Elas ocuparam o espaço nos gramados e nos microfones com uma fibra que inspira a todos nós; falta a narração (por enquanto). Foto: Divulgação/Fox Sports

Elas ocuparam o espaço nos gramados e nos microfones com uma fibra que inspira a todos nós; falta a narração (por enquanto). Foto: Divulgação/Fox Sports

Nesta sexta-feira, os franceses recebem mais uma edição da Copa do Mundo de Futebol, com 24 seleções que reúnem a nata das jogadoras de futebol. Talvez, desde 1991, a mais importante para nós, brasileiros, já que a nossa mídia decidiu não apenas transmitir, mas também investir na construção da imagem dessas guerreiras, ampliando a visibilidade de suas histórias mitológicas. As mulheres ocupam espaço com competência e fibra inspiradoras. Precisamos vê-las mais e ouvi-las mais. Falta a mulher na narração esportiva, mas isso é questão de tempo.

Em um cenário de muita transformação e luta, Helenas, Helôs, Sônias, Anas, Giovanas, Bibianas, Renatas e tantas outras romperam paradigmas. E venceram. Mais do que qualquer coach, suas histórias mostraram (e mostram!) que não há limites para quem traça um caminho e segue sobre ele, custe o que custar. Recentemente, ouvi a entrevista de Isabelly Morais, a primeira mulher a transmitir um jogo de futebol no rádio de Minas Gerais. Ela tem 21 anos e falou ao podcast Narracast, acessível em qualquer agregador no celular.

Essa moça não sonhou, como eu, desde criança, em levar as emoções do esporte pelas ondas do rádio. Essa oportunidade surgiu da visão do seu chefe na Rádio Inconfidência AM. Ela estava pronta? Não estava. Nem referências para ouvir e se espelhar, já que ela é a pioneira. Esses obstáculos, que deixariam muitos de nós apavorados, a empurrou à tentativa. Saltando do precipício da oportunidade, Belly gritou, sem paraquedas, aquele gol do América-MG, na Arena Independência, em 2017. Só por ter tentado, se juntou ao lindo momento das jornalistas esportivas, crescente em 2018 com o “Deixa ela trabalhar”. Ganhou espaço e mostrou talento. Foi parar nos canais Fox Sports, selecionada para narrar uma Copa do Mundo. Contra difíceis adversários conceituais, ela chegou.

Semana passada, ano e meio depois, a ouvi narrar Atlético-MG x Union La Calera, pela Copa Sul-Americana. Voz clara, texto trabalhado e ritmo único deram sinais do quanto ela tem mais do que talento como locutora esportiva. Nunca falei com ela pessoalmente, mas senti um orgulho tremendo, porque me lembrei de mim mesmo e de tantos que buscam um lugar ao sol, aparentemente impossível aos olhos comuns. O mesmo sentimento eu tive ao ver a chamada da TV Globo, que irá transmitir os jogos ao lado da Band na televisão aberta. Carol Barcelos, Lizandra Trindade e Ana Thaís Matos gigantes na tela, convidando o país para ver Marta e a Seleção no Mundial da França.

Como mar calmo nunca fez bom marinheiro, elas navegaram em águas desafiadoras e... lá chegaram! Olhei a chamada no ar e me emocionei, tentei me colocar no lugar delas, a distância, busquei adivinhar o que passava na cabeça da Ana Thaís (com quem trabalhei por três anos na Rádio Globo) enquanto ela gravava aquelas tomadas. Qual o tamanho desse orgulho? Só elas podem dizer. Eu fico aqui e aplaudo essas amazonas do esporte brasileiro, que tanto têm a nos ensinar. Então, que aprendamos a olhar, a admirar, torcer, gritar gol junto, sempre atento a todas as noções de humanismo e respeito.

Viva, Isabelly! Viva a Mulher!

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