleceu em 2003 por conta de um câncer no pâncreas.
Salomão ficou no Peixe e seu passe foi adquirido por cerca de 100 milhões de Cruzeiros Fez parte do elenco que venceu o Campeonato Paulista de 1965 e o Torneio Rio-São Paulo de 1966. Em retornou ao Recife para defender novamente o Náutico e regressar à faculdade de Medicina onde havia iniciado a graduação em 1964. Salomão, paraibano da cidade de Pocinhos, faleceu de causas naturais em 4 de maio de 2023.
Araponga jogou pouco tempo no Santa Cruz e depois foi jogar em Portugal, onde ficou conhecido por ser um exímio cobrador de faltas e penalidades. Fixou residência em Portugal por mais de 50 anos e esporadicamente visitava Patos, a sua cidade natal. Faleceu aos 80 anos no domingo, dia 17 de Julho de 2022, de causas naturais, no Hospital da cidade de Santo Tirso, em Portugal.
Vadinho ficou um tempo no estado de São Paulo, graças a ajuda financeira o seu Pai. Em maio de 1965 assinou com o São Paulo, mas não teve oportunidade com o treinador argentino José Poy. Só veio estrear em novembro, graças às oportunidades dadas pelo também treinador argentino Jim López. O São Paulo estipulou seu passe em 30 milhões de Cruzeiros. O meia ainda passou pelo Náutico, Sport, voltou á cidade de São Paulo e fez testes na Portuguesa (a pedido de Jim López) Encerrou a carreira no seu amado Central de Caruaru.
Chegou a declarar aos amigos que não teve espaço no Santos por causa da panelinha existente e que nos treinos Pelé só o chamava de “Baiano”... “Eu sou pernambucano, rapaz”, era a resposta dada por Vadinho ao Rei.
Vadinho faleceu por insuficiência hepática na madrugada de 19 de dezembro de 2006, no Hospital Português, no Recife. Em 2019 foi realizada uma votação por causa do centenário do Central e Vadinho foi eleito o melhor jogador na História da Patativa, algo óbvio pois no imaginário do torcedor caruaruense Pelé era Pelé, mas Vadinho era Vadinho.
Com Neymar, Ancelotti convoca seus 26 jogadores para a Copa do Mundo
18/05/2026Saudade: Um dos melhores zagueiros de todos os tempos, Domingos da Guia nos deixava há 26 anos
18/05/2026Aniversariantes hoje, Biro-Biro e Zé Maria foram autores de gols importantes pelo Corinthians
18/05/2026Uma foto, uma história! Osmar Santos e Basílio na inauguração do estádio do Corinthians
18/05/2026Agora você sabe porque a Copa do Mundo 2026 será o evento mais caro da história. Por Ricardo Setyon
18/05/2026